A Importância da Utilização do Endomarketing para a Gestão Pública Estratégica
Por: Marcos Haroldo Costa Júnior e Flávio Tófani
23/10/2007
Resumo
Neste início de século XXI, a qualidade no atendimento dos serviços tem sido
alvo de estudos e considerada um fator essencial para atração e manutenção de
clientes, gerador de uma vantagem competitiva e da melhoria da imagem das
empresas. O setor público tradicionalmente não se preocupa com a manutenção de
clientes, mas deve se preocupar com o atendimento das necessidades desses e com
a sua própria imagem, prestando serviços que atinjam, e até mesmo superem, as
expectativas. Para isso é preciso que ocorra uma modernização da máquina
pública, além da valorização dos funcionários, para que estes, dentro das
perspectivas do endomarketing, estejam bem informados, bem preparados,
satisfeitos e bem remunerados e deixem os clientes bem igualmente bem informados
e satisfeitos com os serviços recebidos. É necessário também que eles sejam
capacitados e treinados para consolidar e tornar irreversível o processo de
melhoria contínua na prestação de serviços públicos.
Palavras chave
Administração; Endomarketing; Gestão Pública; Serviços; Comunicação Interna
1 INTRODUÇÃO
Os órgãos públicos estão buscando uma melhor prestação de serviços e a prova
disso é que algumas esferas de governos estão inclusive normatizando o assunto.
Isso significa que a questão da qualidade no atendimento não é assunto exclusivo
da iniciativa privada, mas é uma preocupação também da administração pública.
É importante empregar sempre a atenção, o respeito e a cortesia no tratamento a
ser dispensado aos usuários. Algumas prioridades devem ser observadas no
atendimento como, por exemplo, o tempo de espera, os prazos para o cumprimento
dos serviços, as formas de comunicação com os usuários, os procedimentos para
atender a reclamações, as formas de identificação dos servidores, e as condições
de limpeza e conforto de suas dependências. Estes fatores formam o elenco a ser
observado pelos órgãos e entidades públicas no estabelecimento dos padrões de
qualidade no atendimento.
Como prestador de serviços de qualidade, precisa-se não apenas oferecer
atendimento ágil e digno ao cidadão, mas também promover a eficácia na gestão
pública. Avançar na educação e na saúde, ampliar a infra-estrutura, estimular o
desenvolvimento das cidades, dos estados e do país e, assim, democratizar de
fato o acesso da população aos serviços essenciais.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Contextualização das Teorias da Administração
Há muitos anos a valorização do ser humano vem sendo estudada. Dentre os
princípios fundamentais da Teoria da Burocracia, desenvolvida no início do
século XX e formalizada por Max Weber, pode-se destacar a formalização, com a
presença de regras bem definidas e formalizadas por escrito, a divisão do
trabalho, a hierarquia, a previsibilidade, a profissionalização dos
funcionários, a impessoalidade e a meritocracia. Porém, nesta teoria as relações
informais não têm razão de existir. O funcionário burocrático é visto como peça
de uma máquina e a expectativa que se tem dele é um comportamento formal e
padronizado, para o cumprimento exato das tarefas e funções que lhes estão
destinadas.
Neste contexto o salário não é determinado pelo trabalho realizado, mas pelas
funções que integram esse trabalho e pelo tempo de serviço. O funcionário
burocrata não é dono do seu posto de trabalho, as funções que executa e o cargo
que ocupa são totalmente independentes e separados da posse privada. Segundo
Chiavenato (2004) o principal enfoque desta teoria é a estrutura.
Já a Teoria das Relações Humanas, desenvolvida em 1932, cria novas perspectivas
para a administração, buscando conhecer as atividades e sentimentos dos
funcionários. Até então, o trabalhador era tratado pela Teoria Clássica de forma
muito mecânica. Com os novos estudos o foco mudou e do homo economicus o
trabalhador passou a ser visto como homo social. A partir desse momento
começa-se a pensar na participação dos funcionários na tomada de decisões e na
disponibilização das informações para eles.
