O grande questionamento
atual, como não poderia
deixar de ser, está ao redor
do impacto que o rompimento
da “bolha americana”
ocasionará à economia
brasileira.
Da mesma forma que grandes
acidentes aéreos não
acontecem por uma única
causa, mas sim pela sucessão
de erros em cascata, existem
várias “micro crises” dentro
da crise, e os seus efeitos
se somam!
Do ponto de vista meramente
econômico, o que acontece de
imediato é uma diminuição de
crédito, mesmo com a redução
da taxa de juros. Como
vivemos em um ambiente
consumista viabilizado pelo
crédito, que permite às
pessoas gastarem mais do que
ganham e financiar padrões
de vida imediatamente
incompatíveis com seus
rendimentos, fica fácil
perceber que se o crédito
diminui, as pessoas
consumirão menos, por um
tempo.
Acontece que a redução de
crédito não afeta apenas as
pessoas físicas, mas também
as empresas, que de imediato
adiam a tomada de
financiamento para
investimentos em função da
desaceleração da economia.
A crise de expectativas e
incertezas leva os agentes
econômicos a pisarem no
freio dos investimentos e,
ao mesmo tempo, no
acelerador da especulação.
Apostar na especulação pode
parecer mais oportuno que
assumir o risco de apostar
na produção frente a um
mercado que respira “ares
recessivos”.
Menos produção se traduz em
menos empregos diretos e
indiretos e isto realimenta
o “efeito freio” sobre a
economia, empurrando o nível
de negócios para baixo. De
maneira bem simples e
coloquial, sem economês, é
isto que acontece, com um
agravante...
O agravante é que o mercado
vive de expectativas, e
expectativas em um mundo de
incertezas significa: medo.
Com medo, todos
consumidores, produtores,
investidores, pisam no freio
com muito mais força do que
deveriam, agravando o
“efeito freio” que, elevado
a níveis mais profundos
implica recessão: a economia
começa a andar para trás.
Muitas das demissões que
estamos presenciando agora
em Janeiro de 2009 e muitas
das anunciadas para
fevereiro de 2009 refletem
muito mais a crise de
expectativas que a crise
real.
Se as expectativas fossem de
expansão, mesmo com carros
no pátio, as montadoras
continuariam produzindo e
mantendo os níveis de
emprego e investimento.
Em economia de mercado, as
crises de expectativas são
sempre muito mais poderosas
que as crises técnicas. O
medo da crise é maior que a
própria crise e termina por
criá-la e muitas vezes por
ampliá-la.
Como sempre acontece, alguns
setores são mais afetados
que outros. A carga
tributária e o câmbio,
explicam em parte, estas
diferenças, e há até mesmo
os que lucram com a crise,
um pequeno grupo,
normalmente...
O fato é que o verdadeiro
tamanho da crise dependerá
do conjunto das atitudes de
todos os agentes econômicos,
tanto no setor público
quanto no privado.
A primeira coisa a fazer é
buscar informações
relevantes e escapar dos
efeitos nocivos da má
interpretação e precipitação
de alguns meios de
comunicação. Há muito ruído
e sensacionalismo – crise é
um fato polêmico e dá muito
ibope. Basta lembrar que a
redução da taxa de juros não
implica, necessariamente, a
manutenção do volume de
emprego, como foi
prenunciado em muitos
artigos e comentários
equivocados na mídia.
A segunda coisa a fazer é
buscar reconhecer (ou seja,
conhecer de novo) o nosso
negócio dentro dos possíveis
cenários que a realidade
econômica pode oferecer.
Estes cenários são três:
1) Crise com curva em “L”:
Este cenário representa uma
queda abrupta e fortíssima
dos níveis de atividade
econômica que se mantém por
um tempo bastante longo, daí
a imagem do “L”.
2) Crise com curva em “V”:
Este cenário representa uma
queda rápida e fortíssima
dos níveis de atividade
econômica, seguido de uma
recuperação igualmente
rápida (reversão das
expectativas ruins e
saneamento rápido do crédito
internacional).
3) Crise com curva em “U”:
Este cenário representa uma
queda gradual, seguida de
recuperação igualmente
gradual dos níveis de
atividade econômica.
