Existe Fidelização?
Por Sidney Coldibelli
21/04/2006
Em várias situações tenho sido questionado
sobre a possibilidade de se fidelizar clientes em um ambiente tão cheio de
ofertas. Todos nós, marketeiros (inclusive os Marcos e os Dudas) sabemos que,
para se manter um negócio firme, há a necessidade de se criar vínculos de
fidelidade entre as partes, ou as relações estarão sujeitas a se deteriorarem.
Como todos nós estamos sentindo na pele, o crescimento das ofertas, e
consequentemente dos atrativos para mudança de marca, geram uma constante
pressão para que nossos cliente sejam tentados a procurar situações (entendam
preços e outras condições) onde possam levar vantagem. Ora não há como negar que
este ambiente existe.
Mas o que eu quero comentar com vocês é a existência deste próprio ambiente.
Senão vejamos. Divido a história negocial do Brasil em duas eras: AC e DC. A era
AC (antes de Collor), tínhamos um país fechado para o mundo, com uma demanda
maior do que a oferta, onde se era proibido importar, com produtos de qualidade
(e utilidade) duvidosas e com taxas de competitividade muito baixas.
Na era DC (depois de Collor), a coisa mudou da água para o vinho. O mercado se
abriu e com isto a oferta se ampliou barbaramente, a inflação (aquela galopante)
estancou, o código de defesa do consumidor entrou em campo para ajudar o cliente
a defender seus direitos, ou seja, da noite para o dia fomos atirados na selva
de um mundo extremamente competitivos, com competidores treinados e experientes.
Sabem há quanto tempo isto aconteceu? 15 ANOS !!! Isto mesmo, apenas há 15 ANOS
!!! Àqueles que têm filhos, sobrinhos, parentes, conhecidos que tenham filhos
com 15 anos, ou que pelo menos se lembram de quando tinham 15 anos, sabem o que
isto quer dizer. Aos 15 anos, é muito difícil que o cidadão seja fiel a alguém
ou a alguma coisa. A gente quer zoar, experimentar novas coisas, provar novos
sabores, investigar novas plagas, etc. Nesta época da vida, ainda não somos
maduros e vivemos dando trabalho para pais, professores, vizinhos, tios, avós,
etc. Com o tempo, disciplina, paciência e muita conversa, atingimos o que
chamamos de maturidade, onde se espera que nos casemos, ou que pelo menos,
assentemos o facho.
E o que se esperar de um mercado de 15 anos. Mais ou menos o mesmo. Que ele seja
volúvel, suscetível a novas experiências e muito arredio. Para trazê-lo para nós
(fidelizá-los), temos que nos utilizar das mesmas ferramentas que nossos pais
usaram para nos amadurecer (tempo, disciplina, paciência e conversa). E é aí que
a coisa pega. Será que estamos habilitados, em nossos departamentos de marketing
e vendas para realizar esta tarefa? Temos em nossos quadros profissionais
treinados e capazes de "adotar" o cliente? E mais. Nossos serviços pós-vendas
ajudam a que estes arredios clientes se sintam confortáveis com a nossa
companhia e menos suscetíveis a buscar outras aventuras?
Este é o desafio do momento no país. Buscar a maturidade das relações. E isto se
conquista com muito profissionalismo e, principalmente paciência.
Sidney Coldibelli é presidente da Inteligência de Marketing Ltda