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Empreendedorismo

Por Marcelo Bandeira Leite Santos

14/07/2009

 

 

Resumo: Este artigo terá por finalidade fazer um brevíssimo estudo dos aspectos essenciais do empreendedorismo.
Palavras-chave: empreendedorismo, inovação, comportamento.

Introdução
A busca pela inovação ocorre nas novas empresas e nas já consolidadas, visto que estas últimas também buscam novas oportunidades e novos negócios.
Um conceito singelo pode evolucionar partindo-se do apoio de outros entendimentos, como ocorre com indivíduos de setores distintos, criando deste modo um produto novo, um empreendimento novo ou um serviço novo que seja de fato essencial para o mercado.
Neste contexto, o objetivo deste artigo será estudar os aspectos essenciais do empreendedorismo.

Conceitos sobre empreendedorismo
Filion (2000) atribui a Richard Cantillon, no século seguinte o primeiro uso do termo entrepreneur dentro do contexto empresarial. O autor também afirma que, embora outros economistas tentem teorizar em torno do fenômeno do empreendedorismo, devido à dificuldade de mensuração, não existe ainda nenhuma teoria econômica sobre o empreendedor que tenha consenso. (FILION, 2000).
O próprio autor (FILION, 2000) escolheu o modo de pensar do empreendedor como um dos tópicos de concentração de sua pesquisa e desenvolveu modelos muito úteis para o estudo dos principais temas relacionados ao empreendedorismo.

Características do perfil empreendedor
Filion (2000) comenta que a tentativa de se definir um perfil para o empreendedor, ou seja, identificar suas características comportamentais tem sido o foco de inúmeras pesquisas, mas que este é um objetivo difícil e complexo, pois existem muitas diferenças de amostras e estas impactam diretamente nos resultados.
Até os anos 1990, enquanto houve um predomínio de pesquisadores behavioristas na área do empreendedorismo, diversas pesquisas foram elaboradas com o objetivo de conhecer o empreendedor: descobrir suas reações, necessidades, valores e perspectivas:
Até os anos 90, houve uma proliferação das pesquisas sobre as características e os traços da personalidade dos empreendedores. Muito embora os resultados tenham sido surpreendentes, não foi possível traçar um perfil psicológico do empreendedor. (FILION, 2000 p. 18).
A grande quantidade de termos, muitas vezes de significado semelhante, mas que recebem atenção especial e diferentes interpretações conforme cada autor, dificulta o consenso sobre quais características seriam determinantes para o comportamento empreendedor.
Além das características distintivas do empreendedor, há também algumas qualidades do bom administrador que caso não estejam presentes nos empreendedores, poderão contribuir para o seu fracasso, a despeito de um ótimo potencial nas características distintivas.
Essa divisão entre as características comportamentais distintivas e as de apoio fica clara na compilação realizada por Cunha, Malheiros e Ferla (2005) e que será usada neste trabalho como fio condutor para descrever algumas características comportamentais do empreendedor e incluirá citações de outros autores que se dedicaram mais fortemente à explanação dessas características.
Desta forma, as chamadas virtudes de apoio, são aquelas características comportamentais importantes e necessárias, que, todavia seriam também comuns aos bons administradores e, no caso dos intra-empreendedores, não os distinguiriam de outros funcionários da organização. Essas virtudes de apoio são:
Visão: A visão permite vislumbrar uma imagem do futuro construída pela montagem de fatos, esperanças, sonhos, oportunidades e ameaças percebidas no presente.
Energia: De acordo com Filion (1993), a energia, que nada mais é que o tempo alocado em atividades profissionais e a intensidade com que elas são executadas, atua como um capital que pode ser investido pelo empreendedor na manutenção da rede de relacionamentos ou no desenvolvimento da visão:
A energia despendida na criação e na manutenção de relacionamentos paga dividendos, porque um empreendedor que esteja bem situado num sistema de relações lucrará por um fluxo constante de informações. (FILION 1993 p. 58)
Comprometimento O comprometimento é manifesto em situações como sacrificar o lucro no curto prazo para manter os clientes satisfeitos ou ainda “descer ao chão da fábrica” para motivar e auxiliar os funcionários da linha a realizar uma tarefa crucial. (CUNHA; MALHEIROS; FERLA, 2005).
Liderança: O empreendedor utiliza estratégias conscientes ou inconscientes, para influenciar ou persuadir pessoas a ajudá-lo nos seus objetivos. (CUNHA; MALHEIROS; FERLA, 2005).
Obstinação: O empreendedor gosta do desafio e mesmo não sendo vitorioso na primeira tentativa, usa estratégias alternativas, a fim de superar os obstáculos e alcançar seu ideal. Considera os problemas como degraus que depois de suplantados, aproximam-no da sua meta. (CUNHA; MALHEIROS; FERLA, 2005).
Capacidade de decisão/concentração: A acurada capacidade de discernimento acerca das prioridades evita que o empreendedor se embaralhe no emaranhado de oportunidades que vislumbra. (CUNHA; MALHEIROS; FERLA, 2005).

