Administração - Evolução e Conceitos
Por Wagner Herrera
22/05/2007
“O homem é o único animal que
administra, como conseqüência é o único que desenvolveu uma aptidão natural para
complicar as coisas”. Max Gehringer
A administração é a ordenação do caos que se instala quando um grupo de pessoas
coopera no afã de conciliar metas estabelecidas por terceiros com seus
objetivos, interesses, desejos e ambições pessoais.
Enquanto ciência, a administração estuda as necessidades sócio-técnicas da
organização, seu conjunto de diretrizes, cultura, processos, recursos e capital,
possibilitando a realização de seu negócio de forma estruturada, integrada e
consolidada.
Na concepção sistêmica, a administração é entendida como um mecanismo
estruturador e articulador de processos e recursos empresariais para a
consecução dos resultados almejados: geração de bens, lucro e promoção do
bem-estar social.
Cronologia da evolução das teorias administrativas:
Embora a industrialização tenha iniciado na década de 80 (séc. XIX) com os
adventos das invenções mecânicas, hidráulicas e elétricas (Revolução Industrial)
o estudo sistemático só ocorreu no início do séc. XX:
1911 – Princípios da Administração Científica com os estudos de Frederick W.
Taylor nos EEUU sobre o sistema técnico com ênfase na especialização da tarefa e
controle da produção.
1916 – Gerência Administrativa do livro - Administração Industrial e Geral de
Henry Fayol na França, com abordagem na departamentalização, competências
administrativas e desempenho organizacional, sendo considerado o Pai da
Administração Clássica que defendia que a administração deveria ser uma
disciplina a ser estudada fora das escolas de engenharia.
1927 – Relações Humanas a partir dos trabalhos de R.F.Hoxié (USA, 1916), Robert
Owen (Escócia, 1825) e Elton de Mayo (USA, 1924 - experiência de Hawthorne – WE
Co.) onde o funcionário passa a ser visto como recurso humano e não como uma
peça do sistema técnico.
1940 – Escola burocrática de Max Weber com ênfase na organização formal e
burocracia racional.
1943 - Teoria da motivação e escalas de necessidades de Abrham Meslow É
considerado o pai da Psicologia Transpessoal.
1945 – Behavorismo (comportamento) de Herbert Simon, Teoria da decisão que
concebe a organização como um sistema de decisões.
1954 – Teoria Geral de Sistemas de Ludwig Von Bertalanfy na Áustria, abordagem
sistêmica - organização como sistema aberto, visão holística.
Peter Drucker com sua obra “The Pratice of Manegement” inicia uma nova era no
pensamento administrativo e gerencial que considera a administração como
disciplina dada sua importância no estudo da organização. Foi considerado o Pai
da administração moderna.
1960 – Teorias X e Y de Douglas McGregor, “The Human Side of Enterprise”, USA
1981 – Teoria Z de William Ouchi, USA, estabelece o conceito de administração
participativa.
Muitas são as abordagens na evolução do pensamento dos estudiosos da
administração: a Clássica, a Burocrática, a Humanística, a Comportamental, a
Sistêmica, a Organizacional, a Contingencial até se chegar na abordagem
Estratégica; abordagens que podemos classificar em duas fases: 1. pensamento
mecanicista e reducionista (primeira metade do séc XX), 2. pensamento sistêmico,
orgânico e holístico.
A partir dos anos 80 as Escolas do Pensamento Estratégico, já com vinte anos de
existência, sugeriram a criação da disciplina de Administração Estratégica nas
grandes universidades americanas, resultado das demandas do aumento de
competitividade por um novo foco na gestão.
A gestão é a aplicação da teoria administrativa por suas várias metodologias, a
saber: gestão por funcionalidades, por objetivos, por resultados, por qualidade
total, por processos, por competências, orientada à clientes, estratégica ...
A estratégia corporativa apresentou grande desenvolvimento, principalmente a
partir da década de 1980 quando o fenômeno da reestruturação empresarial –
“conjunto amplo de decisões e de ações, com dimensão organizacional, financeira
e de portfólio” (WRIGHT, KROLL e PARNELL,2000) tornou-se imperativo.
A administração estratégica é a disciplina que estrutura, integra e consolida o
conjunto de premissas, ativos tangíveis e intangíveis, mercados e ambiente,
possibilitando à organização obter vantagem competitiva na realização de seu
negócio.
Face a à implementação da tecnologia no contexto organizacional, a administração
ganha novas perspectivas:
• Grande encadeamento: robotização, produção seriada, ganho em escala..., com
função “otimizadora”.
• Mediadora: oferta de produtos e serviços na rede de relacionamentos (bancos,
serviços públicos, comércio eletrônico...), exercendo função indutora.
• Intensiva: exerce função capacitora (hospitais, empresas de projetos, ensino à
distância...).
