Foco
no Cliente: Estratégia de Fidelização
Por Cristina Moutella
05/09/2002 A estratégia de fidelização de clientes não pode estar
calcada apenas em "programas de fidelidade". Iniciativas de marketing,
muitas vezes, são esforços isolados de fidelização, o que não é
suficiente. Antes de mais nada, toda a empresa deve estar preparada para
garantir os produtos, os serviços e o atendimento em todos os canais de
comunicação. Isso é fidelização estratégica: o esforço de habilitar toda
a empresa para reter seus clientes ao longo do tempo. Os programas de fidelidade
são ações de fidelização tática, visando incrementar o valor dos negócios
proporcionados por cada cliente, direcionando os esforços para os segmentos
mais importantes da carteira de clientes. A fidelização deve ser um compromisso de toda a
empresa. Promover o relacionamento com seus clientes deve fazer parte de sua
cultura e de sua missão. Reter e fidelizar clientes deve ser encarado como
fator de sobrevivência. Fidelizar não é gerenciar produtos, mas clientes.
Empresas que, em todos os níveis, não estão preparadas para o relacionamento
com seus clientes, os vê como adversários. Sem domínio da situação,
desconfiam dos clientes e geram desentendimentos. Por que isso ocorre?
§
os funcionários não têm acesso às informações §
os funcionários não possuem autonomia para tomar decisões que
resolvam os problemas dos clientes §
os funcionários não são motivados a tomar decisões em favor do
cliente §
não existe um ambiente propício para a colaboração do cliente §
não há comprometimento dos funcionários no relacionamento com
os clientes §
não há interesse dos funcionários na satisfação dos clientes Quantas vezes já não ouvimos respostas como "o
senhor vai ter que ligar para um outro número", "não é com o nosso
departamento", "infelizmente eu não posso fazer nada" ou
"eu sou só o gerente"? Se um funcionário acredita ser "somente o
gerente", então também vê o cliente como "somente um cliente".
Essas situações parecem absurdas, mas a responsabilidade não é somente dos
funcionários. Eles não foram treinados para ver o cliente como a garantia de
seu salário no final do mês, muito menos para recebê-lo como influenciador
direto da sobrevivência e do sucesso da empresa. Mas os funcionários desejam fazer tudo direito e
pensam que estão fazendo, já que assim foram estabelecidas suas regras (ou
nenhuma regra) de relacionamento com os clientes. As empresas que receiam dar a
seus funcionários autonomia de decisão, não têm confiança em sua capacidade
de decidir com responsabilidade e ponderação. Mas é nos "momentos da
verdade " (qualquer momento em que um funcionário de uma empresa entra em
contato com um cliente) que o papel dos funcionários é de extremo valor. Eles
precisam ser habilitados a agir em prol do cliente, precisam ser investidos de
responsabilidade e autoridade para agir como se a empresa fosse deles. E isso
só se consegue com treinamento. Se uma empresa quer garantir a fidelidade de seus
clientes, precisa valorizar e fidelizar seus clientes internos. Os funcionários
devem estar totalmente conscientes, envolvidos e integrados com os valores da
empresa e do cliente. Precisam ouvir seus clientes com atenção e respeito e
ter autonomia e responsabilidade para falar em nome da empresa. Devem ser
treinados para analisar situações de conflito e tomar decisões em favor dos
clientes. Segundo pesquisa da Fórum Corporation, 14% dos
clientes que deixam de freqüentar empresas de serviços o fazer por estarem
insatisfeitos com a qualidade do que compraram, mas 2/3 se afastam porque
consideram os atendentes de serviços indiferentes ou pouco dispostos a ajudar. A inovação de uma empresa depende dos riscos
assumidos por seus funcionários. Uma empresa em sintonia com seus clientes,
ousa, inova e não tem medo de ser diferente. Programas de capacitação e motivação de
funcionários, principalmente aqueles que se relacionam diretamente com os
clientes, são imprescindíveis para a fidelização. Quando um cliente entra em
contato com um funcionário da empresa, sua percepção é de que está falando
com a empresa e não com o funcionário. O cliente espera que o funcionário se
comporte em nome da empresa, não como alguém que não é comprometido com o
que faz. Se toda a empresa não estiver empenhada em
identificar e construir relacionamentos estratégicos, os funcionários também
não se empenharão. Um time é fundamental para produzir resultados. O foco da empresa deve ser a construção de
relacionamentos, tendo como compromisso o incentivo ao trabalho em grupo e ao
esforço do time. Em uma empresa, ninguém é uma ilha. Independentemente do
tipo de serviço a ser prestado ao cliente, há sempre o envolvimento de mais de
um setor da empresa. Para solucionar problemas de clientes freqüentemente
estão envolvidos vários funcionários. O comprometimento deve ser de todos e o
padrão de atendimento deve ser único. Se isso não ocorre, o cliente não
percebe a empresa como digna de confiança. Sem confiança, está vulnerável
às ações da concorrência. Segundo Dennis Duffy, organizar internamente a
empresa para focar o cliente não é um destino, mas uma viagem. E acrescento:
um trabalho constante e permanente, de melhoria contínua.
Cristina Moutella é especialista
em Comunicação em mídias interativas e Gestão de projetos web e conteúdos. Site:
http://cmoutella.sites.uol.com.br