Gerência de Produto orientada para valor
Por Admir Borges
16/05/2007
A história da administração nos mostra que a estruturação das empresas ocorreu
baseada na idéia de que o trabalho seria segmentado em suas tarefas mais simples
e básicas, sendo as tarefas básicas, e de certa similaridade, reunidas em
estruturas especializadas, com vistas a uma melhor produtividade. As atividades
principais, geradoras de valor para o cliente, foram decompostas e dispersas em
configurações especializadas. Hoje é possível perceber que esse formato não
atende ao processo de demanda existente, comprometendo o desempenho da
organização junto ao mercado.
A tarefa de ofertar produtos de alta qualidade, com preços competitivos aliados
a um serviço excelente ao cliente, representa o há de mais significativo em uma
empresa geradora de valor. Portanto, não faz sentido a proposta de decomposição
e dispersão das tarefas, conforme se imaginou no início. Uma empresa orientada
para Valor precisa ser enxuta, flexível, receptiva, ágil, competitiva, inovadora
e inteiramente no foco do cliente. Com isso, podemos afirmar que uma organização
que adota e valoriza a administração de produto é o melhor exemplo de companhia
orientada para o Valor.
A administração do produto deverá ter como preocupação primeira com os desejos
do consumidor, bem como as suas variações e tendências. Os produtos e serviços
oferecidos devem estar sempre ajustados à demanda específica e peculiar de cada
tipo de cliente ou segmento de mercado. A organização para o Valor é um sistema
em constante mutação, para acompanhar o ritmo do mercado em que compete, gerando
bons e competitivos produtos e serviços. A adoção de uma gerência de produto em
qualquer empresa é um sintoma claro da preocupação com as melhorias estratégicas
visando ao atendimento e superação das expectativas do cliente. Ainda que
existam diferenças de opinião no que diz respeito ao âmbito de atuação e a
autoridade do gerente de produto, sua função pode ser claramente definida como a
de um coordenador das atividades relacionadas com o marketing do produto.
Segundo Michael Baker, professor de marketing da Universidade de Strathclyde
(Inglaterra), a função do gerente de produto é de ligação entre os vários
setores funcionais da organização, a fim de garantir coordenação ótima de suas
atividades e, daí, maximizar a contribuição particular de seu produto com a
rentabilidade global da empresa. Esta gerência precisa manter relacionamento com
todas as áreas da organização, mesmo que com intensidade variável. As
experiências organizacionais sugerem que tal gerência veio para ficar, e se
constitui num meio eficiente de melhorar o desempenho do marketing do produto.
É preciso ressaltar, também, que as interfaces do gerente de produto com os
elementos do ambiente externo à empresa são de extrema importância, uma vez que
a sua eficiência não depende apenas dos relacionamentos no âmbito da
organização, pois para o desenvolvimento e execução de seus projetos ele
interage com as mais diversas instituições e pessoas que compõem o ambiente de
negócios da empresa.
No mercado competitivo e mutável de hoje um produto só se justifica quando
possui um valor percebido pelo cliente, ou pelo segmento atendido. Para Philip
Kotler, o valor entregue ao consumidor constitui-se na diferença entre o valor
total esperado e o custo total do consumidor. O valor total esperado pelo
consumidor é o conjunto de benefícios previsto por determinado produto. Com
isso, verifica-se que o valor está associado ao esforço para se obter um produto
e à capacidade de atender a desejos e necessidades de um consumidor.
Em um grande número das companhias o gerente de produto possui autoridade para o
desenvolvimento dos projetos e a coordenação das atividades necessárias para a
consecução dos objetivos de marketing estabelecidos para os produtos sob sua
responsabilidade, limitando-se às restrições impostas pelos recursos e políticas
estabelecidas pela empresa. Mesmo com esse escopo de autoridade conquistada, o
gerente de produto costuma encontrar restrições e dificultadores de sua função,
tais como: ausência de recursos, falta de apoio de outros departamentos, posição
na hierarquia, dificuldade com as informações, além da cultura e do clima
organizacional.
A proposta de uma gerência de produto é de estabelecer um conceito estrutural
que elimina, ou reduza, a idéia de uma estrutura altamente especializada, mas
voltada exclusivamente para a produção, adotando um sistema orientado para
Valor. No entanto, cada empresa deverá desenvolver seu próprio formato e cultura
de gerência de produto, devidamente ajustada às suas necessidades operacionais e
mercadológicas.
Admir Borges, consultor empresarial na área de atendimento ao cliente e Coordenador e Professor de Pós-graduação de Marketing e Comunicação da Uni-bh, Universidade Fumec. e IEC-PUC.