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Clusters de Empresas

Por Daniel Portillo Serrano

10/01/2011



A definição de Cluster, apesar de inúmeros trabalhos a respeito, ainda não está disseminado como um padrão unânime (SUZIGAN, FURTADO, GARCIA e SAMPAIO 2003). No Brasil, por exemplo, diversas denominações têm sido utilizadas para se referir ao fenômeno. Para Suzigan (2003) a denominação do aglomerado pode variar de acordo com diversos fatores:

“história, evolução, organização institucional, contextos sociais e culturais nos quais se inserem estrutura produtiva, organização industrial, formas de governança, logística, associativismo, cooperação entre agentes, formas de aprendizado e grau de disseminação do conhecimento especializado local”

Outros autores, no entanto, têm se referido à denominação conforme o ramo de atividade das empresas que formam o aglomerado. Dessa forma, o agrupamento pode ser chamado de “Arranjo Produtivo Local” (APL) ou Sistema Produtivo Local (SPL), se as empresas formarem, por exemplo, um grupo de organizações especificamente do segmento produtivo.
Para SERRANO (2009), as denominações APL e SPL, no entanto, tem sido mais utilizadas no Brasil como um arranjo de empresas que tem apoio governamental, cujo objetivo é fomentar o desenvolvimento de um segmento ou de uma região. Para os autores,

“Enquanto órgãos oficiais governamentais, como o BNDES e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) (responsáveis pelo fomento e desenvolvimento desse tipo de arranjo) utilizam a denominação APL, algumas instituições acadêmicas têm optado por utilizar SPL. Este é o caso da Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais – Redesist - que é coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, através do Instituto de Economia”

“Cluster” tem sido a denominação mais utilizada academicamente, já que abrange não apenas agrupamentos industriais, mas diversos outros, que por algum motivo, incentivado, ou não, tenham surgido de forma planejada ou aleatoriamente em uma região.
A denominação não é nova. Segundo Meyer-Stamer (2001 p.6). Alfred Marshall já havia descrito, há mais de um Século, o fenômeno de aglomeração de empresas do mesmo ramo ou de ramo similar. Esse estudo, porém, “ficou esquecido até os anos 80, quando se divulgou o fato de que essas estruturas tinham se mostrado extremamente dinâmicas na Itália, coincidindo com observações feitas em outras partes do mundo e em diferentes disciplinas.”
Foi, no entanto, com a publicação do livro Vantagem Competitiva das Nações (The Competitive Advantage of Nations), em 1990, que Porter trouxe à tona, novamente, o conceito de Cluster. Na publicação, o autor afirma que Clusters são grupos de empresas, fornecedores, instituições ou indústrias que surgem em determinadas localizações geográficas (PORTER 1990), conceito mantido por diversos autores, até a atualidade.
Há que se ter cuidado, no entanto, para não abranger no termo qualquer tipo de rede ou associação de empresas que não se caracterize como um verdadeiro Cluster.
Para Meyer-Stamer (2001 p. 8), ultimamente os autores tem sido tentados a classificar como Clusters qualquer associação, principalmente aquelas encontradas em países em desenvolvimento. O autor alerta que “Mesmo sendo um fenômeno onipresente também em países em desenvolvimento, o cluster não é o único modelo estrutural de desenvolvimento local e, por isso, não satisfaz muitas das localizações e regiões.”
Resende também faz distinção de agrupamentos geográficos de empresas e Clusters. O autor afirma que agrupamentos de empresas do mesmo ramo em um mesmo espaço geográfico podem ser analisados por duas perspectivas diferentes. Para o autor, a literatura disponível a respeito de Clusters

“pode ser dividida em dois grandes grupos, no que se refere ao enfoque teórico: i) segundo uma abordagem, os clusters são um resultado natural das forças de mercado, e não há espaço para políticas além da correção das imperfeições de mercado. Os principais autores dessa abordagem são Krugman (1998) e Porter (1998); ii) a outra abordagem defende o apoio do governo por meio de medidas específicas de política e a cooperação entre empresas nos clusters.” (RESENDE 2003 p. 7)

