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A Influência das Embalagens no Comportamento das Crianças

Por Admir Borges e Felipe Flávio Lucas Couto

07/11/2006

1       INTRODUÇÃO

 

O tema sugerido e que o artigo científico pretende analisar é como as embalagens podem exercer uma forte influência sobre o comportamento de compra das crianças. Uma embalagem pode levar ao sucesso ou ao fracasso de um produto e são poucas as empresas que se preocupam com esse componente de produto. As vezes um determinado produto de uma empresa fracassa, mesmo depois de todos os testes e pesquisas terem apresentado um resultado bastante favorável com relação a aceitação do produto no mercado.

Os gerentes de marketing ficam se perguntando o que aconteceu de errado com aquele produto e botam a culpa nas agências de comunicação, nas pesquisas de mercado e etc. Nem passa pela cabeça das empresas que o problema está em algo tão simples, mas que faz a diferença.

        Como escolher uma embalagem adequada é um problema para várias empresas, principalmente quando o público-alvo são as crianças, e esse artigo irá analisá-lo apresentando várias características das embalagens, bem como o comportamento de compra do público infantil. Avaliando essas características juntamente com outros fatores podemos traçar possíveis soluções para esse problema.

        Esse tema me chamou a atenção por ser algo pouco explorado na maioria das empresas e que tem um papel fundamental no lançamento de qualquer produto. Além de possibilitar uma boa análise teórica, a avaliação prática faz parte do nosso dia a dia, é bem vasta e interessante. Todos esses aspectos reunidos me motivaram para desenvolver esse trabalho.

        Analisar a influência das embalagens sobre o comportamento de compra do público infantil é o objetivo geral desse artigo, e vamos desmembrar esse objetivo em outros três mais específicos, que são:

        Apresentar a importância de características das embalagens, tais como: definições de formas, cores, imagem, design, Logotipo, composição e diagramação.

        Citar o comportamento de compra do público infantil.

        Discutir como essas características podem ser utilizadas em harmonia e  direcionadas para as crianças.

2     MARCO TEÓRICO

 

2.1   O significado de produto e embalagem    

 

        As pessoas estão a todo momento em contato com diferentes tipos de produtos e embalagens, e muitos não sabem seus verdadeiros significados. 

        Segundo Kotler (2006), produto é tudo o que pode ser oferecido a um mercado para satisfazer uma necessidade ou um desejo.

         Para Kotler (2006), os produtos possuem diversas dimensões, tais como: formato, características, desempenho, durabilidade, confiabilidade, conservação, estilo e design.

         É comum vermos produtos muito similares, e que até os clientes tem dificuldade na hora da escolha. Já sabemos que esses,possuem uma infinidade de características e então o melhor a fazer é torná-lo diferente a fim de encantar o seu público-alvo.

        Esse artigo quer analisar somente um componente de produto e um público-alvo específico, são eles: A embalagem e as crianças. Primeiro,temos que entender melhor o que é embalagem, suas formas, cores, imagens, design, logotipo, composição, diagramação e depois o comportamento de compra das crianças. 

        Conforme Kotler (2006), embalagem é o conjunto de atividades de projeto e produção do recipiente ou envoltório de um produto.

        Para Czinkota (2001, p 232):

 

 “A embalagem de um produto é o seu esforço de marketing mais distintivo. A embalagem desempenha uma série de funções essenciais, são elas: proteção do produto em diversas situações, identificação por parte dos consumidores, informação, facilidade de abrir e fechar, etc.”

 

 

        Conforme Mestriner (2001, p 11 ):

 

“Embalagem é um meio e não um fim. Ela não é um produto final em si, mas um componente do produto que ela contém e que, este sim, é adquirido e utilizado pelo consumidor. Sua função é tornar compreensível o conteúdo e viabilizar a compra. Ela agrega valor ao produto, interfere na qualidade percebida e forma conceito sobre o fabricante elevando ou rebaixando sua imagem de marca.”

 

      Assim, como os produtos possuem uma infinidade de características, pode-se concluir que as embalagens tem um papel fundamental para o sucesso de qualquer produto, pois, é ela que o acompanha e tem dimensões a serem analisadas tão importantes quanto a dos produtos.        

     Uma das características que julgo ter maior importância na embalagem, é sua função de concretizar a venda sem auxílio de vendedores. Uma vez que a maioria dos produtos presentes nas gôndolas de supermercados não tem nenhum apoio de propaganda, essa função se torna uma das mais importantes. Se as embalagens não possuíssem essa função, seria necessário que vários vendedores ficassem nos corredores dos supermercados ou lojas para explicar sobre o produto e dar um suporte nas vendas.       

 

2.2   A embalagem e suas dimensões de forma, cor e imagem

 

      Agora que entendemos melhor o verdadeiro significado de embalagem, vamos falar sobre as formas, cores, imagens, design e tipologia, pois, são fatores muito importantes na construção desse poderoso componente dos produtos.