A Experiência de Hawthorne, realizada por Elton Mayo em uma fábrica de Chicago,
consistia em estudos na busca por variáveis que influenciassem o processo
produtivo. Ele estudou a influência da luminosidade, da qualidade do ambiente de
trabalho e do trabalho em grupo. Chegou a conclusões surpreendentes e novas
variáveis foram acrescentadas ao dicionário da administração. A integração e o
comportamento social dos empregados são relevados, assim como as necessidades
psicológicas e sociais. Dá-se atenção para novas formas de recompensa e sanções
não-materiais. Releva-se também o estudo de grupos informais e da chamada
organização formal, o despertar para as relações humanas dentro das
organizações, a ênfase nos aspectos emocionais e não-racionais do comportamento
das pessoas, e a importância do conteúdo dos cargos e tarefas para as pessoas.
A Teoria das Relações Humanas considera o trabalhador como parte integrante de
um grupo, e não mais como indivíduo isolado, e considera não só as necessidades
matérias e financeira, mas também as necessidades psicológicas e de estima de
cada indivíduo e de cada grupo.
Segundo Chiavenato (2004), apesar da mudança de paradigma e da alteração do
enfoque na estrutura para um enfoque nas pessoas com ênfase na organização
informal, na motivação, na liderança, nas comunicações e na dinâmica de grupo,
esta teoria recebeu diversas críticas e precisou de uma reestruturação, dando
origem à Teoria Comportamental.
A Teoria Comportamental, discutida desde a década de 40, revela uma maior
integração dos objetivos organizacionais e individuais e um reconhecimento das
necessidades secundárias dos trabalhadores, como demonstrado na pirâmide de
Maslow, que é a determinação das necessidades humanas hierarquizadas, divididas
em necessidades: fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e de
auto-realização.
As teorias da administração evoluíram muito ao longo do tempo e o conhecimento e
o entendimento destas são importantes para que os gestores atuais possam
administrar as organizações.
2.2 Conceitos de Gestão pública
Os conceitos e as teorias da administração são aplicáveis tanto às instituições
privadas quanto às instituições públicas. A grande diferença é que na
administração pública o gestor só pode fazer aquilo que a lei permite, enquanto
na administração privada o gestor pode fazer tudo aquilo que a lei não proíbe.
Dessa forma, ao administrador público cabe aplicar estritamente o que está
regulamento legalmente e ao administrador de instituições privadas cabe a
aplicação de qualquer princípio ou ação que não tenha impedimento legal.
Segundo Lane (2000) a administração no setor público engloba todas as atividades
de governo, todos os tipos de finanças públicas e regulação.
As atividades do governo consistem, entre outras, na oferta de serviços por
parte dos órgãos públicos, tendo a sociedade com principal cliente. A qualidade
dos serviços oferecidos deve ser considerada, e nesse casso é, em muitas vezes,
insatisfatória.
Para Grönroos (1993), a qualidade dos serviços deve ser destacada também porque
no setor público, onde o serviço originalmente significa um elemento-chave,
passaram a dominar a burocracia excessiva e outros elementos negativos.
2.3 A nova mentalidade da Gestão Pública em Minas Gerais – O Choque de Gestão.
A situação que antecedia o Choque de Gestão era no mínimo preocupante. Segundo
Anastasia (2006) Em 2002 o panorama da Administração Pública em Minas Gerais era
caótico, assim como em diversos outros Estados federados. O quadro desenhado era
de déficit orçamentário existente desde 1996, os recursos para o custeio e para
investimento eram praticamente inexistentes e o processo de sucateamento da
máquina administrativa era evidente. Esse quadro não foi fruto da administração
específica de nenhum governador anterior, e nem foi intencionalmente construído,
mas foi um resultado de um somatório de fatores negativos e anos de uma gestão
pública não voltada para os resultados, sem critérios de metas e formas de
acompanhamento de desempenho dos órgãos e servidores.
