Agregar Valor - Uma Estratégia dos dias atuais e pouco utilizada pelas empresas
Por Marco Antonio Meira
23/07/2008
Me respondam com sinceridade: Por que, eu como consumidor, deveria comprar o seu
produto ou serviço, se um de seus concorrentes também vende um produto ou
serviço similar ao seu, ao mesmo preço? E há, ainda, um outro que vende o mesmo
produto ou serviço, cerca de 5% mais barato?
Ahhh! Por que se eu levar um orçamento do seu concorrente você vai cobrir este
orçamento com um desconto de dois reais? Ou vai me dizer que o seu produto é
melhor do que o dos outros, somente por que ele é seu? Ou ainda, me dirá que em
sua empresa os atendentes sorriem e vão me servir um cafezinho?
Grande tolice! Isso não funciona mais, ou se funciona, é para poucos
consumidores ou consumidores sem expressão de compra alguma. Esta é a típica
guerrinha de preços que não leva a empresa à lugar algum, ou melhor, leva à
quebra mais cedo ou mais tarde.
A maioria das empresas são organizadas com foco no produto e não no cliente.
Existem algumas que ainda dão incentivos aos gerentes pela satisfação do
cliente, mas na realidade os incentivos pelo cumprimento das metas e aumento das
vendas são muito maiores. É típico encontrar empresas focada tão somente na
criação de um determinado produto, para vender a um determinado mercado
consumidor e aquele que comprar mais vai ter mais atenção.
Historicamente as empresas são organizadas por produto, mas está na hora de
rever este conceito. O fato é: com todos os meios que o consumidor tem ao seu
alcance hoje, principalmente a internet, ele já pode fazer uma pesquisa de
produtos para escolher o que vai comprar. Ele pode conferir todas as
características, qualidade e preço de cada produto ou serviço pretendido. Ele já
não precisa que você tente convencê-lo da compra. Ele pode decidir-se sozinho.
Então, o que sua empresa realmente agrega de valor ao seu produto ou serviço
para que o consumidor decida pela sua empresa e não pelo concorrente?
Quando digo agregar valor, não estou dizendo valores monetários ou
características técnicas do seu produto, estou dizendo o que realmente sua
empresa agrega de valor para manter este consumidor satisfeito e que o faça
tomar a decisão de voltar a comprar de você.
O foco hoje deve ser voltado ao consumidor, as empresas devem se organizar neste
sentido: o da satisfação do cliente.
Como a Apple conseguiu, após uma quase falência, voltar a ser uma das maiores
marcas do mundo? Foco no cliente! A Apple se preocupou em fornecer o que
realmente o seu consumidor queria. Ela focou-se no cliente, descobrindo qual
produto realmente lhe atraia, não somente em características técnicas, mas
também no design e inovação. Lançando novos produtos como iPod, iPhone e appleTV,
seguindo rigorosamente os desejos do seus consumidores. Em sua loja na 5º
Avenida em Nova Iorque, ela mantém além da exuberância da loja, um café e
programadores a disposição para escutar o que os clientes acham que um produto
de tecnologia deve possuir como recurso. O resultado é o lançamento de produtos
com as características e design desejados fazendo com que o cliente da Apple não
troque por nenhuma outra marca. Ele é seu fã. O preço é totalmente secundário.
Historicamente, os bancos, são organizados por produtos: O gerente que sabe que
você tem uma conta corrente, o gerente da financeira que sabe que você financiou
o seu carro, o gerente do investimento que sabe que você tem algumas aplicações
alí, etc. Os bancos hoje já procuram se organizar com foco no cliente, lançando
bancos exclusivos como o Uniclass do Unibanco, o Prime do Bradesco, o Van Gogh
do Real, etc. Que procuram centralizar toda a atenção ao cliente, mantendo
consultores financeiros à disposição prontos para esclarecer dúvidas ou dar
dicas de melhores investimentos ou financiamentos. Todo o foco está no cliente.
Na realidade focar-se no cliente e agregar valor ao produto não é simplesmente
criar um programa de fidelidade ou algo parecido, é estar diretamente ligado a
ele, conhecendo suas reais necessidades e com isso produzir um produto adequado
às suas necessidades, é fornecer-lhe informações, ajuda ou consultoria sem custo
algum e estar à disposição sempre para solucionar uma dúvida ou problema que
venha a ter.
Mesmo que seu produto seja tecnicamente superior ao da concorrência, ou sua
entrega é a mais rápida do mercado, pergunte-se sempre: será que isso realmente
importa ao seu consumidor? Ele quer pagar mais caro por isso?
As companhias aéreas sabem bem disso. Foram as primeiras a focar-se nos
clientes. Não estou falando dos programas de fidelidade e sim do contato direto
que passaram a ter com seus clientes. O primeiro passo foi a criação dos canais
direto de vendas, como sites na internet e a dispensa dos intermediários na
venda de passagens, passaram a vender diretamente seus bilhetes economizando
cerca de 10% do valor total de suas vendas. Descobriram, através de seus canais
direto com o cliente, que a maioria não se importavam muito com o serviço de
bordo, o que levou as companhias a diminuírem este serviço e conseqüentemente
houve redução nos valores das passagens.
O importante é saber que existem dois tipos de marketing: Um é o baseado em
fabricar e vender e o outro é o baseado no perceber e responder. O primeiro se
preocupa somente em jogar um determinado produto que foi fabricado em um
determinado mercado e o que importa é vender. O mais rápido possível, pois o
estoque está alto. O segundo está direcionado à perceber o que realmente o
consumidor deseja e então fabricar tão somente aquilo que se venderá
imediatamente àquele cliente baseados em seus desejos. Neste novo tipo de
marketing não existe estoque, o que se fabrica esta vendido, existe um
posicionamento junto ao mercado fornecedor, que quando um pedido entra,
imediatamente os fornecedores são ativados e em dois ou três dias o produto
vendido está entregue dentro das características e desejos do cliente.
Qual o real valor que sua empresa está agregando ao seu produto?
Consegue responder agora?
Marco Antonio Meira é Consultor de Marketing e Vendas
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