Como Lucrar com a Arte de Servir e Encantar Clientes
Por Evaldo Costa
13/11/2007
Você já deixou de comprar algo por falha ou falta de atendimento? É
impressionante a freqüência com que os clientes são desprezados ou mal tratados,
não é mesmo? Recentemente, recebi uma mala-direta de um fabricante me convidando
para conhecer seu novo modelo de carro. Como achei o apelo interessante
aproveitei o horário do almoço para visitar uma de suas lojas.
“As nossas escolhas determinam o nosso caráter”
Estacionei meu automóvel próximo à entrada do salão de vendas. Caminhei até o
showroom e ao avistar o carro fui em direção a ele. Tentei olhar o seu interior,
mas logo percebi que as portas estavam travadas, daí dei uma volta completa ao
redor do veículo e fiquei por alguns instantes o observando pela diagonal
dianteira (sem dúvidas um lindíssimo automóvel). Como ninguém veio me atender,
caminhei até o vendedor que se encontrava em uma mesa nos fundos do salão.
Cumprimentei-o e mostrei a mala-direta que havia recebido. Antes que eu lhe
dissesse alguma palavra, ele - sem se levantar – apanhou o papel da minha mão e
disse: “Fique tranqüilo. Vou depositar na urna e o senhor já está concorrendo”.
Poxa vida! Eu não gosto de jogos de azar, sorteios ou coisa do gênero. Nem tão
pouco fui lá para ganhar nada. Eu queria mesmo conhecer aquele belíssimo
automóvel e o vendedor me expulsou da loja sem me dar qualquer chance. Saí de
lá, liguei o motor do meu carro e pensei por uns instantes: quantos milhões a
empresa deve ter gastado em propaganda? Talvez, considerando a qualidade do
material, uma pequena fortuna. Como poderão atingir as metas se o vendedor não
está preparado para fazer o seu papel?
Esse foi um exemplo, entre tantos outros, em que o vendedor agiu como um agente
de polícia, ou seja: como eu fui à loja eu teria de provar que realmente queria
comprar o carro, caso contrário eu seria visto como elemento suspeito e, ainda
por cima, tachado de “elemento CAROSO” (é a maneira como eles chamam os clientes
que dão muito trabalho) ou “elemento IBOPE” (é o apelido que eles dão aos
clientes que estão pesquisando). Provavelmente, aquele vendedor passou boa parte
do dia contando aos seus colegas que a campanha da fábrica não dá retorno. Que
só serve para jogar dinheiro no lixo.
Já ocorreu com você algo do gênero? Como foi que você se sentiu? Deve ter sido
terrível não, é mesmo? Mas nem tudo está perdido, há ocasiões em que somos tão
bem tratados que até nos esforçamos para ajudar a quem nos atendeu: indicando,
por exemplo, os nossos amigos. Recentemente, recebi um cliente que veio da China
formalizar um acordo comercial conosco. Fomos almoçar em um restaurante com boa
reputação. A comida estava ótima. Como de praxe, antes que eu pedisse a conta, o
garçom nos ofereceu doces e frutas de sobremesa. Eu perguntei se havia algo novo
e ele nos sugeriu banana flambada com marshmallow.
“Plante uma árvore e seu filho terá sombra”
Eu lhe indaguei: Poxa! Mas logo banana? Achei que você fosse nos sugerir algo
especial. E ele de pronto enfatizou: “Pode pedir que vocês vão adorar! Eu
garanto, concluiu.” Aceitamos a sugestão. Em seguida veio um outro garçom
(trajado com uniforme que chamava atenção de tão bem cuidado) empurrando um
carinho. Próximo a nossa mesa, ele apanhou uma imponente bandeja, talheres de
prata, acendeu um fogareiro e começou a preparar a nossa sobremesa. O ritual foi
tão bem executado que parte do restaurante, inclusive nós, é claro, paramos para
observar a habilidade e o ritual de preparação.
Depois de alguns minutos e após ele ter adicionado meia dúzia de ingredientes,
ele nos serviu a sobremesa. A banana estava com um sabor indescritível: uma
delícia. Claro que ao final agradeci e parabenizei pela sugestão, atendimento e
qualidade das refeições e, naturalmente, deixei uma boa gorjeta. Enquanto
aguardava o processo de pagamento observei que a tal sobremesa nos custou
R$26,00. É isso mesmo, vinte e seis reais por duas bananas. E estávamos felizes.
Vamos ser francos: quantos quilos de bananas podem ser comprados com R$26,00?
Você pagaria esse valor por duas bananas? Claro que qualquer pessoa vai achar um
absurdo pagar algo assim por apenas duas bananas, não é mesmo? Mas nós ficamos
muito satisfeitos. Na verdade, o garçom não nos vendeu bananas de sobremesa, ele
agregou tanto produtos (tempero, ingredientes etc) e serviços (habilidade,
objetos de manuseio, pratos e talheres etc) que o que saboreamos foi algo muito
deferente e especial.
“o sucesso não é uma chance é uma escolha”
Você lembra do vendedor da loja de carros que sequer se levantou para me
atender? Sim, aquele que achou que eu fui à sua loja concorrer a um sorteio e me
expulsou de lá. Lembrou agora? Aquele carro custava mais que 100 mil reais.
Quantas vezes esse valor é superior a banana que nos foi servida? Milhares, não
é verdade? Pois bem, aí está uma prova de que a diferença não está no produto e
sim nos serviços.
Para Jack Welch, os produtos representam 15% e os serviços 85% na composição do
sucesso dos negócios na atualidade. Certo ou errado, uma coisa podemos ter em
mente: alcançar o triunfo exige alinhamento da qualidade de ambos. Se não
tivermos pessoas bem preparadas de nada adiantará ter produtos exuberantes.
Precisamos abandonar os antigos paradigmas e nos conscientizarmos de uma vez por
todas que a venda é conseqüência de alguns atributos dentre os quais se situam a
excelência do atendimento, a transparência da negociação, a qualidade dos
produtos e serviços e a âncora da credibilidade, onde o respeito ao legal e
ético fazem uma enorme diferença. Lembre-se: “o sucesso não é uma chance, é uma
escolha”.
Pense nisso, muito sucesso e até breve.
Evaldo Costa é Escritor, Consultor, Conferencista e Professor. Autor dos livros:
“Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três
Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”