Foi nesse contexto que o Governador Aécio Neves assumiu o estado de Minas Gerais
em 2003 e deu início à implantação do projeto “Choque de Gestão”. Foram
definidos novos valores e princípios e vislumbrou-se uma nova cultura
comportamental do setor público mineiro voltado para o desenvolvimento
sustentável da sociedade dentro de padrões éticos rigorosos e critérios para
medição de desempenho de órgãos e servidores, além de adotar fatores de estímulo
para estes.
Segundo Vilhena (2006, p.21) “o choque de gestão é um conjunto integrado de
políticas de gestão pública orientado para o desenvolvimento”.
Uma das primeiras medidas do Choque de Gestão foi a criação da Secretaria de
Estado de Planejamento e Gestão – SEPLAG, definida com responsável por conduzir
o Choque de Gestão.
2.3.1 Fundamentos do Choque de gestão
Para balizar este projeto, as políticas de gestão pública foram mapeadas nas
dimensões aplicação e agregação de valor, foram integradas e tinham sua
orientação para o desenvolvimento.
a) A agenda estratégica de governo
Segundo Almeida e Guimarães (2006) o governo de Minas Gerais passou a adotar o
duplo planejamento, que consiste em planejar o presente visando resultados
imediatos e planejar o presente visando o futuro. Prova disso é a existência de
instrumentos de planejamento para o longo prazo (Plano Mineiro de
Desenvolvimento Integrado - PMDI - sem prazo de vigência), médio prazo (Plano
Plurianual de Ação Governamental - PPAG - desdobramento do PMDI para o período
de quatro anos) e curto prazo (Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO - e Lei
Orçamentária Anual - LOA - detalhamento das previsões físicas e financeiras do
PPAG para cada exercício).
Do planejamento estratégico do Estado extraíram-se as diretrizes estratégicas
que foram base para a definição dos principais projetos que seriam realizados e
que teriam prioridade. Esses projetos mais relevantes são os chamados Projetos
Estruturadores, que possuem resultados esperados mensuráveis e são acompanhados
mensalmente pelo escritório de projetos do Governo batizado de GERAES – Gestão
Estratégica de Recursos e Ações. Desta forma os recursos estratégicos são
melhores geridos.
b) O alinhamento das organizações
Segundo Marini (2006), visando promover o alinhamento das organizações à nova
mentalidade do Governo houve a contratualização de resultados mediante
negociação realizada entre dirigentes de órgãos e entidades do Poder Executivo
ou gerentes de unidades administrativas com autoridades que tenham poder
hierárquico ou de supervisão sobre estes. Este acordo de gestão é denominado
“Acordo de Resultados”. Como contrapartida aos resultados alcançados, algumas
autonomias gerencias previstas na Lei são concedidas.
c) O alinhamento das pessoas
Visando promover o alinhamento das pessoas foi instituída legalmente a
“Avaliação de Desempenho Individual – ADI”. De acordo com Silva (2006), este
novo processo tem como objetivo contribuir para a implementação do princípio da
eficiência na Administração Pública do Poder Executivo Estadual, fornecer
informações e subsídios para a gestão da política de recursos humanos e melhorar
continuamente o desempenho dos servidores e dos órgãos e entidades do Poder
Executivo Estadual.
É importante que os servidores sejam valorizados e reconhecidos mediante um
desempenho eficiente e tenham suas necessidades e as prioridades de capacitação
identificadas.
Além disso, o estreitamento das relações interpessoais e a cooperação dos
servidores disseminam o conhecimento e a adequação funcional é muito positiva. A
implementação da ADI visa também contribuir para o crescimento pessoal e
profissional do servidor, para a identificação e desenvolvimento de habilidades
e talentos, para identificar suas condições de trabalho, para produzir
informações gerenciais, para estimular a reflexão e a conscientização do papel
de cada servidor no contexto organizacional, e para ser um instrumento de o
alinhamento das metas individuais com as metas institucionais e com a agenda
estratégica de Governo.