Zaccarelli (2000 p. 197 a 201).separa os Clusters em dois grupos. O autor afirma que pode haver Clusters simples, formados por lojas do mesmo ramo em determinadas ruas de uma cidade, como a venda de autopeças na Rua Duque de Caxias ou de eletrônicos na Rua Santa Ifigênia, ambas em São Paulo, ou mais complexos, que o autor chama de “Cluster Completo” que incluem aglomerados industriais, de serviços ou agroindustriais.
As definições adotadas pela maioria dos diversos artigos publicados nos últimos anos, não convergem para uma definição única.
Para outros autores não há uma definição aceita pela maioria. O termo é utilizado “muito indiscriminadamente para uma ampla gama de arranjos de negócios, quando na verdade, o termo Clusters se refere a concentrações locais de determinadas atividades econômicas” (ALTENBURG e MEYER-STAMER 1999 p. 1694).
O termo cluster é associado a uma tradição anglo-americana e, “genericamente, refere-se a aglomerados territoriais de empresas, desenvolvendo atividades similares” (LASTRES e CASSIOLATO 2003 p. 10).
O conceito de Clusters também pode se referir à emergência de uma concentração geográfica e setorial de empresas, a partir da qual são geradas externalidades produtivas e tecnológicas (SONZOGNO 2003 p. 1)
Outros autores acabam separando os Clusters em diversas abordagens e perspectivas diferentes.

“Há pelo menos cinco abordagens relevantes para analisar aglomerações industriais: a da chamada Nova Geografia Econômica, cujo expoente é P. Krugman (1998); a de Economia de Empresas, na qual se destaca M. Porter (1998); a de Economia Regional, na qual há várias correntes, mas a que mais se aproxima do tema específico dos clusters é aquela liderada por A. Scott (1998); a abordagem da Economia da Inovação, para a qual contribuem muitos autores, entre os quais se destaca, pelo foco em políticas, D. B. Audrestch (1998), e finalmente a abordagem que trata de Pequenas Empresas/Distritos Industriais, com destaque para as contribuições de H. Schmitz (1997; 1999).” (SUZIGAN 2000 p. 4)


Hubert Schmitz (1995) apud LASTRES e CASSIOLATO, 2003 p.10) definiu clusters como concentrações geográficas e setoriais de empresas. Para outros o tamanho pode ser, também, considerado na definição. “O cluster é uma aglomeração de tamanho considerável de firmas em uma área espacialmente delimitada com claro perfil de especialização e na qual o comércio e a especialização interfirmas são substanciais”. (SUZIGAN et al apud RESENDE 2003 p.9).
Assim, em diversos trabalhos, cada autor tem utilizado uma perspectiva, abordagem e definição de Cluster de acordo com a sua conveniência.
Por sua maior abrangência, e para efeitos de padronização de definições para este artigo, utilizaremos o termo Cluster para denominar arranjos de empresas agrupadas geograficamente, independente do segmento de atuação, incluindo-se, então, não apenas o produtivo, mas também o de comércio e serviços.

Referências Bibliográficas

ALTENBURG, T.; MEYER-STAMER, J. – How to Promote Clusters: Policy Experiences from Latin America in World Development Vol. 27, No. 9, pp. 1693 a 1713, – Elsevier - Londres – 1999.

FERREIRA, Ademir; REIS, Ana C. F, PEREIRA, Maria I. – Gestão Empresarial: de Taylor aos nossos dias – Evolução e tendências da moderna administração de empresas – Cengage Learning – São Paulo – 2008.

GARCIA G. M, A gestão da mudança nos Arranjos Produtivos Locais – Artigo – CPL – São Paulo, 2006.

LASTRES, H.M.M; CASSIOLATO, J.E.e MACIEL, M.L. Pequena empresa: cooperação e desenvolvimento local - Relume Dumará Editora - Rio de Janeiro, 2003.

LASTRES, H.M.M; CASSIOLATO, J.E - Arranjos Produtivos Locais: Uma Nova Estratégia De Ação Para O Sebrae - Glossário de Arranjos e Sistemas Produtivos e Inovativos Locais – Sebrae e UFRJ/Redesist – Rio de Janeiro – RJ – 2003

MAY, Gabriela O. ; LEMOS, Dannyela da C. Proposta de um produto para o mercado brasileiro de telefonia celular – Artigo apresentado no Engep 1998.

