Clima Organizacional
Por Marcelo Miyashita
14/07/2006
Há um ponto comum entre as várias definições de liderança: a de que o líder é um
formador de times, ou seja, de pessoas e das boas relações entre elas. A questão
é que, no ambiente corporativo, as relações não são causas, mas conseqüências
que refletem, exteriorizam e multiplicam a maneira de se comportar do gestor.
Assim como as crianças, não as ensinamos pelo verbo, pelo controle ou pela
“bronca”: ensinamos pelo exemplo das nossas atitudes com elas, com outras
pessoas e com o mundo. Portanto, a compreensão da postura e atitude de trabalho
não são ensinadas por normas, regimentos, reuniões ou por controle gerencial.
Valores intrínsecos e pessoais como cooperação, pró-atividade, assertividade,
envolvimento, disciplina, respeito e ética são necessários para que as pessoas,
mesmo enfrentando condições desfavoráveis como a pressão do tempo, baixos
salários e estruturas subdimensionadas, encontrem motivos para exercerem suas
funções com primazia e alta performance. E esses valores são percebidos e
assimilados, como as crianças, pela forma como as pessoas se relacionam,
principalmente, como a gestão se relaciona com suas pessoas.
São essas relações que formam o clima do ambiente de trabalho. Clima tem a ver
com a maneira como as coisas funcionam, como as pessoas reagem, e também com
significados subjetivos como o humor, o espírito e até o ar. O que é difícil
explicar em palavras é facilmente compreendido sensorialmente no dia-a-dia. O
clima está por aí, não sabemos muito defini-lo, mas ele regula o modelo de como
as pessoas tratam e compreendem suas ações no ambiente de trabalho. Não cabe ao
líder tentar mudar diretamente como as pessoas são com outras e seu ambiente,
cabe ao líder trabalhar seu exemplo e melhorar suas relações pessoais, isso ele
pode fazer. Indiretamente é possível modificar um clima, mas mesmo este que
existe não foi criado de uma hora para outra. Por isso que a liderança é uma
prática diária e mesmo quando não a praticamos a exercemos de modo positivo ou
desfavorável. Sempre há clima onde há pessoas interligadas.
Essa lógica, claro, não é uma regra. Pessoas são surpreendentes e mesmo sob uma
gestão controladora e castradora nem todos, obrigatoriamente, são rudes e
reativos com os colegas. Antes de serem profissionais e assimilarem o clima
vigente, pessoas trazem influências próprias, familiares e culturais. Temos
nossos próprios climas que orientam nossas relações exteriores. Por outro lado,
nosso comportamento é influenciável e cada um carrega um nível de flexibilidade
e adaptação.
Como sabemos, quanto menor a operação da empresa mais ela precisa das suas
pessoas – afinal, infra-estrutura, capital financeiro e tecnologia são
fundamentais em operações complexas. Mas em pequenas organizações que trabalham
com poucos funcionários, clientes e vendas, são as pessoas que fazem a diferença
e a empresa acontecer. Todo empreendedor sabe disso, por isso, ao pequeno
empresário, saber desenvolver e estimular um bom clima de trabalho é crucial
para o sucesso de seus planos. É o que observamos em empreendimentos que
crescem. Se analisarmos friamente tudo é mais difícil para o pequeno empresário
e, quando este prospera, muito se deve a qualidade das relações com as pessoas
de trabalho. Essa é a grande vantagem de empresas familiares quando possuem em
casa um clima cooperativo e de respeito. Organizações familiares podem ter seus
problemas quanto à profissionalização da gestão e das suas decisões, mas
entendem muito bem a importância do clima para a união e integração das pessoas.
O empresário deve colocar o clima como uma das suas principais pautas de
trabalho. Óbvio, como foi apresentado, não há como influenciarmos o clima
diretamente. O clima é intangível, não o vemos, só percebemos. O que se pode
fazer é praticar boas relações pessoais com todos, a todo momento. Atender bem
para que todos atendam bem, e ter consciência que pessoas podem aprender com
treinamentos e orientações, mas assimilam mesmo é com o exemplo de atitudes e
comportamentos. Então, pratique bons exemplos para cultivar um bom clima, busque
a coerência entre suas decisões e suas atitudes. Seus funcionários não são
crianças, mas filmam e registram suas ações tão bem quanto.
Marcelo Miyashita é consultor líder e palestrante da MIYASHITA CONSULTING. É
professor de marketing em cursos de MBA e pós-graduação. Atualmente leciona na
Cásper Líbero, FGV-EAESP GVpec, Trevisan, PUC-SP COGEAE, Madia Marketing School,
IMES e IBModa. Foi colunista do Comercial & Cia, na rádio BandNews FM. Em 2006
recebeu o Prêmio Marketing Best e em 2007 o título de Marketing Expert,
concedido pela Editora Referência (Jornal Prop&Mkt), pela FGV-EAESP e pela
MadiaMundoMarketing. É mestrando em Administração pela PUC-SP, pós-graduado pela
ESPM e publicitário pela Cásper Líbero. Conheça seu trabalho:
www.miyashita.com.br