Indústria X Varejo X E-consumidor. Tendências do Trade Marketing na Era Digital
Por Paulo Roberto Kendzerski
28/08/2007
O que é Trade Marketing?
Trade Marketing é o esforço de marketing feito pelos fabricantes para auxiliar
seus canais de distribuição a vender produtos. E neste artigo vamos analisar as
mudanças surgidas na última década no Trade Marketing e a influência da Internet
nestas mudanças.
A 1ª mudança aconteceu nos anos 90, devido a uma inversão da relação oferta X
demanda. Até o inicio da década de 90 o mercado, historicamente, tinha uma
procura muito maior do que a oferta. Resumindo, poucos produtos e muitos
consumidores.
O mercado mundial passou a ter uma oferta muito maior do que a demanda. Com essa
mudança cresceu muito a importância e o “poder” dos intermediários
(distribuidores/atacadistas e varejistas) na distribuição dos produtos aos
consumidores.
Todo o esforço dos fabricantes ficava condicionado ao relacionamento com o
distribuidor/varejista até a 2ª grande mudança que foi percebida a partir do
advento do uso da Internet. A Internet aproximou os fabricantes do consumidor
final, tornando-se um canal de comunicação muito poderoso. Hoje o “poder” está
muito mais nas mãos dos consumidores que determinam prioridades e discutem nas
comunidades o uso ou não de determinado produto, se compram ou não de
determinado varejista.
Assim os fabricantes passaram a investir na comunicação direta com seu
consumidor. Se antes ele era desconhecido, ou só tinha informação do volume de
compra, hoje os fabricantes sabem nome, e-mail, telefone, endereço, hábitos de
consumo, necessidades, preferências, etc...
Com uma comunicação de duas vias cada vez mais ativa e freqüente com este
consumidor, os fabricantes descobriram uma forma de não depender exclusivamente
da negociação com os distribuidores para aumentar suas vendas.
Hoje, o fabricante possui um canal direto de comunicação com os consumidores
através da Internet. Assim eles conseguem impactá-los de forma positiva,
mostrando novos produtos e gerando uma demanda a partir da identificação da
necessidade dos próprios consumidores.
Na década de 90, os fabricantes enfrentavam diversas dificuldades - fragmentação
das mídias, competição acirrada entre muitas “Marcas” e preços cada vez mais
semelhantes diminuindo a exposição dos produtos no PDV e sacrificando seu lucro
em troca de um maior volume de vendas.
Com a chegada da Internet estas dificuldades não foram eliminadas. Pelo
contrário, a elas se juntou a facilidade do consumidor “conhecer” novas marcas,
mesmo distante fisicamente, a possibilidade de troca de experiências entre os
consumidores de outros centros. Aliado a todas estas novas dificuldades o
varejista que antes era o único canal de venda dos fabricantes passou também a
concorrer com ele, investindo em marcas próprias.
Com isso a participação no Mercado, tão importante para o sucesso de qualquer
fabricante passa não só pela negociação com os distribuidores/varejistas, mas
também pela conquista da preferência dos consumidores, em virtude desta
proliferação de novas marcas e produtos.
Esta conquista fica facilitada pelo uso da internet pelos consumidores para
buscar mais informações sobre produtos, pela troca de experiência destes
consumidores nas comunidades criadas na WEB e pela velocidade que os
consumidores trocam informações entre si, além é claro da comunicação que os
fabricantes passaram a utilizar para se relacionar com seus clientes.
Se antes era fundamental um bom posicionamento do produto no PDV (ponto de
venda), hoje é importantíssimo que o fabricante interaja com o consumidor final
através da Internet, independente de ele vender ou não pela WEB.
A facilidade que o consumidor tem de localizar qualquer produto nos mecanismos
de busca, buscar informações que ele necessite em sites e blogs, discutir sobre
as propriedades e funcionalidades nas comunidades e entrar em contato direto com
o produtor, faz com que os fabricantes se preocupem em investir num projeto WEB
mais informativo, interativo e eficiente.
Os fabricantes que investirem nestes quatro pontos fundamentais terão vida longa
e um crescimento de vendas muito acima do praticado pelas empresas que
permanecem atrelados ao formato de negócios da década de 90.
O crescimento acentuado das vendas através da Internet, denominada E-Commerce e
o volume de compra dos e-consumidores (consomem muito mais e com maior
freqüência) torna obrigatório a definição de uma estratégia que atenda não só os
parceiros tradicionais (distribuidores e varejistas), mas principalmente o
consumidor.
E esta estratégia passa pelos quatro pontos abordados acima. Do contrário a
dependência dos distribuidores/varejistas tornará o fabricante frágil e a mercê
de negociações em desigualdade de condições.
Os fabricantes que souberem adequar-se ao poder que a internet concedeu a
qualquer segmento de mercado, com certeza terão resultados melhores, pois mais
do que nunca a palavra final na hora da definição da compra é do consumidor
final. E hoje esta decisão pode passar longe do PDV e muito perto do fabricante
que souber se comunicar de forma eficiente com este consumidor e oferecer a
possibilidade da compra pela própria Internet.
Paulo Roberto Kendzerski
é Diretor de Marketing da WBI Brasil, Consultor em E-Business, especializado
em Comércio Eletrônico, Prof. de E-Commerce na Faculdade do Planalto (Passo Fundo/RS),
Especialista em Estratégias Digitais e Palestrante.