O Futuro das Estratégias de Marketing para o Setor Industrial Farmacêutico
Por Fernando Italiani
15/08/2007
Há anos eu acompanho as estratégias
colocadas em prática pela indústria farmacêutica e confesso que em muitos casos,
fico admirado; pela criatividade e pela falta dela.
Como é possível, num cenário de alta competitividade e informação, os gerentes
de produtos ainda não utilizarem, ou pior, não conhecerem ferramentas como a
farmacoeconomia e farmacovigilância para lhes auxiliar na diferenciação de seus
produtos e serviços tanto para a classe médica, mas principalmente para os
pacientes. Uma vez questionando uma gerente de produtos de uma grande empresa
como ela aplicava farmacoeconomia e farmacovigilância nos seus produtos para
cardiologia, ouvi cada coisa que os leitores especializados ficariam com
vergonha.
Com o aumento da expectativa de vida, o trabalho com produtos para tratamento
crônico nunca foi tão relevante, pois a adesão deste paciente representa menores
efeitos colaterais, aumento nas chances de uma melhor resposta, maior confiança
na empresa e conseqüentemente no seu médico, aumentando a parceria
indústria-classe médica. Infelizmente o que se vê em algumas empresas é a “velha
estratégia”: brindes, anúncios, ajudas visuais pouco práticas, etc.
O marketing farmacêutico moderno deve basear suas atividades na informação
“técnica”, suportada por instituições ou revistas com credibilidade. Mesmo no
ponto de venda, trabalhando com produtos isentos de prescrição, é possível ter
criatividade para buscar parcerias para contemplar a associação da maximização
dos ganhos da empresa com o melhor atendimento a população. Já que aprendemos
que marketing é uma questão de “percepção”, a credibilidade deve ser o mote do
trabalho dos profissionais deste setor.
Chega de achar que o representante é o “homem de frente”, pois TODOS são
responsáveis pelo maior/melhor relacionamento com o médico ou o ponto de venda.
Uma vez ouvi uma definição interessante sobre a competência de um profissional
de marketing “é só colocar a mão no assento de sua cadeira...se ela estiver
quente é porque ele nunca sai ao campo...e aí....”. Todos são responsáveis pelas
“relações médicas” (e não relações públicas) e o profissional de marketing deve
ser visto como um parceiro para o desenvolvimento profissional do campo e da
classe médica, e não simplesmente o “homem do dinheiro”. Neste momento
percebemos o real vínculo do médico com a empresa.
Saber interpretar as pesquisas de mercado é o mínimo. O importante é saber fazer
as perguntas certas. Dados no mercado industrial farmacêutico não faltam, mas
saber para quem vender/posicionar/diferenciar seus produtos é o grande
diferencial do setor.
Conhecimentos de estatística, finanças e gestão de pessoas podem representar o
diferencial de empregabilidade do atual gerente de marketing/produtos.
Atualmente é imprescindível mensurar tudo, otimizar custos e para isso é
necessário ter habilidade com as pessoas.
A média de idade dos gerentes de produtos vem caindo ano a ano e percebo que
alguns deles ainda não perceberam a diferença entre “ser” gerente e “estar”
gerente. Quando eles “são” gerentes fica muito difícil passar algum conceito
novo, relevante, pois eles são “os donos da verdade” e acabam sendo reféns de
algumas agências que mal sabem a diferença entre a diferenciação de um carro ou
de um medicamento.