A avaliação é realizada por uma comissão composta pela chefia imediata, além de
representantes eleitos pelos próprios funcionários. O Plano de Gestão do
Desempenho Individual – PGDI, que é um documento contendo as metas, atividades,
tarefas e prazos de cumprimento pactuado entre o servidor e sua chefia imediata,
e a entrevista na qual o servidor tem a oportunidade de expor o seu ponto de
vista em relação ao seu próprio desempenho e sobre suas condições de trabalho
são as bases para a avaliação.
d) Reestruturação das Carreiras e das Competências
Além da Avaliação de Desempenho Individual, ainda visando o alinhamento das
pessoas, foi realizado um processo de reestruturação e implantação das carreiras
dos servidores públicos do Poder Executivo do Estado de Minas Gerais. De acordo
com Silva (2006), após 11 anos, todas as carreiras dos aproximadamente 390.000
servidores, ativos e inativos, foram reestruturadas.
O realinhamento das competências pressupõe pessoas que detenham conhecimento,
habilidades e atitudes, tendo seu potencial explorado ao máximo para atingir os
melhores resultados na esfera pessoal, institucional e governamental. Pressupõe
também a capacitação constante das pessoas. Para tornar isso possível o Governo
passou a utilizar da sua própria estrutura. A Escola de Governo é uma diretoria
da Fundação João Pinheiro que oferece capacitação aos servidores nos diversos
níveis. Além de possuir cursos de capacitação e treinamento para o Choque de
gestão, possui curso superior, curso de especialização e curso de mestrado,
todos esses em administração pública. Existem também outras instituições
responsáveis pelo desenvolvimento de pessoas em áreas especificas como saúde e
segurança, por exemplo. Portanto torna-se claro a preocupação e a valorização da
política de desenvolvimento de servidores.
e) Outros resultados do Choque de Gestão
Além dos resultados já mencionados o Choque de Gestão promoveu o alinhamento dos
sistemas administrativos, incluindo aí a modernização da folha de pagamento e
das bases de dados funcionais dos servidores, a modernização e o alinhamento
estratégico da política de compras, novas ações no âmbito da governança
eletrônica e a implantação do modelo de auditoria de gestão.
Outro aspecto fundamental para o governo de Minas Gerais, que possibilitou a
efetiva implantação do Choque de Gestão e a recuperação da credibilidade do
estado, foi o alinhamento do pressuposto fiscal. A modernização da gestão da
receita, a modernização da gestão do Tesouro Estadual e melhoria substancial da
gestão do gasto permitiram o equilíbrio da contas do Estado. Como conseqüência
disso o estado recuperou a credibilidade no mercado e aumentou sua capacidade de
endividamento, permitindo a entrada de mais recurso e mais investimentos no
Estado de Minas Gerais.
f) O futuro do Choque de Gestão
Os resultados alcançados pelo Choque de Gestão foram satisfatórios, e geraram
conhecimento e aprendizado não só para o Estado de Minas Gerais, mas para todos
os entes federados e para todos os gestores públicos. Porém, o grande desafio,
de acordo com Vilhena (2006, p.354), “é o de consolidar, institucionalizar o
processo de transformação, de forma a assegurar a sua irreversibilidade...”
O Choque de Gestão precisa ser internalizado pelos servidores para que os
princípios e experiências positivas sejam mantidos independentemente de fatores
externos, como por exemplo, a troca de dirigente ou o contexto político. É
exatamente por isso que a valorização dos servidores é um dos tripés da segunda
fase do Choque de Gestão (O choque de Gestão de primeira fase refere-se ao
período do primeiro mandato do governador Aécio Neves, e a segunda fase ao seu
segundo mandato).
