Discutir ou ser Feliz?
Por Jerônimo Mendes
13/04/2009
A melhor maneira de evitar uma discussão é evitá-la, segundo Dale Carnegie,
autor do best seller Como fazer amigos e influenciar pessoas, portanto, há muito
tempo, embora possa soar submissão ou passividade de minha parte, tenho adotado
essa técnica com eficiência, o que me fez alcançar resultados com mais eficácia
nas áreas onde o conflito era iminente.
Apesar de parecer simples assim, é difícil manter a calma enquanto, no fundo da
sua alma, você deseja mesmo levantar a voz de igual para igual ou ainda pegar o
oponente pelo pescoço quando a discussão se faz um pouco mais acalorada do que
normal.
O fato é que os conflitos ou discussões fazem parte do nosso dia-a-dia, sejam
eles de natureza intrapessoal ou não, portanto, independentemente da condição,
enfrentá-los com maestria requer boa dose de experiência, autocontrole e a
determinação para ser feliz em vez de alimentar a raiva ou tentar descontá-la
por meio de gritos ou violência física.
Desde os tempos mais remotos, nossa vida pessoal e profissional é uma fonte
profícua de conflitos e problemas de toda ordem, motivo pelo qual nunca estamos
livres de ter que demonstrar o equilíbrio (ou talvez o desequilíbrio) e o
autocontrole quando menos esperamos.
Na verdade, sempre fomos moldados a ferro e marteladas, como dizia Emerson, o
grande pensador norte-americano, caso contrário, estaríamos ainda andando de
quatro, comendo tudo com as mãos e resolvendo problemas na base da clava, da
espada ou do revólver, como fizeram muitos dos nossos ancestrais.
Existem muitas formas de resolver uma discussão e apesar de estarmos no Século
20, alguns ainda preferem resolvê-los da forma menos recomendável, por assim
dizer, o que produz conseqüências desastrosas em todos os sentidos. O fato é que
precisamos ser muito maduros e conscientes de nossas responsabilidades para
decidir uma questão difícil com base apenas na razão.
De acordo com Emiliano Gomez, autor de Liderança Ética, para preservar a nossa
auto-estima e ganhar uma discussão com classe, primeiramente devemos localizar
com exatidão a sua fonte. Ela pode estar baseada na sua experiência, na leitura
de livros proveitosos, no seu jeito simples de viver, no desprendimento das
coisas mundanas que não agregam valor algum ao seu desenvolvimento.
Não existe outra fórmula para ser feliz. O importante é ter a consciência do
dever cumprido e ter em mente que não é preciso abrir a boca efetivamente para
levar a melhor. O fato de alguém elevar a voz e utilizar de violência para
decidir qualquer questão não significa que a disputa foi vencida. Ao contrário,
na maioria das vezes significa que ela fez valer uma condição temporária e isso
não pode ser avaliado em curto prazo, portanto, somente o tempo dirá
efetivamente quem é o dono da razão.
Lembre-se de quantas vezes você discutiu inutilmente com seus filhos, sua
esposa, seus amigos ou seu chefe apenas para fazer valer uma posição diante dos
seus colegas ou da sua própria consciência. Eu mesmo já fiz isso inúmeras vezes
e, sinceramente, nada disso me levou a lugar algum. Hoje tenho consciência de
quantas discussões foram inúteis.
Assim sendo, segundo Gomez, algumas atitudes nos tornarão superiores a qualquer
outro ser humano em condições de igualdade, desde que tenhamos plena convicção
das nossas limitações e ao mesmo tempo sejamos conscientes em relação ao nosso
potencial, o que nos livrará de qualquer discussão infrutífera. Vejamos:
1. Nenhum de nós é inferior aos demais, temos diferenças, mas há algo que iguala
todos nós: esse denominador comum é a nossa condição humana.
2. Todos nós somos valiosos porque temos uma vontade, uma inteligência e duas
mãos para fazer qualquer tarefa.
3. Nós somos superiores aos nossos problemas e não podemos permitir que eles nos
derrotem, mesmo que o golpe seja forte e nos derrube.
4. Na medida em que aprendemos a nos avaliar corretamente diante de nós mesmos e
diante dos demais, também os demais melhorarão a imagem que fazem de nós.
Por fim, lembre-se: “vossa alma é, muitas vezes, um campo de batalha, no qual
vossa razão e vosso julgamento entram em guerra contra vossa paixão e vosso
desejo”, segundo Khalil Gibran, o grande escritor libanês. Portanto, cada vez
que a vossa paixão e o vosso desejo estiverem acima de todas as coisas,
significa que a emoção tomou conta da sua consciência.
Quando isso ocorrer, dificilmente você ganhará qualquer discussão e, por sua
vez, a felicidade ficará cada vez mais distante. É por essas e outras razões que
os monges, os sábios e os pensadores em geral são aparentemente mais felizes do
que qualquer ser humano. Pense nisso e seja feliz!
Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE