Guerra dos Cheiros
Por Rubens Valentim
22/01/2008
Começarei este artigo com o trecho do depoimento de uma amiga minha, que relatou
sua experiência ao entrar numa loja aromatizada: “... não agüentei ficar 10
minutos dentro da loja. O perfume estava extremamente forte, mal conseguia
respirar lá dentro!”.
Esse case acima é uma constatação de que muitas lojas do seguimento varejista,
em especial as lojas que ficam dentro de shoppings centers, vivem hoje o que
chamamos de “Guerra dos Cheiros”. Não entenderam? Vou explicar...
Ao ir num shopping você notará que inúmeras lojas se encontram aromatizadas,
isso porque o segmento varejista adotou o marketing olfativo como uma ferramenta
necessária para conquistar clientes, agregar valor à marca, entre outros. Mas
como essas lojas ficam próximas uma das outras, a comparação de uma aromatização
com a outra é inevitável.
Ai é que está o problema! Os responsáveis pelas lojas ao fazerem isso podem
encontrar lugares onde a aromatização esteja mais forte. Isso ocorre, pois uma
fragrância é composta por várias notas olfativas e cada uma destas notas, possui
um comportamento diferente no ambiente. Um exemplo disso são as fragrâncias com
notas ozônicas, que são mais suaves que as florais, ou seja, o ambiente que for
aromatizado com uma fragrância ozônica terá um comportamento diferente de outro
que utiliza uma fragrância mais floral.
Em alguns casos o dono da marca compreende essa diferença e contínua seguindo o
seu projeto de marketing olfativo já estabelecido, mas alguns pedem para que a
dosagem da aromatização seja aumentada, para que assim, o cheiro da sua loja
ultrapasse o da outra.
Não obstante, ele esquece que a outra loja também está atenta e toma a mesma
providência, entrando assim num ciclo vicioso!
Quem é o maior prejudicado na história? Uma dica: volte ao primeiro parágrafo
deste artigo.
O consumidor é o maior prejudicado e as lojas não percebem isso. Elas se
deslumbram com a idéia de ter uma aromatização tão forte a ponto de aromatizar
os corredores dos shoppings, chamando a atenção de todas as pessoas que andam
por eles. Porém estas pessoas não são necessariamente seus clientes potenciais,
clientes estes que entram na loja e que infelizmente podem sentir-se incomodados
com o excesso de fragrância no ar.
Como resultado, eles ficam menos tempo do que de costume dentro das lojas. Isso
vai de encontro um dos principais fundamentos do marketing olfativo com relação
ao segmento varejista: aumentar o tempo de permanência do cliente dentro do
estabelecimento.
Outro grave problema tem haver com os funcionários da loja, que ficam mais de
seis horas trabalhando num ambiente insuportável para eles. Problema esse que
certamente não ocorreria se a dosagem da aromatização fosse aplicada
corretamente.
Por isso, nós da Biomist sempre explicamos que a aromatização ideal para uma
loja deve ser suave, o suficiente para que o cliente perceba que a loja está
sendo aromatizada ao entrar nela. Isso é mais do que o suficiente para ele se
sentir bem e fazer suas compras sem incomodo algum.
Com o tempo o mercado irá amadurecer e os lojistas irão perceber que nada em
excesso é bom, nem mesmo as mais doces fragrâncias.
* Rubens Valentim é analista de marketing da Biomist, com formação em
Gerenciamento da Comunicação Empresarial e Comunicação Social – Publicidade e
Propaganda. Contatos através do site www.biomist.com.br ou e-mail mkt.rubens@biomist.com.br