Em função das condições
técnicas da economia
brasileira na atualidade,
excetuando-se alguma manobra
catastrófica da equipe de
gestão, o formato em “U”
parece ser o mais provável.
Ou seja, inevitavelmente
experimentaremos uma
desaceleração da economia
com perspectivas bastante
saudáveis de uma recuperação
mais rápida. A resposta
positiva às promoções de
venda de carros novos
sinaliza que a percepção da
crise não atingiu plenamente
a massa dos consumidores e
que as pessoas estão
respondendo a estímulos de
compra. Os consumidores
estão considerando que o
estado atual é passageiro e
que deixar de comprar seria
perder uma excelente
oportunidade. Os números
relativos à venda de carros
novos em Janeiro de 2009
confirmam este comportamento
ainda otimista do mercado,
frente a incentivos
nitidamente convidativos,
como a redução temporária do
IPI e interessantes taxas de
financiamento. Se em algum
momento o mercado começar a
responder menos ou deixar de
responder a estes estímulos,
então precisaremos dedicar
máxima atenção a um
acentuado caráter recessivo
da economia.
Seja qual for o cenário que
se apresente, cabe a cada um
de nós como agentes
econômicos, tanto no aspecto
particular, quanto no
aspecto “business”,
estabelecer um planejamento
estratégico para cada um dos
cenários, levando em conta
que:
a) A crise não é a mesma
para todos. Quem está mais
bem estruturado e maneja
melhor a gestão e a
capacidade de adaptação e
inovação, sofrerá menos.
b) Para muitos, a “crise”
será uma grande
oportunidade, porque em
momentos como estes há uma
seleção natural no mercado e
só permanecem os “players”
que estão mais bem
preparados.
c) O aspecto mais perigoso
da crise é a percepção
negativa, as expectativas
desfavoráveis e o medo,
portanto, esta é a hora de
“levantar a moral da tropa”
e cativar as pessoas para
utilizarem toda a sua
determinação, garra e
capacidade de fazer
acontecer.
d) O fato de que possa não
haver crescimento para
alguns setores em alguns
momentos não implica,
necessariamente, que precisa
haver prejuízo. É possível
não perder, perder menos que
a concorrência e, até mesmo
crescer e lucrar mais que a
concorrência.
e) O melhor remédio é
antecipar-se aos cenários e
TRABALHAR FORTE PELA
VITÓRIA. Esta é a hora de
colocar toda a sua
capacidade empreendedora e
todo o talento da sua equipe
para GERAR RESULTADO!
f) Não se deixe abater pelos
obstáculos e limites
momentâneos, você não está
no mercado apenas por um dia
ou por um mês.
g) Seja proativo e não
reativo. Não espere que as
coisas aconteçam para então
pensar em como agir. Assuma
a responsabilidade de agir
prontamente, antecipando-se
ao que poderá vir a
acontecer.
Vale lembrar que em chinês a
palavra crise é formada pela
união dos ideogramas que
representam “risco” e
“oportunidade”, dois
aspectos que sempre fizeram
parte da cartilha dos
profissionais que, de
maneira pró-ativa, assumem
os riscos, aproveitam as
oportunidades e fazem as
coisas acontecerem.
A mais preocupante de todas
as crises é a falta de
competência, esta não
podemos permitir. Estabeleça
seu plano de vitória e deixe
a crise para a concorrência.
* título de uma das novas
palestras de Carlos
Hilsdorf, criada
especialmente para este
momento turbulento da
economia mundial. A palestra
aborda tendências, cenários
e atitudes para que as
organizações e profissionais
estejam preparados para
enfrentar os desafios da
economia.
Carlos Hilsdorf
Considerado pelo mercado
empresarial um dos melhores
palestrantes do Brasil.
Economista, Pós-Graduado em
Marketing pela FGV,
consultor e pesquisador do
comportamento humano.
Palestrante do Congresso
Mundial de Administração
(Alemanha) e do Fórum
Internacional de
Administração (México).
Autor do best seller
Atitudes Vencedoras,
apontado como uma das 5
melhores obras do gênero.
Presença constante nos
principais Congressos e
Fóruns de Administração, RH,
Liderança, Marketing e
Vendas do país e da América
Latina. Referência nacional
em desenvolvimento humano.
www.carloshilsdorf.com.br