A segunda fase do Choque de Gestão aprofunda as mudanças estruturais e aprimora
instrumentos de gestão para melhorar ainda mais a eficiência do serviço público,
e busca tornar Minas Gerais o melhor estado para se viver.
2.4 O importante papel do Marketing
2.4.1 principais conceitos de Marketing
Para Kotler (2000) “o profissional de marketing precisa tentar compreender as
necessidades do mercado-alvo, seus desejos e suas demandas.”
Richers (2000) define o marketing simplesmente como a intenção de entender e
cliente para atender ao mercado. Sem entender as necessidades do seu
público-alvo a organização não tem como se preparar para atendê-lo.
O atendimento das necessidades dos clientes na esfera pública é essencial para a
manutenção e para o desenvolvimento da sociedade, o que torna os serviços
públicos muito importantes. É necessário que os serviços públicos sejam de boa
qualidade, mas muitas vezes é perceptível a morosidade, a dificuldade e a má
qualidade do serviço público brasileiro.
Segundo Grönroos (1993), os seis critérios da boa qualidade percebida do serviço
são: Profissionalismo e Habilidades, Atitudes e Comportamento, Facilidade de
Acesso e Flexibilidade, Confiabilidade e Honestidade, Recuperação, Reputação e
Credibilidade. Observando tais critérios torna-se imprescindível uma mudança
radical de posicionamento dos governos em relação ao atendimento das
necessidades da sociedade.
O “Choque de Gestão” apresentado é uma atitude louvável que precisa ser
disseminada e adaptada em todos os estados da federação para que o Brasil atenda
as necessidades dos brasileiros como Minas Gerais tem atendido as necessidades
dos mineiros no que lhe compete legalmente.
Porém é necessário entender que a mudança ocorre de dentro para fora. O agente
público prestador de serviço precisa estar preparado para entender a atender ao
cidadão.
2.5 Conceituação de Endomarketing
Para Brum (2000, p.34) “Quem é capaz de surpreender o consumidor é o
funcionário. Para isso ele precisa ser bem preparado, bem informado, criativo e
feliz.”. Ainda segundo Brum (2000), o endomarketing consiste em fornecer
educação, carinho e atenção ao funcionário, preparando-o e informando-o para que
este possa se tornar também uma pessoa feliz e criativa, capaz de encantar,
surpreender e entusiasmar o cliente.”
Já para Bekin (1995, p. XVII) a definição de endomarketing consiste em “ações de
marketing para o público interno – FUNCIONARIOS – das empresas e organizações.”
Bekin (1995, p. XVII) também conceitua o endomarketing como “um processo cujo
foco é sintonizar e sincronizar, para implementar e operacionalizar, a estrutura
de marketing da empresa ou organização que visa ação-para-o-mercado.”
Brum (2000, p.41) considera ainda que endomarketing seja “aquilo que estimula
positivamente os sentidos dos funcionários e permite que a empresa estabeleça
com ele relacionamentos saudáveis, duradouros e, sobretudo, produtivos...”.
Grönroos (1993) afirma que a premissa do endomarketing é existir uma troca
interna eficaz entre a organização e as equipes de empregados antes da empresa
obter sucesso no alcance de suas metas relativas ao mercado externo.
Percebe-se claramente que o foco do endomarketing são as pessoas. Metas,
objetivos, planos, estratégias, gráficos e ferramentas de gestão são ótimos, mas
são as pessoas que realizam o trabalho e podem, a partir daí, gerar diferencial
competitivo, já que em muitos aspectos os serviços, de modo geral, no Brasil,
deixam a desejar.
Segundo Brum (2000, p.31) “quando surgiu no Brasil o endomarketing era utilizado
por empresas do segmento industrial, na ânsia de serem mais competentes que os
sindicatos na comunicação com os funcionários”. Esse movimento de implantação
foi evoluindo e o endomarketing pôde sair de dentro da fábrica para tornar-se
mais uma arma na luta pela conquista e conservação do cliente, pois passou a ser
entendido como uma atitude positiva proveniente de um funcionário igualmente
positivo.
