Os Indicadores na Gestão
Por Wagner Herrera
23/05/2007
“O que não se pode medir, não se
pode gerenciar”
A importância dos indicadores
Os indices permeiam nosso cotidiano desde manhã quando abrimos o jornal até à
noite quando assistimos ao último telejornal. Nossas vidas são reguladas por
eles e, consequentemente, todos os reajustes em nossas despesas, como nos
serviços públicos, prestações, contratos, etc.
Igualmente, as previsões baseadas em pesquisas, séries históricas, tendências,
projeções... mostram um horizonte que permitem o planejamento evitando
transtornos com relação ao futuro; assim é, na agricultura, economia, comércio,
indústria e até mesmo na política com as pesquisas de intenção. Vivemos numa
sociedade competitiva baseada em números que indicam o posicionamento ante uma
concorrência generalizada por melhores condições de vida.
A sociedade é fortemente parametrizada e regulada, portanto os indicadores são
naturais para nós e buscamos cada vez mais balizarmo-nos neles, evitando assim,
estarmos à margem da zona de conforto, de segurança e de progresso, pois os
riscos com que nos deparamos na condução de nossas vidas devem ser minimizados,
enfim as garantias e o sucesso que buscamos obrigam-se ao monitoramento de
medidores que indiquem-nos tranquilidade, senão basta visitarmos uma cabina de
pilotagem de um avião de grande porte para termos a noção da importância deles.
Importância dos indicadores
Não faltam indicadores nas gestão empresarial: as áreas de RH, Finanças, Vendas,
contribuem com um elenco de parâmetros que posicionam a organização frente ao
cenário local, regional ou nacional.
E, isso é muito bom, mas não o suficiente!
A análise balizada em parâmetros genéricos espelha um posicionamento inerte
frente ao segmento da indústria de atuação, ao ambiente de inserção, à
sazonalidade da economia, mostrando uma filosofia de manutenção do status quo.
Numa analogia simplista, equivale a compararmo-nos ao vizinho no que é possível
avaliar com um muro a encobrir a real medida das respectivas competências,
capacidades, potenciais, infra-estrutura, evolução, oportunidades disponíveis...
Há que se buscar o que somos capazes de conseguir! Estar quites com os
investidores (stakeholders) e com uma participação cômoda no mercado num cenário
de turbulência é uma estratégia apenas de sobrevivência.
Indicadores que não espelhem esforços e metas buscadas nos programas internos de
melhorias dizem muito pouco à organização, senão o fato de estarmos navegando
juntamente com outros, que estão ao sabor dos ventos e das marés.
Classes de indicadores
Podemos aferir a eficiência, a eficácia e a efetividade da atuação
organizacional em três grandes grupos de indicadores:
1. Resultados: indicam o grau de sucesso no que foi realizado e que não dependem
exclusivamente das competência da empresa, vistos serem influenciados por
fatores externos, a saber: indicadores financeiros (lucro do período, retorno
sobre investimento..), os de Vendas (pedidos efetivados, faturamento líquido,
...), os de RH (rotatividade, absenteísmo), etc.
2. Desempenho: espelham o andamentos de processos. Grupo de indicadores que
medem empenho da organização em suas várias atividades, como Vendas (pedidos
tirados/dia, visitas à clientes/mês, itens por pedido..), Finanças (duplicatas
emitidas, receita líquida, pagamentos efetuados no período..), em RH
(treinamentos ministrados/área, contratações/mês).
3. Tendência: apontam para a possibilidade e temporalidade que as metas podem
ser atingidas.
Indicadores de mercado, econômicos ou sociais, que sinalizam movimentos na
atividade social em relação à demanda, poder de compra, satisfação da clientela;
ou por exemplo, pela implementação de um programa de treinamento ou de melhoria
contínua onde constata-se uma evolução no desempenho produtivo.
4. Capacidade: Mostram limites referenciais. Um exemplo seria a capacidade
produtiva, de atendimento, de distribuição, etc.
Natureza dos Indicadores
A construção e aplicação de indicadores resulta da necessidade de planejar e
controlar ações e resultados ensejados; sua utilização é orientada pelas visões
e percepções do gestor, pois não se mede o que não quer se gerenciar. Imagine um
motorista que não se preocupa com a velocidade! Velocímetro para ele é algo
desnecessário. Imagine ainda, um gestor que não planeja! Controlar seria tarefa
descabida e medir seria futilidade.
A formulação e implementação de programas de ações que visem melhorias no
desempenho da organização ou de uma área interna ou ainda, a gestão de processos
ou programas (projetos) requerem acompanhamento nas atividades-chaves que
permitam avaliar os esforços e a evolução conforme o esperado (planejado), para
tanto, faz-se necessário um painel com vários medidores como na cabina do
piloto, para se ter uma condução segura e o “vôo” sob controle.
Segundo a forma de obtenção e destinação, os indicadores sofrem as
classificações:
1. Determinísticos: resultantes de relações de causa e efeito.
Obedecem uma lei física, isto é, podemos afirmar que se uma causa está presente
o resultado será inevitável.
Probabilísticos: o resultado não é factível. Um exemplo: O tabagismo pode
provocar câncer, mas nem todo fumante contrairá a doença.
2. Simples: indicador que medem o resultado de uma atividade. Exemplo: peças
fabricadas por hora.
Compostos: também chamados “índices”. São resultantes de um conjunto de
atividades afins num panorama complexo. Um exemplo é o Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) resultante de quatro indicadores sociais.
3. Específicos: Mede um efeito singular.
Globais: Medem resultantes de várias atividades num setor, departamento ou na
empresa.
O presente artigo não pretende tipificar um elenco de indicadores nem esgotar
sua aplicabilidade e sim, tecer considerações sobre a necessidade e importância
dos mesmo na gestão.
Conclusão
Gestão sem um guia estruturado de indicadores é como dirigir um carro guindo-se
somente pelos retrovisores, vê-se tudo o que passou e só o que passou.
A metodologia do BSC (Marcador balanceado) de Norton e Kaplan apregoa que para
cada uma das metas buscadas no atingimento de um objetivo, deve-se definir um
indicador para avaliar o resultado da iniciativa.
Wagner Herrera é consultor com formação em Ciência da Computação e Engenharia de
Produção pela Universidade Mackenzie e graduando em Administração Estratégica
(lato sensu) na Faculdade Camões (CEDAEM) - Curitiba – PR; e cursos na área de
Planejamento Organizacional. - wagherrera@yahoo.com.br