Escola Estratégica do Planejamento
Por Wagner Herrera
23/05/2007
Introdução
Desembarcamos na Escola do Planejamento, a segunda do grupo das escolas
prescritivas. Recordando: Escolas Prescritivas são as baseadas num processo de
visão e concepção analítica, formal, matemática e conceitual.
Esta escola é contemporânea da Escola do Design e sua origem encontra-se nos
trabalhos de H. Igor Ansoff em Corporate Strategy de 1965; George Steiner com
Top Management Planning de 1969 que separou o processo em etapas (premissas,
desenvolvimento e implementação); Schendel e Hofer com Strategic Manegement de
1979; Peter Lorange, Akoff e Porter prestaram contribuições importantes para
esta escola com a conceituação do planejamento estratégico aliado a alta
administração e a administração estratégica como ciência reconhecidamente
amadurecida. Lema da escola: “prever e preparar”. A escola tem a formulação da
estratégia como um processo formal.
Premissas
A Escola do Planejamento contribuiu com as definições dos conceitos de
objetivos, metas e estratégias, técnicas de análise de riscos, avaliação da
estratégia competitiva, curva do valor e cálculos de valor para o acionista,
sendo estas últimas orientadas para a análise financeira, “criação de valor”,
plano corporativo, planos operacionais. Também, deu-se a separação do plano
global em planos estratégicos para o longo prazo, planos de médio prazo e planos
operacionais, os de curto prazo. As principais premissas estruturantes são:
1. ‘As estratégias devem resultar de um processo controlado e consciente de
planejamento formal, decomposto em etapas distintas delineada por listas de
verificação e apoiada em técnicas’.
2. ‘A responsabilidade de todo o processo é do executivo principal mas a de
execução está com os planejadores’.
3. ‘As estratégias surgem prontas do processo, devendo ser explicitadas para a
implementação para que possam ser detalhadas em objetivos, orçamento e planos
operacionais’.
E mais recentemente:
4. ‘Planejamento de cenários como uma ferramenta do arsenal do estrategista’.
5. ‘Controle estratégico para manter a organização nos trilhos estratégicos
pretendidos, o que na prática, poucas empresas conseguem’.
Considerações
Na década de 80 houve fortes clamores de apreensão e críticas em relação ao
planejamento estratégico:
“Depois de mais de uma década de controle quase ditatorial sobre o futuro das
empresas americanas, o reinado parece estar no fim ... poucas estratégias
supostamente brilhantes elaboradas pelos planejadores, foram implementadas com
sucesso” (Business Week, 1984)
“A despeito de quase vinte anos de existência da tecnologia de planejamento
estratégico, a maior parte das empresas hoje, se engaja no menos ameaçador e
perturbador planejamento a longo prazo por extrapolação” (Ansoff, 1977)
Em 1994, I. Wlison escreveu ao “sete pecados capitais do planejamento
estratégico” com constatações da inépcia da metodologia ao que os planejadores
reagiram pela falta de apoio gerencial e ausência de clima organizacional e
cultural em muitas das vezes.
A escola do planejamento de característica formal, técnica e prescritiva por
vezes perdeu o foco principal – os fins almejados - em detrimento dos meios
utilizados - suas técnicas, relegando aspectos criativos, culturais e históricos
das organizações e não perseguindo o comprometimento das gerências
intermediárias - o engajamento, pois o mais importante é o desempenho da
organização e não o do seu planejamento.