MEYER-STAMER, J. - Estratégias de Desenvolvimento Local e Regional: Clusters, Política de Localização e Competitividade Sistêmica. ILDES – Friedrich Ebert Stiftung – Policy Paper – São Paulo - 28 de setembro de 2001.

PORTER, M. - Competitive Strategy: Techniques for Analyzing Industries and Competitors. The Free Press – Nova Iorque, 1980.

PORTER, M. - Location, Competition, and Economic Development: Local Clusters in a Global Economy - Economic Development Quarterly, 2000

PORTER, M. - The Competitive Advantage of Nations – The Free Press – Nova Iorque – 1990

PORTER, Michael. Vantagem Competitiva. Editora Campus. Rio de Janeiro – 1989.

RESENDE, M. F. da C.. Competitividade e potencial de crescimento do cluster de moldes para a indústria do plástico em Joinville - BH: UFMG / Cedeplar, 2003.

ROXO, F.V. O Modelo das cinco forças de Porter – Artigo publicado no Portal do Marketing em 16 de maio de 2007 – disponível em http: //www. Portaldomarketing .com.br/ Artigos/Modelo_das_Cinco_Forcas_de_Michael_Porter.htm acessado em 02 de junho de 2009.

SCHMITZ, H. Collective efficiency: growth path for small-scale industry. The Journal of Development Studies. Inglaterra, vol. 31, n° 4 – 1995 in Lastres e Cassiolato – Glossário de Arranjos e Sistemas Produtivos Inovativos Locais – RJ - 2003.

 

SERRANO, D. P. A associação de empresas no Brasil em arranjos produtivos locais (Apl) como fator de obtenção de vantagem competitiva - Gestão e TI, Brasília, v. 1, n. 1, p. 71-86. 2010

SIQUEIRA, J. P. L. de; TELLES, R, - Estratégia em Clusters e redes de negócios – capítulo de livro “Estratégia Contemporânea – Internacionalização, Cenários e Redes – Akademika Editora – Guarujá – SP – 2008

SONZOGNO, V. E. – Clusters industriais: um estudo sobre o Cluster de calçados de Franca e seu real grau de internacionalização – artigo de conclusão de curso, FEA – USP. 2003

SUZIGAN, W, Aglomerações industriais: avaliação e sugestões de políticas - 2000

SUZIGAN, W; FURTADO, J; GARCIA, R; SAMPAIO, S.E.K. - Sistemas Locais de Produção: mapeamento, tipologia e sugestões de políticas. Artigo apresentado no XXXI Encontro Nacional de Economia – Porto Seguro, 2003.

SUZIGAN, W; FURTADO, J; GARCIA, R; SAMPAIO, S.E.K. - Sistemas Produtivos Locais no Estado de São Paulo. In Tironi, L.F. (org) Industrialização Descentralizada: sistemas industriais locais. Brasília, Ipea, 2001. in Resende (2003).

TAVARES, Mauro C. – Gestão Estratégica – Editora Atlas – São Paulo – 2007.

ZACCARELLI, S. B. – Estratégia e Sucesso nas Empresas – Editora Saraiva – São Paulo – SP – 2000.

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Daniel Portillo Serrano é Palestrante, Consultor e Professor. Bacharel em Comunicação Social com ênfase em Marketing Pela Universidade Anhembi Morumbi, e pós graduado em Administração de Empresas pelo Centro Universitário Ibero-Americano - Unibero, Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Paulista - UNIP. É consultor de Marketing e Comportamento do Consumidor e editor dos sites Portal do Marketing e Portal da Psique . Tem atuado como principal executivo de Vendas e Marketing em diversas empresas do ramo Eletroeletrônico, Telecomunicações e Informática. É professor de Marketing, Administração, Estratégia, Comportamento do Consumidor e Planejamento em cursos universitários de graduação e pós graduação. Acesse aqui o Currículo Lattes de Daniel Portillo Serrano  . Veja um Vídeo do Daniel Portillo Serrano