Virtudes superiores do empreendedor
Ainda de acordo com Cunha, Malheiros e Ferla (2005), além de se esperar que o empreendedor possua as virtudes de apoio, se faria notar por características comportamentais que os destacariam em relação ao administrador, empresário, ou demais funcionários.
Criatividade/Inovação: O empreendedor desenvolve novos produtos, métodos de produção, modelos de comercialização ou de gestão, o empreendedor busca novas formas de satisfazer os clientes e as concretiza. A essa criatividade acompanhada da capacidade de execução, pode-se chamar inovação.
Independência: O empreendedor assume o domínio do seu destino e dirige sua vida conforme os objetivos que ele mesmo selecionou. (CUNHA; MALHEIROS; FERLA, 2005).
Entusiasmo/Paixão: Esse magnetismo pessoal emana do caráter e da emoção transmitidos através das palavras e dos atos, mas especialmente confirmados pela linguagem não verbal como o timbre da voz, o olhar e os demais gestos. (CUNHA; MALHEIROS; FERLA, 2005).

Empreendedorismo no Brasil
Segundo Dornelas (2001), o empreendedorismo ganhou força no Brasil somente a partir da década 1990, com a abertura da economia que propiciou a criação do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Antes, o termo empreendedor era desconhecido e a criação de pequenas empresas era bastante limitada, por causa do ambiente econômico e político nada propício do país. Não significa que não existiram empreendedores no Brasil, deve-se salientar que muitos visionários atuaram em um cenário obscuro, mesmo sem conhecer formalmente marketing, finanças, organização e outros conteúdos da área empresarial.
O SEBRAE é difundido entre os pequenos empresários, com finalidade de informar e dar suporte necessário para a abertura de uma empresa, solucionando assim pequenos problemas do negócio. Este órgão está de certa forma, implantando a cultura empreendedora nas universidades brasileiras, ao promover em parceria com outros países. O Desafio SEBRAE, uma competição entre estudantes de vários países, que têm como tarefa, administrar uma empresa virtual.


Curiosidades sobre o empreendedorismo no Brasil
1. O Brasil possui um nível relativamente alto de atividade empreendedora: a cada 100 adultos, 14,2 são empreendedores, colocando-o em quinto lugar do mundo. No entanto, 41% deles estão envolvidos por necessidade e não por oportunidade.
2. As mulheres brasileiras são bastante empreendedoras: a produção é de 38%, a maior entre os 29 países participantes do levantamento.
3. A disponibilidade de capital no Brasil se ampliou. Mas muitos empreendedores brasileiros ainda percebem o capital como algo difícil e custoso de se obter. Para piorar, os programas de financiamento existentes não são bem divulgados.
4. O tamanho do país e suas diversidades regionais exigem programas descentralizados. As diferenças regionais de cultura e infra-estrutura também exigem uma abordagem localizada do capital de investimento e dos programas de treinamento.
5. Não há proteção legal dos direitos de propriedade intelectual, altos custos para registros de patentes no país e fora dele e parcos mecanismos de transferência tecnológica. As universidades ainda estão isoladas da comunidade de empreendedores.
Portanto, percebe-se que o início da difusão do empreendedorismo no Brasil nasce por conveniência do governo e sobrevivência de muitos trabalhadores que saíram das grandes estatais após o processo de privatização. A partir disso, o governo se propõe a fornecer subsídios, acima citados, para que os trabalhadores tivessem a possibilidade de contribuir para o desenvolvimento e a geração de emprego no Brasil.
Conclusão
A tentativa de reduzir as características comportamentais do empreendedor àquelas que realmente o distinguem dos demais profissionais contribui tanto para melhorar a didática do ensino/treinamento do empreendedorismo quanto como para a evolução dos métodos para identificação e mensuração da atitude empreendedora das pessoas.
O impacto positivo do empreendedorismo na criação de postos de trabalho, de maneira a contrabalançar a queda do emprego nas grandes organizações é embasado por estudos como o de Drucker (2005) que identificou o empreendedorismo como o fenômeno responsável pela criação de mais de 40 milhões de vagas nos Estados Unidos entre 1965 e 1985.
Nesse sentido, pode-se constatar a visibilidade do crescimento do nível de empreendedorismo, como indicativo da expansão do desenvolvimento econômico nos últimos anos para o Brasil.

Referências
CUNHA, Cristiano J.C. de; MALHEIROS, Rita de Cássia Costa; FERLA, Luiz Alberto. Viagem ao mundo do empreendedorismo. Florianópolis: IEA, 2005.
DRUCKER, Peter F. Inovação e espírito empreendedor: prática e princípios. São Paulo: Pioneira, 2005.
FILION, Louis Jacques. O empreendedorismo como tema de estudos superiores. In: Empreendedorismo: ciência, técnica e arte. Brasília. CNI/IEL, 2000. p. 13-42.
FILION, Louis Jacques. Visões e relações: elementos para um metamodelo empreendedor. RAE – Revista de Administração de Empresas. São Paulo. V. 33, n. 6, p. 50-61. nov./dez. 1993
DORNELAS, João Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001.




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