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Clusters X Vantagem Competitiva

Por Daniel Portillo Serrano

27/06/2009



Para Siqueira e Telles há uma lógica no agrupamento de empresas em uma determinada região, já que existe o interesse dos clientes “que por seu turno também possuem uma lógica para a escolha e decisão do local, onde farão suas compras”
Essa seria uma forma de justificar o porquê de uma loja de determinado ramo, localizada em um Cluster acaba tendo mais visitas que outra isolada. Ao que tudo indica o consumidor que deseja, por exemplo, adquirir um notebook, preferirá se dirigir a um centro comercial ou a uma rua onde existam não apenas uma, mas diversas lojas do segmento, onde poderá comparar preços, modelos e características. Esse fato é endossado pelos autores, quando afirmam que para esses consumidores,

“trata-se de um problema de maximização de utilidade, que pode ser traduzido na seleção de um ponto (ou região ou localidade), dotado da maior oferta possível de produtos, preços, opções de pagamento, ou seja, com a maior disponibilidade de alternativas de compra, envolvendo variedade e sortimento de produtos e serviços acessíveis” (SIQUEIRA e TELLES 2008 p.177).

Zaccarelli (2000) faz menção semelhante às vantagens competitivas dos Clusters. Para o autor, torna-se clara a preferência de um consumidor a se dirigir a determinado aglomerado para comprar um produto, já que, certamente, o comprador terá mais opções de escolha. O autor afirma que a resposta de qualquer consumidor perguntado do motivo de ele se dirigir a um cluster (ainda que o consumidor não saiba o que seja exatamente um “Cluster”) é sempre a mesma: “porque aqui nós não perdemos a viagem, tem de tudo a preços baixos ou normais, nunca o preço é mais alto do que na loja do bairro” (ZACCARELLI 2000 p. 199).
O autor hierarquiza os fatores que explicam o poder de um cluster em 9 fatores, que uma vez alcançados oferecem, como conseqüência, vantagens competitivas das empresas que estão no cluster em relação às empresas de fora do mesmo.
Os fatores apontados são:
1. Concentração geográfica
2. Variedade de empresas e instituições
3. Alta especialização
4. Muitas empresas de cada tipo
5. Aproveitamento de subprodutos e reciclagem
6. Cooperação entre empresas e instituições
7. Intensa disputa
8. Defasagem tecnológica uniforme
9. Cultura adaptada

A existência de Clusters implica em tentar desvendar um paradoxo. Se por um lado o mundo caminha para a globalização, onde, a priori, não existe a importância da localização geográfica de um empreendimento, por outro lado,

“clusters ou concentrações geográficas de empresas interconectadas estão se tornando um modelo vencedor em diversas economias, principalmente nas nações mais desenvolvidas” (PORTER 2000 p.1)

Na prática, poucas pesquisas foram conclusivas quanto à determinação dos fatores de vantagem competitiva de empreendimentos localizados em Clusters comparados com os seus concorrentes instalados isoladamente. Grande parte dos trabalhos a respeito se baseia em um determinado cluster, o que, a princípio, não pode ser generalizado para a totalidade, já que cada qual apresenta particularidades de negócios, ramos, segmentos, regiões, políticas de fomento e desenvolvimento, e outros fatores que acabam distinguindo aglomerações, a princípio, semelhantes.
Para uma análise e comparação, torna-se necessário um modelo consagrado que possa ser utilizado para iniciar a pesquisa a respeito de fatores de vantagem competitiva entre empresas dentro e fora de clusters.
Um dos modelos mais aceitos pela comunidade acadêmica é o das 5 forças que Michael Porter publicou em 1980 no seu livro “Competitive Strategy: Techniques for Analyzing Industries and Competitors”.
O modelo de Porter veio resolver a dificuldade encontrada, até então de se definir as arenas competitivas em diversos setores. O modelo integrou a estratégia corporativa e a economia de um determinado segmento da indústria.
Este modelo fundamenta a análise de competitividade em agrupamentos porque “exige uma intensidade e profundidade de relacionamento de maneira geral, superior à que ocorre com os demais negócios, isoladamente” (TAVARES 2007).
Em determinados arranjos, a “intensidade concorrencial de um setor irá depender dessas cinco forças básicas (ROXO 2007)


Referências Bibliográficas

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SERRANO, D. P. A associação de empresas no Brasil em arranjos produtivos locais (Apl) como fator de obtenção de vantagem competitiva - Gestão e TI, Brasília, v. 1, n. 1, p. 71-86. 2010

SIQUEIRA, J. P. L. de; TELLES, R, - Estratégia em Clusters e redes de negócios – capítulo de livro “Estratégia Contemporânea – Internacionalização, Cenários e Redes – Akademika Editora – Guarujá – SP – 2008

SONZOGNO, V. E. – Clusters industriais: um estudo sobre o Cluster de calçados de Franca e seu real grau de internacionalização – artigo de conclusão de curso, FEA – USP. 2003

SUZIGAN, W, Aglomerações industriais: avaliação e sugestões de políticas - 2000

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TAVARES, Mauro C. – Gestão Estratégica – Editora Atlas – São Paulo – 2007.

ZACCARELLI, S. B. – Estratégia e Sucesso nas Empresas – Editora Saraiva – São Paulo – SP – 2000.

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Daniel Portillo Serrano é Palestrante, Consultor e Professor. Bacharel em Comunicação Social com ênfase em Marketing Pela Universidade Anhembi Morumbi, e pós graduado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Ibero-Americano - Unibero, Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Paulista - UNIP. É consultor de Marketing e Comportamento do Consumidor e editor dos sites Portal do Marketing e Portal da Psique . Tem atuado como principal executivo de Vendas e Marketing em diversas empresas do ramo Eletroeletrônico, Telecomunicações e Informática. É professor de Marketing, Administração, Estratégia, Comportamento do Consumidor e Planejamento em cursos universitários de graduação e pós graduação. Acesse aqui o Currículo Lattes de Daniel Portillo Serrano  . Veja um Vídeo do Daniel Portillo Serrano