Administração da Produção
Por Wagner Herrera
22/05/2007
“A Administração da Produção e
Operações é o estudo de técnicas e conceitos aplicáveis à tomada de decisões nas
funções de produção (empresas industriais) e operações (empresas de serviços)”.
(Daniel Moreira)
Num artigo anterior conceituamos genericamente Administração. Hoje damos
seguimento ao tema sob um foco mais restrito. Em dois artigos escritos
anteriormente neste sítio: “Pensando a Estrutura Organizacional” e “Processos”
introduzimos premissas que serão necessárias no acompanhamento do presente
trabalho.
Embora “Produção” seja uma funcionalidade da organização, vamos tomá-la como a
responsável pelo processo de transformação* e, recordando: processos de
transformação são os responsáveis pela geração de bens (produtos e serviços) e
entendê-lo como a seqüência de atividades que formam a cadeia de operações
finalísticas.
Essa cadeia inicia com a atividade de recebimento de materiais que maioria das
empresas pertence à gestão de suprimentos apoiada pela função de logística que
provê as entradas em almoxarifados e o controle de qualidade.
O segundo elo da cadeia pertence à produção propriamente dita, as transformações
dos materiais ou operações dos serviços.
Seguindo pela cadeia temos as atividades da qualidade, a armazenagem do
produtos, a expedição, o faturamento, a logística de saída e distribuição para
os clientes.
Olhando-se para o organograma da maioria das organizações temos alguns
departamentos com seus respectivos responsáveis participantes do processo em
questão, a saber: Suprimentos, Produção, Logística, Controladoria (PCP), Vendas,
Suporte ao Cliente etc. assim, no conceito de Administração da Produção da
maioria das organizações, temo-la restrita ao processo de transformação ou
operações.
Com tantos “caciques” atuando, de quem cobrar os índices de eficiência e
eficácia da produção industrial? Até quando vamos conviver com a herança de
Fayol, Ford, Sloan, etc. que grandes contribuições prestaram à ciência da
administração na primeira metade do século passado?
Michael Porter em sua terceira estratégia de mercado sugere que a cadeia de
valor de uma empresa que pretenda conseguir a vantagem competitiva deve iniciar
na logística de entrada (recebimentos) e continuar com operações, logística
externa (distribuição), marketing e vendas e suporte ao cliente (Assistência.
Técnica) – ensinando-nos que devemos orientar o processo pelos fins a que se
destinam, quais sejam: processos de fabricação e de negócios. Embora discorde da
inclusão do marketing na cadeia, visto para mim ser uma função de inteligência
empresarial e não, de negócios.
Algumas empresas resolvem o problema pela adoção da estrutura matricial
estabelecendo responsáveis pelo processo como um todo, porque todos os
responsáveis acima citados não são suficientes para garantir a eficácia.
A “Produção” como administradora do processo de transformação deve consagra-se à
todas as atividades pertinentes à consecução dos resultados, a saber:
- qualidade do material a ser usado,
- movimentações e estocagem,
- suprimento da linha de montagem,
- produção propriamente dita,
- acompanhamento do processo (auto controle),
- qualidade de semi acabados e produtos,
- armazenagem final.
Com isso, sua responsabilidade vai da entrada de material à disponibilidade dos
bens, incutindo um senso de completude ao trabalho de equipe e atribuições
concernentes, pois muito se vê na organização a caça ao “bode expiatório”, posto
que alguém precisa expiar pela incompetência.
As empresas orientais (e algumas em nosso país) resolveram em grande parte o
problema pela adoção da filosofia Kaizen (melhoria contínua) que impregna as
equipes com o sentido de responsabilidade pela completude das ações, algo como
“faça você mesmo e bem feito, não delegue nem culpe outrem”. O Kaizen facilita
ainda o downsizing* pela dispensa de algumas funções necessárias nas estruturas
clássicas.
A gestão da transformação* nada mais é que a Administração da Produção, macro
atividade que se encontra no centro do processo e no seu caminho crítico. As
ações nesta área são relevantes sob todos os aspectos, para o sucesso do
empreendimento, visto ser a principal responsável pelo índice de eficiência e,
embora não tenha contato direto com o cliente final, participa
preponderantemente das variáveis que compõem o índice de eficácia.
As atividades listadas a seguir são desejáveis que estejam sob o “guarda-chuva”
do responsável pelo conjunto de atividades finalísticas:
- aperfeiçoamento contínuo da mão de obra,
- a programação dos eventos produtivos,
- a manutenção do parque de equipamentos,
- a maximização da produtividade,
- algumas atribuições de gestão de pessoal,
- controle de inoperâncias...
pois a tática é fornecer as condições necessárias e suficientes para a obtenção
dos resultados e assim, cobrar competência de uma só pessoa.
Este, não é um trabalho fácil na cultura das empresas ocidentais, posto estar
fortemente arraigado no conceito da estrutura funcional na maioria das empresas.
Seria salutar uma motivação de aprendizagem organizacional na instituição como
um todo e na alta administração em particular.
* Usarei o termo “transformação” em vez de “fabricação” por ter uma maior
abrangência, se aplicando aos serviços também.
* Downsizing – “enxugamento” dos níveis intermediários da estrutura como
supervisores, apontadores, etc
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na
Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no
IESC- Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)