Fechado para Balanço
Por Maria Rita Gramigna
29/03/2007
Finda o ano. Ótima oportunidade para um “balanço”.
É comum nesta época as pessoas dedicarem um tempo para refletir e repensar suas vidas. Momento de avaliar o que valeu a pena e o que precisa ser realinhado daí para frente.
Tal prática repete-se no âmbito empresarial. As convenções de fim de ano, cujos conteúdos envolvem os resultados obtidos e as metas futuras, já se tornaram comuns na maioria das organizações.
Este texto traz algumas diretrizes que vão além das convenções e podem ser usadas pelos gerentes e suas equipes, como instrumento de avaliação do ano que passou e orientação para o que se inicia.
OS INDICADORES DE DESEMPENHO
Ao verificar resultados, faz-se necessário objetivar o que se quer avaliar.
Uma das estratégias é estabelecer alvos e indicadores para nortear a análise. A delimitação de áreas-chave de resultados facilita este trabalho.
Selecionamos cinco áreas e os questionamentos pertinentes às mesmas:
1ª - ATITUDE E DESEMPENHO GERENCIAL
Ao fazer o balanço de resultados, as lideranças poderão iniciar pela auto-avaliação.
Questionamentos básicos:
• Meu desempenho tem se caracterizado por ações planejadas e articuladas aos objetivos organizacionais?
• Minha atuação favoreceu o estabelecimento de um clima participativo e produtivo de trabalho?
• Criei uma imagem positiva junto aos meus colaboradores e pares?
• Obtive os resultados previstos no ano que passou?
• O que preciso reforçar em minha atuação?
2ª - ATITUDE E DESEMPENHO DOS COLABORADORES
Uma equipe é o termômetro que reflete a ação de suas lideranças. Ao avaliar o desempenho dos colaboradores, pode-se obter pistas para a melhoria do desempenho gerencial.
Questionamentos básicos
• As pessoas manifestam suas motivações e necessidades com naturalidade?
• O desempenho de minha equipe está compatível com as expectativas da direção?
• O clima de trabalho é participativo e produtivo?
• As metas são cumpridas e os resultados alcançados?
• Meus colaboradores demonstram satisfação no trabalho?
3º - PRODUTIVIDADE
A capacidade produtiva de uma equipe é um dos indicadores de desempenho das organizações.
Questionamentos básicos:
• Os produtos e serviços desenvolvidos pela nossa equipe têm sido caracterizados em função dos nossos clientes?
• Conseguimos oferecer valores agregados em nossas relações comerciais?
• Nossa capacidade produtiva está sendo usada de forma efetiva?
• Há ociosidade ou aproveitamento inadequado dos potenciais?
• Nossos padrões de produtividade estão aquém do esperado, atendendo ou superando as expectativas organizacionais?
4º - SATISFAÇÃO DOS CLIENTES
Aqui, a análise volta-se para os clientes externos e os internos. Na empresa, todos que apresentam interface de trabalho são considerados clientes.
Questionamentos básicos:
• Há compromisso de nossa equipe em identificar, compreender e corresponder às expectativas de nossos clientes?
• Nosso foco principal está nestes clientes identificados?
• Diferenciamos os clientes relevantes no âmbito interno e externo?
• Existem mecanismos de mensuração do nível de satisfação de nossos clientes?
• Os resultados desta medida são levados em consideração?
5º - INOVAÇÃO
A inovação é a arte de agregar valor aos produtos, processos de trabalho e serviços. É fazer do KAIZEN (melhorar sempre) uma constante.
Questionamentos básicos:
• Possuímos equipamentos que permitem o uso da tecnologia disponível no mercado?
• Somos reconhecidos por nossos clientes como inovadores e agregadores de valor aos produtos e serviços oferecidos?
• Adotamos ferramentas e espaços com arquitetura que permite e facilita a criação.
• Nossa cultura é favorável à inovação? Sabemos conviver e aprender com os erros?
• As idéias apresentadas pelos colaboradores são analisadas e aproveitadas.
Os cinco indicadores apresentados não são únicos.
Em um “ fechamento para balanço”, as empresas poderão acrescentar outros indicadores que fazem parte de seu rol de preocupações.
A partir do resultado obtido no “balanço”, entra em cena o realinhamento de estratégias, objetivos e metas.
É importante ressaltar que neste momento de avaliação deve-se abrir espaços para as equipes de colaboradores apresentarem suas posições, críticas e sugestões.
Por vezes, as respostas às dificuldades estão com as pessoas diretamente ligadas ao processo de trabalho (nem sempre com os gerentes).
O simples ato de envolver a equipe nos questionamentos básicos de cada indicador poderá gerar uma série de boas idéias e o comprometimento de todos nas melhorias propostas.
Maria Rita Gramigna é Mestre em Criatividade Total Aplicada pela Universidade de
Santiago de Compostela (Espanha). Graduada em Pedagogia pela Universidade
Federal de Minas Gerais e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos pela
UNA – União de Negócios e Administração (MG). Atua no Mapeamento de
Competências, contatos estratégicos com clientes, capacitação gerencial e
treinamento da equipe de consultores da MRG Consultoria e Treinamento
Empresarial.