Clientes ou Pacientes?
Por Carlos Alberto de Faria
03/07/2007
"A felicidade é como a saúde:
se não sentes a falta dela, significa que ela existe."
Ivan Turgueniev
Na área da saúde temos clientes ou pacientes?
Eu vejo que essa pergunta pode ser irrelevante, dependendo de como é tratado o
cliente paciente. Vejamos...
Todo profissional da área da saúde utiliza, como meio de subsistência e
manutenção da sua vida e da sua família, os seus conhecimentos para manter e
melhorar a vida dos seus clientes pacientes.
Queremos deixar claro que na área da saúde tratamos de um negócio, um negócio
que mexe com a vida, a manutenção da vida, a melhoria da vida, e trata também da
morte.
Como os profissionais da saúde tratam da vida e da morte, com uma proximidade
maior do que outras profissões, isto confere a eles uma certa áurea, um
misticismo, e um poder que nenhuma outra área tem.
Passaremos, a partir daqui, a falar sobre médicos, e entenda-se por médicos
todos e quaisquer profissionais da área da saúde (dentistas, enfermeiros,
fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, etc.).
Todos e quaisquer médicos, com consultórios próprios ou não, trabalhando em
hospitais públicos ou em clínicas privadas - estas diferenciações só dizem
respeito ao tipo de negócio que o profissional médico está inserido, nada
mudando em sua relação com o cliente - estão, portanto, fazendo um negócio,
estão dentro de um negócio.
Os médicos recebem uma remuneração, basicamente, para estabelecer um processo
que devolva a saúde ao seu cliente.
Eu, inclusive, digo que os médicos vendem esperança, a esperança da recuperação
da saúde (parcial ou total).
Os diplomas, colocados em destaque nos consultórios, se prestam para demonstrar
a proficiência do profissional, o seu investimento em atualização constante, o
que tangibiliza e transmite uma certa segurança ao paciente-cliente.
O negócio que o médico faz é uma troca não pactuada, mas presumida:
- "Eu recebo o seu dinheiro em troca da recuperação da sua saúde. "
O pagamento é físico, o fio de esperança é somente uma possibilidade.
Esta troca é regida pelos princípios estudados exaustivamente pelo marketing de
serviços, quer o médico conheça, desconheça ou faça questão de ignorar.
Alguns médicos se insurgem contra o marketing. E não é a posição deste médico,
ou daquele outro, que vai dizer se isto é verdade ou não.
A posição do médico pode indicar se ele está pronto para aprender, ou se vira as
costas para o aprendizado de como se faz negócios... e negócios éticos,
principalmente para quem (clientes ou pacientes) o resultado do trabalho resulta
em melhoria da saúde, ou morte!
Os profissionais da área da saúde trabalham com o que há de mais sagrado para a
maioria das pessoas: a vida.
Neste trabalho na área da saúde, é usual o médico enxergar dois processos em
curso:
- um relativo ao negócio e
- outro relativo ao processo de recuperação da saúde.
Esta separação é uma simplificação do processo de relacionamento, da interação
entre o cliente-paciente e o médico, sob o ponto de vista do médico.
Alguns (muitos?) médicos poderiam e precisariam enxergar e se posicionar sob o
ponto de vista do que os seus clientes procuram e querem.
Qual seria o posicionamento mercadológico?
Para o cliente só há um processo em curso: ele troca o seu dinheiro, ou do
contribuinte, pela esperança do restabelecimento da sua saúde.
Este é o âmago do negócio, sob o ponto de vista do cliente.
Qual a diferença entre as duas percepções ou posicionamentos dos profissionais
de saúde?
No primeiro, e mais comum, posicionamento, aquele do médico que enxerga dois
processos separados, o negócio e a recuperação da saúde, o médico se coloca como
o centro. É o negócio que ele faz e a recuperação que ele proporciona através do
seu conhecimento.
No caso acima o foco é autocentrado: o uso do seu conhecimento para proporcionar
o restabelecimento da saúde do cliente-paciente.
Este posicionamento confere uma posição de autoridade a quem tem o "poder da
cura".
Já vendo sob o ponto de vista do cliente paciente, no segundo posicionamento, o
médico coloca os seus conhecimentos para restabelecer a saúde do seu cliente
paciente, coloca os seus conhecimentos a serviço do paciente cliente.
Nesta caso o foco é o restabelecimento da saúde do cliente.
O conhecimento está a serviço do restabelecimento da saúde. É o médico
colocando-se como um prestador de serviços.
Portanto, pensar em dois processos, em separado, é deixar de pensar cliente (ou
paciente), pensar na necessidade básica que leva toda e qualquer pessoa ao seu
consultório: a esperança de recuperação da saúde.
O negócio de todo e qualquer médico só vai para frente quando a propaganda boca
a boca feita pelos seus clientes pacientes informa que aquele médico ajuda os
seus clientes a enfrentarem um processo que lhes devolve a saúde.
Afinal eu não vejo nenhuma pessoa escolher médico por folder, panfleto ou
páginas amarelas, mas sim por indicação, que é o famoso boca a boca, a forma
mais eficaz, barata e efetiva de se construir um negócio, também na área da
saúde.
E você, você trabalha na área da saúde? Se sim, você tem clientes ou pacientes?
O seu foco é a apalicação do seu conhecimento? Ou o seu foco é a recuperação da
saúde?
Sob o ponto de vista do negócio, chamar o ser humano que está à sua frente de
cliente ou paciente é irrelevente, pois o principal é como o médico se coloca no
negócio, é o seu posicionamento frente ao negócio. O nome que se dá a quem está
à frente do profissional da saúde é irrelevante.