Gestalt
17/02/2007
Gestalt é um termo intraduzível do alemão, utilizado para abarcar a teoria da
percepção visual baseada na psicologia da forma.
Origem da psicologia da forma
Durante o século XIX e até o início do século XX, a Psicologia havia se
consolidado como um ramo da Filosofia, e limitava-se a estudar tanto o
comportamento como as emoções e a percepção. Nessa época, os estudos sobre a
percepção humana da forma tinham em comum a análise atomista, ou seja, que
procurava o conjunto a partir de seus elementos. Sob esse ponto de vista, o
homem tenderia a somente perceber uma imagem através de suas partes componentes,
compreendendo-as por associações de experiências passadas (associacionismo). Em
oposição direta a isto, surgiu a Teoria da Gestalt (ou “configuração”) no início
do século XX, com as idéias de psicólogos alemães e austríacos, como Christian
von Ehrenfels, Felix Krüger, Wolfgang Köhler e Kurt Koffka. Inicialmente voltada
apenas para o estudo da psicologia e dos fenômenos psíquicos, a Gestalt acabou
ampliando seu campo de aplicação e se tornou uma verdadeira corrente de
pensamento filosófico. A Teoria da Gestalt afirma que não se pode ter
conhecimento do todo através das partes, e sim das partes através do todo; que
os conjuntos possuem leis próprias e estas regem seus elementos (e não o
contrário, como se pensava antes); e que só através da percepção da totalidade é
que o cérebro pode de fato perceber, decodificar e assimilar uma imagem ou um
conceito. Mas sobre esse pensamento já se formulavam concepções distintas. A
chamada “corrente dualista”, da escola de Graz, na Áustria, identificou dois
processos distintos na percepção sensorial: um, a sensação, corresponde à pura
percepção física dos elementos de uma configuração (o formato de uma imagem ou
as notas de uma música), que é particular do objeto percebido; e o outro, a
representação, que seria um processo “extra-sensorial” através do qual os
elementos, agrupados, excitam a percepção e adquirem sentido (a forma visual ou
a melodia da música), que já é particular do trabalho mental do homem. A outra
concepção, divergente do “dualismo”, era a chamada “corrente monista” (de mono,
único), defendida pelos alemães. Pelo ponto de vista monista, tanto sensação
como representação se dariam simultaneamente, e não em separado. A forma, ou
seja, a compreensão que os dualistas chamaram de “extra-sensorial”, não pode ser
dissociada da sensação do objeto material. Por ocorrerem ao mesmo tempo,
percepção sensorial e representativa vão se completando até finalizarem o
processo de percepção visual. Só quando uma é concluída que a outra pode ser
concluída também.
A teoria da forma
O psicólogo austríaco Christian von Ehrenfels (1859-1932) lançou, em 1890, as
bases do que viriam, mais tarde, a ser os estudos da Psicologia da Forma
(originalmente, Gestaltpsychologie). Sua primeira constatação foi a divisão de
duas espécies de “qualidades da forma”: as sensíveis, próprias do objeto, e as
formais, próprias da nossa concepção. São as primeiras agrupadas de acordo com
as últimas que formam o conjunto e possibilitam a percepção (como vimos antes no
debate entre “dualistas” e “monistas”). Mas Ehrenfels não foi capaz, em suas
pesquisas, de resolver a questão dos “excitantes” das qualidades formais: o que
levaria à compreensão partes também estabelecem correlações equilibradas. Pois,
para a Gestalt, o todo é um elemento próprio, mas refere-se sempre às
correlações entre suas partes
“Entre os princípios da Gestalt, destaca-se como fundamental referência para as
composições gráficas, o seguinte conceito: "o todo é mais do que a soma das
partes". Isto equivale a dizer que "A + B" não é simplesmente "(A+B)", mas sim
um terceiro elemento "C" que possui características próprias.”
MOURA, Ana Clara Mourão e RIBEIRO, Rosemary Campos MOURA
Leis gestaltistas da organização
A Teoria da Gestalt, em suas análises estruturais, descobriu certas leis que
regem a percepção humana das formas, facilitando a compreensão das imagens e
idéias. Essas leis são nada menos que conclusões sobre o comportamento natural
do cérebro, quando age no processo de percepção. Os elementos constitutivos são
agrupados de acordo com as características que possuem entre si, como
semelhança, proximidade e outras que veremos a seguir. O fato de o cérebro agir
em concordância com os princípios Gestálticos já poderia ser considerado a
evidência fundamental de que a Lei da Pregnância é verdadeira. São estas,
resumidamente, as Leis da Gestalt:
SEMELHANÇA: Ou “similaridade”, possivelmente a lei mais óbvia, que define que os
objetos similares tendem a se agrupar. A similaridade pode acontecer na cor dos
objetos, na textura e na sensação de massa dos elementos. Estas características
podem ser exploradas quando desejamos criar relações ou agrupar elementos na
composição de uma figura. Por outro lado, o mau uso da similaridade pode
dificultar a percepção visual como, por exemplo, o uso de texturas semelhantes
em elementos do “fundo” e em elementos do primeiro plano.