Os órgãos públicos, em sua maioria, têm clientes cativos por serem únicos
fornecedores de determinados serviços ou pela relação de dependência do cidadão
que não tem condições de arcar com gastos extras por um mesmo tipo de serviço
prestado pelo governo (saúde e educação são exemplos). Desta forma, o grande
foco é o atendimento das necessidades do cliente com qualidade, haja visto que
não existe a necessidade de manutenção de clientela.
Percebe-se que a capacitação do funcionário público é o cerne da questão. Os
funcionários públicos precisam estar sempre bem informados, já que o principal
produto do endomarketing é a informação de acordo com Brum (2000).
2.5.1 O Endomarketing como base para a cultura de serviços dentro da esfera
pública.
Segundo Carlzon (2005) um funcionário que não possui informações não pode
assumir responsabilidades, mas o funcionário que as detém não pode deixar de
assumir responsabilidades.
Um funcionário público capacitado, bem informado, bem remunerado e satisfeito é
o primeiro passo para que um governo consiga atender as necessidades e desejos
da sua população. Por outro lado, Grönroos (1993, p. 136) defende que “uma falta
de interesse em realizar um bom serviço e atitudes e comportamentos negativos e
antipáticos por parte dos empregados têm um impacto bastante negativo no aspecto
funcional da qualidade percebida do serviço.” O resultado disso é um efeito
retroativo na produtividade.
Para Cerqueira (2002) um projeto de endomarketing estabelece comunicação nos
dois sentidos. Isso é, uma comunicação integrada gera uma base de relacionamento
inter-pessoal que desenvolve a auto-estima das pessoas, além de facilitar a
prática da empatia e da afetividade.
Ainda segundo Cerqueira (2002), o endomarketing melhora o relacionamento, a
comunicação, e estabelece uma base motivacional para o comprometimento das
pessoas com as pessoas e das pessoas com a organização.
As pessoas comprometidas, capacitadas, satisfeitas, bem remuneradas e bem
informadas em relação aos objetivos da empresa, conscientes das metas do seu
grupo de trabalho e das suas metas pessoais, com a estrutura e apoio para
realização do seu serviço terão maiores possibilidades de gerarem resultados
excelentes.
2.5.2 O papel da Comunicação Interna
Pode-se considerar então que o fluxo de informações é uma atividade crítica, que
precisa de investimentos e constante monitoramento. Porém deve-se considerar
também que a comunicação não é uma atividade exclusivamente técnica. Para Brum
(2000) existem três componentes básicos para que a comunicação interna seja
realmente eficaz que são a poesia, o bom humor e o respeito pelo funcionário.
Quando a empresa começa a perceber que seu diferencial são as pessoas, passa a
existir preocupação com o desenvolvimento e o fortalecimento das relações entre
elas. A partir do momento que o crescimento organizacional está ligado à
satisfação dos servidores no ambiente de trabalho, a criação de meios de
comunicação começa a ser pensada de melhor forma.
Nassar (2000) ensina
Muitos gestores ainda pensam a comunicação dirigida para os funcionários como se
ela fosse um conjunto de recomendações didáticas. Para quem está querendo se
comunicar eficazmente com os colaboradores, é importante compreender que as
denominações “comunicação interna” e “público interno” são atualmente muito
perigosas. Elas conduzem a um pensamento administrativo absolutamente
geográfico, cartesiano, pelo qual os funcionários “estão presos” dentro da
arquitetura física e mental das empresas.
