O Conceito da Estratégia Empresarial
Por Fred Tavares
22/08/2007
"As batalhas são ganhas ou perdidas
por generais, não oficiais ou soldados."
Ferdinand Foch
Estratégia é uma palavra que deriva do grego strategos, que significa general no
comando das tropas. O seu uso já era comum há cerca de 500 anos a.C. Com o
tempo, o significado de strategos foi evoluindo e passou a incluir habilidades
gerenciais, além das puramente militares.
O termo estratégia, com a sua origem no militarismo, tornou-se muito comum nas
diversas áreas do mercado. No período que antecedeu Napoleão Bonaparte,
estratégia significava arte ou ciência de conduzir forças militares para
derrotar o inimigo ou abrandar os resultados da derrota.
De acordo com Clavell, Sun Tzu* foi um dos inspiradores da visão estratégica
adotada por Bonaparte.
Em 1782, A Arte da Guerra foi traduzida pela primeira vez para o francês. Há uma
lenda - que diz ter sido esse livrinho a chave do sucesso e arma secreta de
Napoleão. Certamente Napoleão usou os conhecimentos de Sun Tzu para conquistar a
maior parte da europa. foi apenas quando deixou de segui-los que foi derrotado.
A essência do pensamento de Sun Tzu sobre estratégia pressupõe o conhecimento da
pesquisa de mercado, a análise dos pontos fortes e fracos e das ameaças a serem
enfrentadas. Transportando a sua reflexão para a "guerra empresarial", nos dias
de hoje, podemos verificar que uma empresa que define a sua estratégia no
autoconhecimento e na investigação permanente do ambiente competitivo é capaz de
escolher uma estratégia em
condições de superar os oponentes, através de um posicionamento diferenciado,
que consiste em se aproveitar da própria força que pode anular ou derrotar o
concorrente, desde que a visão contemple um olhar de fora para dentro. "Se
conhecemos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado. Se nos
conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofremos uma derrota. Se não
nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas."
A estratégia como uma orientação coerente de marketing ressalta a intimidade com
a estratégia empresarial, bem como a sua escolha, a partir de uma visão
bottom-up.
Retomando o curso da história, foi só no final do século XVIII que o termo
estratégia teve seu significado ampliado à política e à economia. Sua utilização
na área empresarial deu-se a partir da Revolução Industrial.
Na área de gestão empresarial, a palavra foi adotada em 1947 por Von Newmann e
Morgenstein, em um livro sobre teoria dos jogos.
O assunto e a palavra são, de certo, vastos e polêmicos, com uma polissemia que
atravessa a história. Existem múltiplas definições sobre estratégia que foram
incorporadas ao seu repertório semântico ao longo do tempo. Alguns exemplos
ajudam a esclarecer a evolução do conceito e suas interpretações: para Von
Newmann e Morgenstein, estratégia é uma série de ações tomadas por uma empresa e
definidas de acordo com uma situação particular. Segundo Drucker, é a análise da
situação presente e a sua mudança, se necessário. Já Ansoff descreve-a como a
regra para tomar decisões determinadas pelo escopo produto/mercado, vetor de
crescimento, vantagem competitiva e sinergia. Na visão de Ackoff, a estratégia
está preocupada com os objetivos de longo prazo e os meios para alcançá-los, e
que afetam o sistema como um todo.
Michael Porter, o principal artífice do estudo sobre estratégia, e que é a base
da articulação de pensamento deste ensaio, é axiomático em suas posições.
Considerado o mais influente especialista em estratégia empresarial da
atualidade, Porter deflagrou uma revolução intelectual na gestão das empresas.
Conceitos como estratégia competitiva e vantagem competitiva vêm dominando o
mundo dos negócios.
A tese de Porter é que a noção que fundamenta o conceito de estratégias
genéricas (custo, diferenciação e enfoque) é que a vantagem competitiva está no
âmago de qualquer estratégia, e para obtê-la é preciso que uma empresa - faça
uma escolha (trade off) - se uma empresa deseja obter uma vantagem competitiva,
ela deve fazer uma escolha sobre o tipo de vantagem competitiva que busca obter
e sobre o escopo dentro do qual irá alcançá-la. Ser "tudo para todos" é uma
receita para a mediocridade estratégica e para um desempenho abaixo da média,
pois normalmente significa que uma empresa não tem absolutamente qualquer
vantagem competitiva.
Estratégia é criar uma posição exclusiva e valiosa, envolvendo um diferente
conjunto de atividades. Se houvesse apenas uma única posição ideal, não haveria
necessidade de estratégia. As empresas enfrentariam um imperativo simples -
ganhar a corrida para descobrir e se apropriar da posição única.
Ser diferente, ocupar uma posição não explorada e assumir uma personalidade de
valor único são os ingredientes de um posicionamento estratégico defendidos por
Porter:
Afinal, a essência do posicionamento estratégico consiste em escolher atividades
diferentes daquelas dos rivais. Se os mesmos conjuntos de atividades fossem os
melhores para produzir todas as variedades de produtos, para satisfazer a todas
as necessidades e para ter acesso a totalidade dos clientes, as empresas
simplesmente se alternariam entre elas e a eficácia operacional determinaria o
desempenho.
Em estratégia, o tudo é nada. O menos é mais. Ser diferente, focalizar uma
escolha e demarcar uma posição única no mercado fazem parte da excelência
estratégica empresarial.
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* Sun Tzu foi um general na antiga China, há mais de 2.500 anos atrás. O livro A
arte da Guerra foi escrito por ele e serviu de base para os círculos militares
na Rússia e na China. Foi primeiramente traduzido para o francês, em 1872, e,
posteriormente, para o inglês em 1905.