PROXIMIDADE: Os elementos são agrupados de acordo com a distância a que se
encontram uns dos outros. Logicamente, elementos que estão mais perto de outros
numa região tendem a ser percebidos como um grupo, mais do que se estiverem
distante de seus similares.
BOA CONTINUIDADE: Está relacionada à coincidência de direções, ou alinhamento,
das formas dispostas. Se vários elementos de um quadro apontam para o mesmo
canto, por exemplo, o resultado final “fluirá” mais naturalmente. Isso
logicamente facilita a compreensão. Os elementos harmônicos produzem um conjunto
harmônico. O conceito de boa continuidade está ligado ao alinhamento, pois dois
elementos alinhados passam a impressão de estarem relacionados.
PREGNÂNCIA: A mais importante de todas, possivelmente, ou pelo menos a mais
sintética. Diz que todas as formas tendem a ser percebidas em seu caráter mais
simples: uma espada e um escudo podem tornar-se uma reta e um círculo, e um
homem pode ser um aglomerado de formas geométricas. É o princípio da
simplificação natural da percepção. Quanto mais simples, mais facilmente é
assimilada: desta forma, a parte mais facilmente compreendida em um desenho é a
mais regular, que requer menos simplificação.
CLAUSURA: Ou “fechamento”, o princípio de que a boa forma se completa, se fecha
sobre si mesma, formando uma figura delimitada. O conceito de clausura
relaciona-se ao fechamento visual, como se completássemos visualmente um objeto
incompleto. Ocorre geralmente quando o desenho do elemento sugere alguma
extensão lógica, como um arco de quase 360º sugere um círculo.
EXPERIÊNCIA PASSADA: Esta última se relaciona com o pensamento pré-Gestáltico,
que via nas associações o processo fundamental da percepção da forma. A
associação aqui, sim, é imprescindível, pois certas formas só podem ser
compreendidas se já a conhecermos, ou se tivermos consciência prévia de sua
existência. Da mesma forma, a experiência passada favorece a compreensão
metonímica: se já tivermos visto a forma inteira de um elemento, ao
visualizarmos somente uma parte dele reproduziremos esta forma inteira na
memória.
Análise das imagens
Para se fazer uma análise sintática de uma imagem, é preciso, necessariamente,
identificar os principais elementos da composição. E tratar a imagem não como a
semiótica, que faz a análise da ligação e significado das partes que a compõem,
mas sim do ponto de vista da percepção do olho humano, do modo de estruturar
naturalmente os seus elementos gráficos em nossa mente. Foi justamente para
estudar essa percepção que se desenvolveu a Teoria da Gestalt. Propõe essa
teoria, entre outras regras, que o cérebro humano tende automaticamente a
desmembrar a imagem em diferentes partes, organizá-las de acordo com semelhanças
de forma, tamanho, cor, textura etc., que por sua vez serão reagrupadas de novo
num conjunto gráfico que possibilita a compreensão do significado exposto. A
Gestalt estabelece sete relações através das quais as partes da imagem são
agrupadas na percepção visual: proximidade, semelhança, direção, pregnância, boa
continuidade, fechamento e experiência passada. Esse dom natural de “arrumar” as
informações passadas em seu cérebro possibilita ao homem assimilar esses dados
com maior facilidade e rapidez. Na Arte figurativa, em geral, a preocupação na
organização e disposição dos elementos ultiliza-se dos mesmos princípios
posteriormente estudados pela Gestalt, desde os estudos de Leonardo DaVinci e
Alberti sobre a perspectiva e a hierarquização dos componentes, podendo os
valorizar, dar-lhes destaque ou relegando-os a segundo plano, tendo como
resultado na obra final um papel principal e destacado, logo percebido pelo
espectador, ou secundário no entendimento da cena. Em Gestalt, explicamos esse
“fenômeno da percepção” através da decomposição e imediata recomposição das
partes em relação ao todo. Não é muito diferente com a imagem comunicativa. Os
mesmos elementos da figura artística se aplicam à comunicação visual, inclusive
a retórica. Uma imagem é capaz de ter a mesma eloqüência que um discurso falado
ou mesmo que um livro. Tudo depende da ordem e da intensidade em que são
organizados: a sua configuração ou Gestalt. Seja texto ou imagem, estamos
lidando com discursos da propaganda, e daí devemos perseguir sempre os elementos
fundamentais desses objetos de análise..
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
WIKIPÉDIA. Desenvolvido pela Wikimedia Foundation. Apresenta conteúdo enciclopédico. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Gestalt&oldid=4974910>. Acesso em: 17 Fev 2007
Este texto é uma reprodução literal, obtido da Wikipedia, publicado de acordo com as instruções oferecidas por esta renomada enciclopédia: "Se você desejar utilizar material da Wikipédia nos seus próprios livros, artigos, sítios ou outras publicações, pode fazê-lo, mas tem de obedecer à GNU FDL. Se estiver simplesmente a duplicar o artigo da Wikipédia deverá obedecer à secção 2 da GFDL, sobre cópia textual."
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