a
Fidelização de Clientes como Diferencial Competitivo
Por Cristina Moutella
18/04/2003
Ser fiel é ser digno de fé; ser leal a seus compromissos; que não falha,
seguro.
Diante desses significados, é correto dizer que seus clientes são fiéis? Que são
leais à sua marca? Que não falharão e seguramente continuarão fazendo negócios
com sua empresa? Na maior parte das vezes, a resposta é não.
O objetivo da fidelização é reter os clientes, evitando que migrem para a
concorrência, e aumentar o valor dos negócios que eles proporcionam. As empresas
desejam clientes fiéis para obter vantagens financeiras. Já nos relacionamentos
pessoais, a fidelidade está diretamente ligada a vantagens emocionais.
Se somos leais a nossos amigos e companheiros porque construímos relacionamentos
baseados em emoções, por que não agir da mesma forma no relacionamento com
nossos clientes, dos quais esperamos lealdade? Como nos relacionamentos
pessoais, fidelidade não se compra; se conquista a longo prazo através de
atitudes que transmitam confiança, respeito, cuidado, atenção e carinho com o
outro. E fidelização é um processo contínuo de conquista da lealdade, porque
nenhum cliente é fiel de vez em quando - nem para sempre.
E por que fidelizar?
Segundo Philip Kotler, conquistar novos clientes custa entre 5 a 7 vezes mais do
que manter os já existentes. Então, o esforço na retenção de clientes é, antes
de tudo, um investimento que irá garantir aumento das vendas e redução das
despesas.
Clientes fiéis são muito mais propensos a comprar através de mais de um canal
(telefone, loja, internet, etc) e tendem a consumir mais. E quanto mais fiéis,
maior a vida útil da carteira de clientes da empresa, menor o custo de
recuperação de clientes e maior valor financeiro agregado à marca.
Clientes fiéis reclamam quando têm uma experiência ruim, porque querem ver seu
problema resolvido, acreditam na marca/empresa e querem melhorá-la. Já os
clientes infiéis vão embora sem o menor remorso e pior - ainda falam mal da
empresa. Segundo Kotler, 95% dos clientes insatisfeitos não reclamam, apenas
deixam de comprar, e Terry Vavra, consultor americano, afirma que um cliente
insatisfeito costuma contaminar outros 13, enquanto que um satisfeito influencia
apenas 5.
Quanto uma empresa pode estar deixando de ganhar? Além da perda do cliente insatisfeito, há a perda de outros que são influenciados negativamente e o custo de recuperar esses clientes perdidos, se a empresa decidir investir nessa recuperação.
Todo cliente espera sair satisfeito de uma transação comercial e também espera
que a empresa esteja empenhada em satisfazê-lo. Mas ter um cliente satisfeito
não garante sua fidelidade.
O que influencia na satisfação dos clientes? Produtos e serviços de qualidade,
preço percebido como justo, condições de pagamento satisfatórias, cumprimento de
prazos e compromissos assumidos pela empresa, disponibilidade dos
produtos/serviços, entrega adequada, escuta atenciosa, diálogo de compromisso,
descontos e ofertas especiais e facilidade da compra.
A satisfação se mede através da relação entre o que o cliente recebeu ou
percebeu e o que esperava ter ou ver (percepção x expectativa). Se a percepção é
maior do que a expectativa, o cliente fica muito mais satisfeito do que
esperava. Mas se for menor, frustra-se e não registra positivamente a
experiência.
Como as expectativas dos clientes aumentam com o tempo, eles tendem a não mais
se satisfazer se a empresa não conseguir acompanhar as mudanças de suas
necessidades e desejos, o que demanda tempo e investimento.
A satisfação pode ser obtida em uma única transação, mas a fidelidade só se
conquista a longo prazo. Nada garante que um cliente satisfeito recusará as
ofertas da concorrência. Já um cliente fiel pensará duas vezes antes de trair.
A tênue linha que separa a satisfação total da fidelidade deve ser coberta por
um escudo de confiança. Somente através de uma relação de confiança entre
clientes e empresa pode-se criar barreiras para a ação da concorrência. As
pessoas confiam em quem os respeita, os ouve e os surpreende. E são fiéis quando
e enquanto confiam.
E como tornar fiéis os clientes satisfeitos?
Primeiramente, os clientes precisam ser identificados, porque não se estabelece
uma relação com quem não se conhece. A partir daí, aprender sobre eles, suas
necessidades e seus desejos, utilizando essas informações para estreitar o
relacionamento e conhecê-los cada vez mais. Isso dá à empresa um diferencial e
cria barreiras de confiança tornando inconveniente a migração para um
concorrente, porque o novo relacionamento começaria do zero, sem nenhum
conhecimento de ambas as partes.
No longo prazo (não se esqueça que fidelidade mede-se em longo prazo), a única
garantia é a "dor da mudança": o custo da migração, a inconveniência de mudar. A
grande vantagem competitiva que sua empresa possui é o conhecimento de seus
clientes. Todo o resto a concorrência pode oferecer a qualquer momento.
Cristina Moutella é especialista em Comunicação em mídias interativas e Gestão de projetos web e conteúdos. Site: http://cmoutella.sites.uol.com.br