Contexto da Administração Tradicional X Administração Estratégica
Tradicional - orientada à resultados Estratégica - orientada à metas
Tradicional - foco no presente e no passado Estratégica - foco no futuro
Tradicional - segue o orçamento Estratégica - segue o planejamento estratégico
Tradicional - gestão de recursos e processos Estratégica - gestão de
oportunidades e competências
Tradicional - postura de sobrevivência ou manutenção Estratégica - postura de
crescimento ou diversificação
Tradicional - filosofia da satisfação Estratégica - filosofia de adaptação ou
otimização
Tradicional - atitude conservadora ou reativa Estratégica - atitude pró-ativa
Tradicional - objetiva cumprir o orçamento Estratégica - objetiva melhor
posicionamento e/ou crescimento sustentado
Tradicional - atua na dimensão funcional (MKT, vendas, produção, RH, finanças,
controladoria, P&D...) Estratégica - atua na dimensão conjuntural (governanças,
clientelas, parceiros, concorrência, ambiente...)
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no IESC- Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)
2. Analise a Situação.A. Faça as seguintes perguntas: QUAL é realmente o problema?, QUEM está envolvido?, O QUE aconteceu?, Desde QUANDO vem ocorrendo?,ONDE aconteceu o desentendimento (em que departamento, setor, área geográfica etc.)?, POR QUE ocorreu o conflito?,Poderia ter sido evitado? B. Busque alternativas de solução. Aponte as opções que você julgar mais plausíveis para resolver o conflito. C. Escolha a melhor alternativa com base nas informações à sua disposição D. Implante e avalie. Ao implantar a solução, faça acompanhamentos periódicos para detectar eventuais desvios de rotas, promovendo reuniões com os envolvidos.Os passos b, c e d poderão também ser realizados com os envolvidos, desde que haja abertura e clima propício para isso.
3. Mantenha um Clima de Respeito.Ao dialogar com a(s) parte(s) envolvida (s), mantenha sempre um clima de respeito e consideração pois essa será a plataforma que sustentará o entendimento. Evite todo o tipo de sarcasmo, ironia ou agressividade, pois funcionarão como combustível para aumentar a fogueira.
4. Aperfeiçoe a Habilidade de Ouvir e Falar.Não interrompa quando a outra pessoa estiver se explicando,saiba ouvir e ouça também as entrelinhas, isto é, o que ela não está dizendo mas insinuando por gestos, tom de voz e postura. Assim descobrirá muito além das aparências. Faça perguntas que levem ao esclarecimento do problema.Mesmo que em circunstâncias normais não se deva interromper quem fala, se a outra pessoa não consegue desenvolver seu pensamento,ou estiver se desviando do assunto ou ainda se expressando com dificuldade, interrompa fazendo perguntas objetivas que recoloquem o diálogo nos trilhos.Pergunte qual é a sugestão da outra pessoa para sanar o conflito.
5. Seja Construtivo ao Fazer uma Crítica.Evite a armadilha da personalidade, usando frases diretas e acusativas do tipo: “Você só sabe trabalhar para si e não ajuda ninguém” ou “Você me prejudicou de propósito”. As pessoas sentem-se acusadas e colocam-se na defensiva quando ouvem frases como “Você fez isso” ou “Você errou aquilo”. Concentre-se no problema ou comportamento e não na personalidade das pessoas. No primeiro exemplo anteriormente dado, uma outra forma de abordagem poderia ser: “Seu comportamento de afastar-se do grupo trem trazido problemas quanto ao cumprimento de prazos do setor”. No segundo exemplo, a frase poderia ser: “Sua atitude acabou me prejudicando”. Evite também críticas vagas ou malfeitas do tipo:“Seu trabalho tem deixado muito a desejar”. É algo muito impreciso: por isso fale de modo específico: “A pontualidade é algo muito importante para mim, e o seu relatório foi concluído com dois dias de atraso. Além disso, o item 5 não faz menção às novas datas estipulados pelo cliente, conforme os dados que lhe repassei anteriormente”. Da mesma forma, quando alguém lhe dirigir críticas vagas, solicite esclarecimentos “Você é muito negativo” ou “Seu trabalho está abaixo da média” não dizem muito. Pergunte então:“Onde o meu comportamento é negativo?” ou “Onde o meu trabalho está abaixo da média? Eu gostaria de saber para melhorar”.
6. Procure a Solução Ganha-Ganha.O ganha-perde ou perde-perde são as piores formas de solucionar conflitos. Sempre restarão alguns estilhaços doloridos, aguardando a melhor hora para o contra-ataque. Procure a relação ganha-ganha em que ambos os lados saiam ganhando, sem impor ou humilhar a outra parte. Os conflitos não são casuais. Eles ocorrem quando as pessoas sentem-se frustradas ou humilhadas, ignoradas, não reconhecidas, injustiçadas,inseguras,traídas ou algo assim.Por outra lado -felizmente– as pessoas todas evitam conflitos e tornam-se cooperativas sempre que percebem algo de vantajoso para elas ou para o grupo. As pessoas cooperativas são aquelas que têm algo a ganhar com isso, e grande parte das vezes não se trata de dinheiro. Elas podem querer, por exemplo, segurança, estabilidade, reconhecimento,promoção, crescimento pessoal, harmonia em equipe, desafios profissionais, elogio etc.Mostre, portanto,à outra parte o que ela tem a ganhar com a solução do conflito (ou o que ela tem a perder se perdurar) e terá dado um grande passo para a solução do desentendimento.
