Com que roupa eu vou?
Por Rogerio Martins
23/10/2007
Duas perguntas são freqüentes nos seminários que apresento sobre Marketing
Pessoal por todo o Brasil:
A primeira imagem é a que fica?
Qual a melhor roupa para eu usar no trabalho?
Para responder às duas perguntas vou contar uma história que nos foi relatada
por uma das participantes destes seminários.
Rita buscava um novo emprego há mais de quatro meses. Naquele momento trabalhava
no departamento de informática de uma empresa de grande porte, mas não percebia
perspectivas de crescimento profissional. Isto a desmotivava. Rita enviou
diversos currículos, porém poucas foram as ofertas realmente interessantes.
Como o costume vigente na empresa para o vestuário era de sobriedade, Rita usava
tailleurs e conjuntos clássicos, maquilagem leve (batom claro, rímel nos olhos),
saias sempre na altura dos joelhos, acessórios elegantes e discretos, e blusas
que compunham o visual com classe e credibilidade. Todos os colegas a viam como
uma pessoa competente.
Numa sexta-feira Rita recebeu uma ligação logo pela manhã. A gerente de Recursos
Humanos de uma empresa multinacional ligou para agendar uma entrevista para
aquele mesmo dia.
“Não poderia ser outro?” – perguntou Rita a si mesma.
A empresa em que trabalhava tinha instituído o “ casual day ” às sextas-feiras
havia dois meses. Como Rita trabalhava internamente sem visitar clientes
externos, também aderiu àquela prática com entusiasmo.
Neste dia, por conta do “ casual day ”, Rita estava com uma calça jeans ,
sapatos baixos ao estilo dockside e uma blusa com estampa floral. Tudo
perfeitamente adequado para o ambiente casuístico da organização naquele dia.
Rita sabia que se comparecesse vestida daquela forma logo na primeira entrevista
transmitiria uma primeira impressão de descaso, desleixo e até de incompetência.
Se fosse para casa trocar de roupa iria se atrasar. Conseqüentemente, também
prejudicaria sua imagem diante de uma empresa que a interessava muito.
“E agora, o que fazer?” – pensou novamente naquela fração de minuto.
- Podemos agendar para outro dia? – perguntou desconcertada.
- Não! - respondeu enfaticamente a gerente de Recursos Humanos - estamos
concluindo o processo seletivo e seu currículo foi muito bem indicado, por isso
estamos abrindo esta exceção para entrevistá-la hoje – continuou.
Aqui cabe uma pausa para reflexão: o que você faria no lugar de Rita? Coloque-se
na posição dela e imagine sua reação. Era uma oportunidade que poderia mudar sua
vida profissional. Não sabemos como são os valores desta empresa e do
entrevistador quanto à apresentação pessoal, ou melhor, quanto à vestimenta
adequada para aquele novo ambiente. Também não temos noção de como a gerente de
Recursos Humanos reagiria se houvesse um atraso para a entrevista.
Muitas dúvidas? Ótimo, pois não há uma resposta pronta, mas diversas formas de
abordar esta mesma situação. Vou apresentar duas. Uma que foi a escolhida pela
nossa “heroína” e outra que ilustrarei como alternativa. Cabe a você, leitor,
analisar ambas e sentir qual tem a ver com seu perfil. Se possível, pense em
outras respostas, mas sempre lembrando que uma primeira imagem bem sucedida abre
muitas portas. Uma impressão ruim logo de início é muito mais difícil de ser
revertida. Portanto, a primeira impressão pode não ser a que fica, mas marca
profundamente a ponto de favorecer ou prejudicar o alcance de seus objetivos.
Vemos isto ocorrer em nosso cotidiano com políticos, artistas, empresários,
atletas renomados e também com pessoas de nosso convívio diário. Quantas destas
pessoas tiveram suas carreiras afetadas por uma imagem negativa causada logo no
primeiro contato? Uma exposição infeliz pode acarretar sérios danos na imagem
que pretendemos construir ao longo de nossa carreira profissional.
Voltando ao nosso caso, Rita tomou a seguinte decisão: passou em um shopping
center próximo do trabalho e comprou roupas novas e adequadas à entrevista.
Chegou no horário marcado e com uma apresentação pessoal mais sóbria. Isto
reforçou sua confiança no momento da entrevista, a ponto dela comentar com a
entrevistadora sobre a situação que passou ao final do processo. Este comentário
rendeu-lhe uma boa impressão perante a gerente, pois demonstrou jogo de cintura,
capacidade para resolver situações inesperadas e criatividade. Aliados ao seu
excelente currículo, estas características fizeram com que Rita conseguisse o
emprego e sua história serve de benchmarking para todos nós.
Mas você deve estar se perguntando: muito bem, mas se não houver um shopping
center aqui por perto ou condições financeiras para arcar com esta compra? O que
pode ser feito?
É aí que apresento uma alternativa. Sabemos que agendar para outro dia é
impossível. Atrasar-se logo no primeiro contato é totalmente descartável. Uma
das possibilidades é falar com o entrevistador ainda pelo telefone e explicar a
situação. Com isto você evita chegar na entrevista de forma a causar uma
surpresa para a outra pessoa. Garante também que você conhece a importância da
apresentação pessoal e respeita os valores daquela organização. É possível
transmitir uma boa impressão já ao telefone. Para isto trate o caso com
naturalidade, demonstrando interesse, disposição e segurança. Como? Bem, isto é
assunto para outro artigo.
Para concluir, lembro a famosa frase de Vinícius de Moraes: “as feias que me
desculpem, mas beleza é fundamental”. No nosso caso faço uma importante
alteração para complementar a resposta às questões iniciais: “os despreocupados
com a aparência que me desculpem, mas apresentação pessoal é fundamental.”
Rogerio Martins é Psicólogo, Consultor de Empresas e Palestrante. Especialista em Liderança e Motivação. Sócio-Diretor da Persona Consultoria e Eventos. Autor do livro Reflexões do Mundo Corporativo. Membro do Rotary Club de SP Santana (Distrito 4.430).