Impedindo a Perda do Conhecimento da Empresa
Por Henrique Montserrat Fernandez
21/09/2007
Reter talentos e o incentivo à obtenção por parte dos colaboradores de novas
competências profissionais, gera benefícios mútuos e evita a perda do
conhecimento da empresa. Entretanto, isso ainda é insuficiente para a
organização, uma vez que, seu conhecimento está disperso nos cérebros das
pessoas, o que mais cedo ou mais tarde, tende a diluir esse conhecimento e
mesmo, pode pô-lo a perder, principalmente com o advento do crescimento do
negócio.
Visando evitar que isso ocorra, uma organização em crescimento deve utilizar
maneiras de evitar essa perda.
Convertendo o Conhecimento
O Conhecimento pode ser tácito – quando sua fonte for informal e basicamente
estiver armazenado na cabeça das pessoas -- e explícito – quando a fonte for
essencialmente textual, como, por exemplo, em livros, relatórios, bancos de
dados de computador, ou outras mídias acessíveis por qualquer pessoa.
Um tipo de conhecimento é tão importante quanto o outro. Mas como o conhecimento
tácito, na maior parte das vezes, está disponível apenas na cabeça das pessoas
envolvidas em determinada atividade ou tomada de decisão, isso dificulta em
muito a disseminação e o uso futuro desse conhecimento. Portanto, converter o
conhecimento de um tipo no outro é fundamental.
Existem quatro tipos de conversão de conhecimento, descritos no livro Criação de
Conhecimento na Empresa (1997 - Ed.Campus), de Ikujiro Nonaka e Hirotaka
Takeuchi, professores da Universidade Hitotsubashi no Japão:
- Tácito para Tácito (atividade de socialização): através do compartilhamento de
informações e conhecimento entre pessoas e equipes – essencialmente quando uma
pessoa fala para outra(s);
- Tácito para Explícito (atividade de externalização): realizado quando
transpomos algo que está em nossas cabeças para relatórios; quando descrevemos
processos por escrito (ex.: ISO 9000); gravamos dados em arquivos, ou mesmo
vídeos, por exemplo;
- Explícito para Explícito (atividade de combinação): quando geramos através da
disseminação dos conhecimentos explícitos o chamado aprendizado organizacional,
efetuado quando, por exemplo, divulgamos relatórios por e-mail; quando acessamos
as pastas de procedimentos da empresa etc.;
- Explícito para Tácito (atividade de internalização): quando geramos resultados
(tomamos decisões) através da aplicação do que foi aprendido através das fontes
textuais.
Qualidade e Informação: A Exigência do Negócio
Hoje, é muito comum uma empresa ter de atender certos pré-requisitos de
qualidade de seus clientes para poder fazer negócios com eles. Por exemplo, na
indústria automobilística, as montadoras exigem de seus fornecedores o
atendimento da Norma QS-9000.
Uma das normas mais comuns e amplamente implementadas no Brasil e no mundo nos
anos 90 foi a ISO 9000.
Inicialmente como modismo e diferencial de “marketing” (leia-se propaganda), a
norma rapidamente espalhou-se entre as empresas brasileiras.
Trabalhei vários anos com essa norma e sei que há muitas empresas que não a
levam a sério como deveriam. Algumas delas acabam relaxando de tal forma após a
certificação, que podem perder o certificado conferido. Trata-se de um tolo
desperdício de tempo, dinheiro, credibilidade e principalmente oportunidade,
perder a certificação tão duramente obtida. Empresas que agem assim não deveriam
nem cogitar sua certificação.
Uma das coisas que cansei de frisar a empresários em se tratando de normas da
qualidade é que sua utilização é estratégica para as empresas. Os ganhos obtidos
através da organização das atividades e principalmente do conhecimento que se
acaba resgatando, preservando e difundindo pela organização é o que realmente
vale a pena para a empresa, muito mais do que apenas o título de empresa
certificada, ou a exigência contratual feita por algum cliente.
Só para se ter uma idéia de como é útil, a norma ISO 9000 conta com excelentes
mecanismos de controle tais como análises críticas periódicas do sistema da
qualidade em si, dos contratos e dos pedidos dos clientes, além de auditorias
internas da qualidade, passando pelos processos de aquisição e relacionamento
com os fornecedores, inspeção e ensaios dos produtos/serviços realizados ou
adquiridos, controle dos equipamentos de medição utilizados nos processos, do
treinamento necessário e recebido pelos Recursos Humanos envolvidos, bem como,
enfatizo, o registro e controle de todos esses processos e dos dados obtidos em
sua utilização.
Baseando-se nessas abordagens e adotando atitudes pró-ativas, a empresa só tem a
ganhar através do eficiente uso do conhecimento adquirido, armazenado e
difundido e da parceria com seus recursos humanos.
Henrique Montserrat Fernandez é Administrador de Empresas com pós-graduação em Análise de Sistemas e MBA em Tecnologia da Informação / E-management pela Strong/FGV. Com 29 anos de atuação profissional, trabalhou em empresas de médio e grande portes, tais como Grupo Bonfiglioli, Copersucar e SENAC, entre outras. Foi Gerente de Sistemas e Métodos da Zanthus, tradicional fabricante de Terminais Ponto de Venda, onde atuou por mais de seis anos. Foi também professor universitário na década de 90.