7. Aja Sempre no Sentido de Eliminar Conflitos.Existem muitos métodos para eliminar comportamentos de resistência. Você poderá utilizar um ou vários desses métodos para resolver impasses com colegas ou subordinados:
A.Mostre um Exemplo de Sucesso.Exemplifique como o mesmo problema Foi enfrentado pela pessoa X ou pelo Departamento A e que a solução foi encontrada utilizando o mesmo processo a ser agora adotado, provando, assim, sua eficiência.
B.Dê uma Garantia. Garanta que, se o novo layout, a nova tecnologia ou seja lá o que for, não der certo dentro de um determinado prazo (quinze dias, um mês etc), então será adotado o sistema antigo ou algum outro.
C. Faça uma Demonstração. Há resistências quanto a um novo equipamento ou um novo sistema?Use-o ou faça-o você mesmo funcionar (ou alguma outra pessoa que entenda disso) e mostre os resultados positivos.
D.Tente Simplesmente Ouvir. Ouça os argumentos da outra parte amistosamente. Ao terminar o que ela tem a dizer, experimente persuadi-la por meio de uma argumentação seqüenciada e lógica.
8. Evite Preconceitos.Preconceitos são, talvez, os piores bloqueadores na administração de conflitos. Estão relacionados com valores e crenças profundamente arraigados no íntimo das pessoas. A própria palavra preconceito explica o seu significado: pré-conceito, isto é, conceito prévio. O conceito já está previamente embutido e cristalizado na mente da pessoa, atuando como um clichê ou rótulo, sempre que determinado assunto é abordado. Suspende-se o julgamento(um dos dons mais preciosos do ser humano) e aciona-se o piloto automático, que passará então a comandar os pensamentos a respeito do tema ou da situação enfrentada. Os preconceitos mais comuns estão relacionados a cor, religião, sexo, nacionalidade, idade, ideologia política,deficiência física e mental.É difícil libertar-se desses estereótipos, mas uma das melhores armas contra eles é imbuir-se e conscientizar-se de cada caso é um caso e cada pessoa é uma pessoa,e que o problema deve ser administrado dentro de sua realidade única e específica, por mais parecido que possa ser com casos semelhantes do passado. Toda pessoa é única (não existem duas iguais, por mais semelhanças que possam ter) e todo conflito é singular, pois os fatores que o originaram nunca são totalmente idênticos e, se o são, os desdobramentos poderão tomar rumos inusitados. Pense nisso da próxima vez em que tiver de solucionar um conflito sobre o qual você ache que já sabe tudo a respeito por já ter enfrentado situações iguais e pessoas parecidas.
9. Mantenha a Calma.Mantenha a calma, não reaja mal às más-notícias e, sobretudo, não se irrite se alguém discordar de seu ponto de vista. Administrar conflitos significa também administrar a si mesmo e ao seu humor.Ambigüidades, incertezas e atitudes passionais fazem parte do processo conflitual, principalmente nos estágios mais agudos. Mantenha a cabeça fria e segure a mão firme no leme, sem perder o controle da situação, e tenha uma atitude de tranqüilidade e confiança. Devido a essa postura, os outros aceitarão sua liderança e passarão a confiar em você. Escolha sempre o momento mais adequado para tratar do assunto conflitante. Conserve o objeto da discórdia exclusivamente entre os envolvidos, e abstenha-se de fazer propaganda, fofoca ou lançar boatos a respeito. Se a situação estiver muito confusa e os ânimos exaltados, às vezes é bom dar um tempo, para que as cabeças esfriem. Convoque uma reunião para mais tarde ou para o dia seguinte e, enquanto isso, faça o seu dever de casa e analise bem a situação para estabelecer sua estratégia de abordagem.
10. Quando Estiver Errado, Reconheça o Erro.Isso não vai diminuí-lo ou torná-lo vulnerável, como muitos supõem. Pelo contrário,você provocará o respeito dos outros por demonstrar que o seu interesse não é provar que você é perfeito ou infalível, mas sim buscar a melhor solução para o conflito, mesmo que, para isso, você tenha que admitir que cometeu um erro.
11. Não Varra os Problemas para Debaixo do Tapete.Se houver um conflito enfrente-o, usando para isso a abordagem que melhor se coadune com o momento. Não ignore a situação, nem contemporize achando que o tempo sanará o desentendimento.O tempo quase sempre só agravará a discórdia. Pode, no entanto, haver situações especiais em que é mais vantajoso não encarar o conflito do que enfrentá-lo, pois a relação custo- benefício seria desfavorável.Neste caso use o seu bom senso para discernir quando fazê-lo.
Condensado do livro “Manual do Chefe em Apuros” de Ernesto Berg,editora Makron Books (esgotado)
Ernesto Berg é Consultor em gestão de
empresas, desenvolvimento organizacional e gerencial, especialista em negociação
e desenvolvimento de pessoal. E-mail: berg@quebrandobarreiras.com.br