Consultoria: Sonho ou Pesadelo? (II)
Por Carlos Alberto de Faria
25/06/2007
"O futuro não existe,
portanto cabem nele todas as possibilidades."
Autor desconhecido
RESUMO:
"8 Dicas Práticas para os consultores entrarem no sonho e
esquecerem o pesadelo."
Hoje apresentaremos dicas práticas para o exercício da profissão de consultor,
não mais voltados ao próprio consultor, mas ao mercado e à percepção desse
mercado sobre serviços de consultoria.
Há algumas profissões que têm um verdadeiro estigma, pelo preconceito que
permeia a sociedade, pelas piadas a respeito. Entre elas estão as de vendedores,
advogados e... consultores.
É bastante comum as piadas sobre consultores. Uma rápida é aquela que diz que o
consultor, contratado para dizer as horas exatas, pede o relógio emprestado de
quem o contrata para informar as horas pedidas.
Como a solução dos problemas de cada empresa está sempre dentro da própria
empresa, esta piada tem certo fundo de verdade. É como o escultor que diz que a
sua obra estava pronta no bloco original de pedra, ele somente tirou os
excessos...
Há algumas dicas práticas, válidas e importantes para todos e quaisquer
consultores, no seu trato com os clientes, e com o mercado em geral:
1. BOM A PRINCÍPIO
Os clientes tendem a, inicialmente, aceitar os honorários de uma consultoria e,
ao final, tendem a acreditar que pagaram muito pelos serviços. Principalmente se
a mudança acordada for conduzida rapidamente, sem traumas e conflitos,
transformando em "coisa fácil" o que na realidade pode ser competência. É o tal
do ovo de Colombo.
2. PREÇO ALTO TAMBÉM É VALOR
Em situações de alto risco os clientes preferem pagar altos honorários. O nome e
o renome do consultor também afetam a percepção de valor recebido e a
concordância com o valor dos honorários.
3. MENOS É MAIS
Propostas de mudanças radicais devem ser evitadas, pois podem demonstrar que o
"pessoal interno" é fraco, e não enxerga o que deve ser feito.
O consultor precisa do apoio do "pessoal interno" para executar a mudança
acordada - já que consultor não faz, mas aconselha, apóia, orienta e dirige as
mudanças - ele precisa de todos com auto-estima elevada.
O consultor diz e faz todos acreditarem que o sucesso é não só factível como é
devido ao pessoal interno, tanto no alcance dos resultados intermediários da
consultoria, bem como o resultado final.
O consultor fatia o elefante, um passo de cada vez, pelo próprio bem dos seus
clientes.
Minimize também os efeitos da sua intervenção e dê créditos ao pessoal interno.
4. DIFERENCIAL DIFÍCIL
O mercado, com a diminuição dos empregos de carteira assinada, provocou um
aumento no número de consultores, com reflexos na expansão da oferta - com a
conseqüente guerra de preços - e diminuição da credibilidade dos consultores,
pois nem sempre a necessidade da implantação de um serviço de consultoria é
acompanhada da correspondente, esperada e desejada preparação.
5. PROMESSAS MAIORES DO QUE RESULTADOS
Esta condição do mercado atual e real da oferta de consultoria faz com que
diminua a confiança e a segurança da contratação por parte dos clientes, pois as
promessas são grandes e os resultados, geralmente, menores.
6. FALTA DE HISTÓRIA
A própria volatilidade das empresas de consultoria, que se multiplicam para
atender a necessidades imediatas de subsistência do empreendedor - consultor, e
terminam quando este consegue um "emprego de carteira assinada", faz com que o
mercado tenha receios deste tipo de serviço.
7. ACORDO ANTERIOR AO RECEBIMENTO
Todos e quaisquer serviços de consultoria precisam levar em conta dois aspectos
fundamentais e interligados:
- a obrigatoriedade de prever, antecipadamente, o lucro que o cliente vai obter
com a intervenção proposta, e garantir este lucro pela sua atuação;
- a necessidade de prever, não divulgar e entregar, obrigatoriamente, mais
resultados desejados do que aqueles acordados. Isto se chama exceder às
expectativas.
8. O CLIENTE ESTÁ SEMPRE CERTO
O cliente nunca está errado.
Se você encontrar dificuldades com as pessoas é responsabilidade da sua
profissão de consultor encontrar caminhos que levem essas pessoas à mudança
acordada.
Falar, ou insinuar, que o cliente, e seus empregados, não estão preparados para
efetuar a mudança, é um atestado de incompetência do consultor.
Carlos Alberto de Faria é sócio diretor da Merkatus - Fonte: Merkatus