A dinâmica atual dos negócios consegue reunir
quatro gerações distintas no mesmo ambiente de trabalho: a Geração
Tradicional, dos nascidos até a década de 1950; a dos chamados Baby Boomers,
dos nascidos entre 1951 e 1964; a Geração X, dos nascidos entre os anos de
1965 e 1983; e a “famigerada” Geração Y, muito bem representada pelos meus
filhos, nascidos a partir de 1984.
De acordo com pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência e divulgada na
Revista HSM Eletrônica no. 57, os filhos da Geração Tradicional eram
dedicados, cultuavam uma perspectiva essencialmente prática e mantinham
profundo respeito diante da autoridade. A liderança se dava por hierarquia e
dentro dela reinava um imenso espírito de sacrifício. Pense nos seus pais,
avós e bisavós, recém-libertados de um período de guerra, autoritarismo e
escravidão, muitos deles imigrantes, expulsos de sua terra natal. Boa parte
deles é fruto da Grande Depressão de 1929 que destruiu fortunas imensas no
mundo inteiro e agravou ainda mais a situação do Terceiro Mundo.
A Geração Baby Boomers é a geração nascida no pós-guerra (Segunda Guerra
Mundial), a qual, salvo raras exceções, mantinha uma perspectiva otimista e
uma profunda ética profissional, porém a postura diante da autoridade era
uma relação de amor e ódio. A liderança se dava por consenso e apresentava
um grande espírito de automotivação, apesar das incertezas. Esse conceito
não é tão amplo para nós quanto é para os americanos, japoneses, ingleses e
alemães, entre outros, que viveram o período difícil, antes e depois da
Segunda Guerra.
A Geração X, apesar de possuir uma ética profissional equilibrada, é a que
mantém uma perspectiva cética e uma postura desinteressada diante da
autoridade. Para os profissionais da Geração X, a liderança é fruto da
competência e, segundo a pesquisa, pesa sobre eles um espírito de
anticompromisso diante da realidade. Atualmente, a Geração X ainda domina a
hierarquia na maioria das organizações. Trata-se de uma geração que também é
fruto do Mito da Tecnologia e da Modernidade, a qual, diferente das gerações
anteriores, teve acesso a novos mercados, a novas línguas e a tecnologia
após a década de 1980.
Por fim, abrimos espaço para a “famigerada” Geração Y, representada pelos
nossos netos, filhos, sobrinhos e filhos dos nossos amigos. Costumo me
referir a eles como a geração “prepotência” ou “autossuficiente” com uma boa
dose de carinho para evitar conflitos. Não pode ser diferente, afinal,
quando você menos espera eles se transformam em chefes ou líderes de equipes
e contestam tudo o que existe e o que você diz. A única maneira de
segurá-los, até certo ponto, é pelo bolso, pois sem dinheiro eles voltam a
ser simples mortais.
Apesar de tudo, a Geração Y mantém uma perspectiva esperançosa, é decidida,
esbalda-se em cortesia diante da autoridade. Aqui, a liderança assume um
espírito de coletivismo e, de certa forma, de inclusão. É a geração que
domina o mouse, o blog e o i-Phone com extrema facilidade fazendo uso das
múltiplas inteligências para o fortalecimento de suas próprias redes
sociais.
Com essas quatro gerações convivendo no mesmo espaço, a nossa forma de ver o
mundo deve se ajustar radicalmente. Coisas do tipo “no meu tempo era assim”,
“você não sabe o que é sofrimento” ou ainda “ah, se fosse no meu tempo” não
faz a menor diferença. No mundo de hoje, experiência é apenas uma etapa que
já foi cumprida e não mais um diferencial no mercado de trabalho, ávido por
cabeças pensantes recém-formadas e por uma carga de energia que nem sempre
os mais experientes estão dispostos a fornecer.
De fato, o meu tempo, o seu tempo, o nosso tempo não existe mais. O que
existe é um novo tempo onde as empresas e as pessoas estão muito mais
preocupadas com os resultados imediatos do que com o futuro da humanidade e
com os conflitos de gerações. Aliás, se o conflito for bom para o
crescimento da organização, acaba sendo até estimulado, afinal, um pouco de
pressão não faz mal a ninguém; ao contrário, acirra os ânimos e amplia a
competição.
A convivência pacífica entre quatro gerações distintas requer um novo olhar
sobre a organização e uma nova forma de liderança. Substituir profissionais
apenas pela necessidade de oxigenação é um pensamento simplista demais, além
de desumano. Em qualquer empresa existe espaço para todas as gerações embora
a maioria delas continue optando pela impetuosidade dos mais novos em nome
do imediatismo.
Todas as gerações que ainda constituem a população economicamente ativa do
planeta têm muito que contribuir. A questão é saber como lidar com todas
elas considerando tamanha diversidade. Aqui vão algumas dicas para começar a
entender o que ocorre no momento atual e para saber lidar um pouco com tudo
isso. O restante fica por conta da habilidade de cada um, independentemente
da geração em que você se enquadre. Pense nisso e seja feliz!
1. Mesclar energia e experiência, sabedoria e impetuosidade, sensatez e
tecnologia é uma tarefa digna de líderes maduros que compreendem
profundamente as vantagens e os benefícios da diversidade; tenha bem claro
em mente o que cada geração pode produzir; se você tenta igualar o
conhecimento e o resultado, a frustração é óbvia;
2. Entender as diferenças básicas entre as quatro gerações é a chave para o
acordo de paz entre elas, caso contrário, a convivência e o entendimento se
torna impossível;
3. Compreender e aceitar as diferenças de cada geração não significa abrir
mão de suas convicções, princípios e valores; ouvir um ponto de vista
diferente não significa que você deve concordar com ele; ter um membro de
cada geração na equipe não significa que você não é um bom líder, ao
contrário, significa maturidade para lidar com idéias e comportamentos
diferentes;
4. Quanto mais antiga a sua geração, maior a sabedoria, portanto, não
discuta nem insista, apenas coloque o seu ponto de vista; sabedoria é
diferente de inteligência; se você não tem poder de decisão, não perca seu
tempo nem sua energia, continue remando ou apenas mude de rio.
Artigos Relacionados:
Geração X
Geração
X, Geração Y, Geração Z...
Geração Y