É possível abordar a comunicação interna em níveis diferentes. Pode-se entender
por comunicação interna o processo de comunicação dentro de cada órgão
governamental ou pode-se entender por comunicação interna o processo de
comunicação que ocorre entre os órgãos de governo. Para este artigo será
considerada esta segunda opção, chamada de comunicação intra-governamental.
a) veículos de aproximação, integração e informação internas
O governo de Minas Gerais possui alguns sistemas corporativos que facilitam a
comunicação entre os órgãos e entidades do poder Executivo e os órgãos de
Controle. Exemplos disso são o SIAF – Sistema Integrado de Administração
Financeira - que permite ao órgão usuário, à SEPLAG – Secretaria de Estado de
Planejamento e Gestão - e à SEF – Secretaria de Estado de Fazenda - o
acompanhamento da execução orçamentária e financeira; o SIAD - Sistema Integrado
de Administração de Materiais e Serviços – composto de vários módulos e que tem
por objetivo registrar, controlar e fornecer informações gerenciais sobre os
materiais e serviços disponíveis, o SIGCON – Sistema de geral de convênios - que
tem o objetivo de possibilitar o gerenciamento dos convênios firmados pelo
governo de Minas Gerais e o SIGPLAN – Sistema de Informações Gerenciais e de
Planejamento. Todos estes sistemas corporativos permitem aos órgãos de controle
um acompanhamento on-line da situação dos órgãos e entidades do estado, além de
promover a disseminação do conhecimento e de experiências por meio da interface
que ele possibilita.
Além desses sistemas corporativos, a comunicação interna no âmbito do governo se
dá oficialmente por meio de reuniões, correspondências oficiais, fóruns,
informações disponibilizadas via internet, entre outros, e informalmente por
meio de telefone, e-mail, contatos pessoais, entre outros.
A comunicação informal e não sistematizada é recorrente e tem grande importância
para a resolução imediata de pendências ou conflitos.
b) planejamento interno do fluxo de informações
O planejamento interno do fluxo de informações no âmbito do governo é
sistematizado, e no âmbito dos órgãos e entidades, na maioria das vezes, também
o é. Apesar disso existe certa flexibilidade e diferenças de fluxos para um
mesmo processo dentro de órgãos diferentes. Isso se deve às diferenças
estruturais, às diferenças de natureza desses órgãos e às prerrogativas de cada
dirigente máximo de órgão ou entidade.
Porém, pelo fato de existirem requisitos legais para as ações dos agentes
públicos, as diferenças de fluxo são pequenas e até mesmo irrelevantes.
É importante ressaltar também que existe no Governo de Minas Gerais, desde a
implantação do Choque de Gestão, a diminuição do fator improviso no serviço
público o que facilitou substancialmente o planejamento das ações em todas as
áreas, inclusive na área da comunicação.
Conclusão
A comunicação interna é fundamental para o bom funcionamento do endomarketing,
que tem como premissa funcionários bem informados, bem preparados e felizes para
atender os clientes com qualidade, eficiência e eficácia. Esta é uma forma de
realizar o que o marketing defende e preconiza que é o atendimento das
necessidades e expectativas dos clientes.
Levando-se em consideração que as necessidades básicas da sociedade brasileira e
mineira ainda não são completamente atendidas pelos serviços públicos
oferecidos, o grande desafio está lançado, que é melhorar continuamente a
qualidade dos serviços prestados e consolidar, institucionalizar e assegurar a
irreversibilidade dos resultados alcançados.
Os esforços do Governo de Minas Gerais em estruturar e melhorar a qualidade dos
serviços prestados são inovadores, relevantes e já atingiram resultados
surpreendentes e até mesmo históricos. Mas para que este modelo de gestão que
busca melhores resultados e melhoria contínua se perpetue, é necessário que os
servidores continuem sendo cada vez mais valorizados e capacitados. Se estes
internalizarem estas premissas e diretrizes do Choque de Gestão, o Estado deverá
continuar no rumo certo, independente das constantes mudanças de governo que
envolvem questões políticas e partidárias. Os servidores são componentes ativos
e importantes na construção e manutenção do desse governo, sendo co-responsáveis
pelo desenvolvimento planejado do estado.
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