Inativos: São os Clientes ou a minha Empresa?
Por Yvan Nepomuceno
20/08/2007
Nossa empresa tem um excelente corpo de representantes, estamos bem
estruturados comercialmente e os custos e a qualidade de nossos produtos
estão adequados ao mercado.
Mesmo assim, porque tenho um elevado número de clientes inativos?
Vamos fazer um exercício para entender o que acontece.
O caminho que os meus produtos percorrem até chegar ao consumidor final é
muito claro. Minha indústria vende para os atacadistas e varejistas que por
sua vez fazem a venda aos consumidores finais.
Passaremos a chamar esses atacadistas e varejistas de parceiros, aqueles que
são o nosso braço estendido junto ao consumidor final e entender o que eles
pensam e esperam de nossa empresa.
Devemos ter em mente a importância dessa parceria, uma vez que eles estão
próximos dos consumidores finais de nossos produtos, conhecem seus hábitos e
expectativas e tem contato direto com os nossos concorrentes. Enfim, é
importante entender que em última análise, serão eles que induzirão os
consumidores finais a comprar os nossos produtos ou os da concorrência.
Vamos nos questionar:
A - Com que periodicidade escutamos os nossos parceiros? O nosso contato é
meramente comercial ou envolve também o desenho de estratégias para melhor
atender aos consumidores finais de sua região?
B - Quantas vezes tabulamos suas críticas e sugestões e formamos grupos de
trabalho internos com objetivo de implantá-las em nossa empresa?
Será realmente que enxergamos os nossos distribuidores e a rede de varejo
como parceiros ou simplesmente como canais de distribuição para os nossos
produtos?
São questões como essas, aparentemente simples, que quando ignoradas acabam
nos afastando dos distribuidores e da rede de varejo abrindo espaço para que
a concorrência se ponha ombro-a-ombro com os mesmos na busca de melhores
resultados de vendas e componham uma verdadeira parceria.
Parece óbvio, mas se os quisermos tê-los como parceiros, teremos antes de
tudo, de assumir uma postura de parceria com os mesmos.
A essa altura, você deve estar se questionando: Porque chamá-los de
parceiros e não simplesmente de clientes se o que importa nessa relação é o
preço, a qualidade e as condições comerciais que negociamos?
É simples: Não são eles que consomem os nossos produtos e sim os clientes
para quem repassam. Tê-los como parceiros significa abrir uma porta de
comunicação entre a sua indústria e os consumidores finais de seus produtos.
É uma nova postura comercial, onde deixamos de criticá-los e passamos a
vê-los como aliados cujo objetivo comum é obter melhores resultados de
vendas junto ao consumidor final.
Passar a vê-los como parceiros irá requerer uma certa dose de sacrifício,
paciência e principalmente sensibilidade para escutá-los, mas trará inúmeros
benefícios, pois nos aproximará dos consumidores finais de nossos produtos.
Mas como escutá-los se mal nos falamos? Se foram anos de relacionamento
mercantilista onde o foco era o preço, as condições comerciais e os prazos
de entrega? Como transformar esse relacionamento em uma parceria voltada a
se obter melhores resultados de vendas junto aos consumidores finais?
Em primeiro lugar devemos nos questionar se nossa empresa realmente está
disposta a assumir essa postura. Se, está preparada para entender que se
abrirá uma porta por onde entrarão novas idéias. Se, estamos dispostos a
entender que em uma relação de parceria a opinião de nossos parceiros muitas
vezes pode ser mais coerente do que nossa própria opinião.
Enfim, se estamos preparados para redesenhar nossa empresa em função das
informações que virão dos consumidores finais de nossos produtos por
intermédio de nossos parceiros.
Os primeiros passos para transformar nossos Clientes em Parceiros são:
A Comunicação e a Integração são fundamentais nesse processo. Então vamos
lá:
1 – Abra os canais de comunicação de sua empresa com seus parceiros. Observe
que o foco não é mais a venda, e sim captar e trabalhar novas idéias.
2 – Crie mecanismos de captação de idéias, você pode inclusive usar seus
representantes com essa função.
3 – Forme um comitê interno para análise, deliberação e implantação das
idéias aprovadas. Envolva nesse comitê a área Industrial, Comercial,
Logística e Financeira.
4 – Envolva a área de informática para a compilação das informações colhidas
no mercado.
5 – Crie forças tarefas para implantar as sugestões aprovadas pelo comitê.
6 – Envolva os seus parceiros no processo e os deixe informados de suas
ações internas.
Agora, vamos refletir:
Se minha empresa não estabelece um processo de parceria com seus
distribuidores e sua rede de varejo, o que eles devem pensar de nós? Que
estamos inativos?
Yvan Nepomuceno é consultor de empresas com foco na recuperação de clientes
inativos, ampliação da base de clientes e é o responsável pelo Projeto
Gerenciador de Vendas.
Fonte: site da Cristina Moutella: http://cmoutella.sites.uol.com.br/