        Segundo Mestriner (2002, p 52):

 

“A forma, é o principal elemento de diferenciação na embalagem. O shape de um novo frasco tem um efeito marcante na identificação de um produto. Produtos que têm muita personalidade e precisam expressá-la de maneira categórica devem colocar como ponto relevante de sua embalagem uma forma diferenciada. “

 

 

        No que diz respeito a forma, é comum vermos empresas que valorizam essa característica inovando em embalagens exóticas como as de perfume. Existem frascos de vários formatos. Mas há também empresas que nada criam em termos formatos diferenciados, mesmo quando o tipo de produto comercializado e o público-alvo requer uma forma diferente nas embalagens algumas empresas nem percebem essa necessidade e insistem no mais simples.

 

 

        

Conforme Mestriner (2002, p 53):

 

“A cor, constitui-se num elemento de comunicação, provocando estímulo visual como nenhum outro elemento. As combinações de cores podem ser associadas, por exemplo, ao público infantil, podem ser alegres ou tristes, sofisticadas ou populares, modernas ou antiquadas, esportivas e dinâmicas, e assim por diante. As crianças na Suíça pintam as vaquinhas de lilás em seus desenhos. A cor do produto (chocolate Milka) é tão forte que se sobrepôs à realidade passando a existir no imaginário infantil.” 

 

 

         Nas cores, concluí-se que elas estimulam e direcionam para que tipo de público o produto é destinado. A cor vermelha por exemplo, é sempre usada no dia dos namorados em diversas embalagens, a cor preta é mais usada para atrair jovens, as cores mais alegres são usadas para o público infantil e as mais sofisticadas são para as pessoas inovadoras. Você pode criar combinações que já dizem que tipo de público é o seu. 

        De acordo com Mestriner (2002, p  55):

 

“Em produtos alimentícios appetite appeal ou a exploração do apetite do consumidor é uma arte cultuada, sobre a qual as grandes multinacionais chegam a ter manuais que apontam os detalhes que devem ser valorizados em cada tipo de produto e o que deve ser evitado. O appetite appeal tem sua arte e consegue resultados incríveis quando se trata de alimentos.

 

       

          O uso de imagens são as mais comuns, tanto para o público infantil quanto para os adultos. A exploração do apetite com o uso de imagens de alimentos prontos para serem degustados nas embalagens são muito utilizados. A Sadia, por exemplo: na sua linha de pizzas, lasanhas, etc, coloca imagens que conseguem influenciar a compra. Já nos produtos para o público infantil é muito freqüente o uso de imagens de personagens infantis que elas gostam.            

        Analisando as citações acima percebe-se que a forma, cor e a imagem, quando bem trabalhados nas embalagens trazem benefícios surpreendentes.

                       

 

 

 

2.3   Entendendo sobre design de embalagens

      

      Agora vamos entender o que é design; as pessoas falam muito essa palavra mas,  poucos sabem o seu significado.

       Para Mestriner (2001, p 10):

 

 “O design compreende a atividade de desenhar para a indústria segundo uma metodologia de projeto que leva em consideração a função que o produto final irá realizar, as características técnicas da matéria-prima e do sistema produtivo utilizado em sua confecção, as características e necessidades do mercado e do destinatário final do produto, ou seja: o consumidor.

         

 

        De acordo com Mestriner ( 2001, p 13):

 

“A evolução do mercado e a maior competição entre os produtos fizeram com que a embalagem se tornasse um fator de influência na decisão de compra dos consumidores e começou a “vestir-se” para agradá-los. Nos anos pós-Segunda Guerra Mundial surgiram os supermercados, e a venda em sistema de auto-serviço estimulou os produtos a conterem a informação necessária para concretizar a venda sem o auxílio de vendedores.”

 

 

 

 Muitos acham que design é só desenhar algo diferente. Analisando a citação sobre o design de embalagem, entendemos que, muito mais do que a simples arte de desenhar , estar atento as verdadeiras funções do produto, conhecer a matéria-prima utilizada na fabricação do produto e conhecer as peculiaridades de seu público-alvo é importante para que o processo de design seja eficiente. Quantas vezes, já vimos embalagens que não são adequadas ao produto que ela contém? Dependendo da matéria-prima utilizada na fabricação do produto, a embalagem tem que ser feita com um material especial. Se o leite viesse em uma simples embalagem de papelão sem aquela película de alumínio interno, com certeza aconteceria o vazamento. Parece algo banal, mas quando se trata de lançamento de um novo produto, muitas empresas esquecem de observar esses detalhes na hora do design.   

Com relação a evolução que as embalagens vem sofrendo ao longo dos tempos, só nos mostra o quanto o mercado sofre mutações, seja em termos de cultura, comportamentos de compra, concorrência, etc. A embalagem tem que acompanhar essas modificações do mercado se ajustando a ele, e não o mercado se ajustando as embalagens. 

 

2.4   Os pontos-chave para obter sucesso no design de embalagem   

 

Agora que entendemos um pouco do significado de design de embalagem e de sua evolução, vamos citar alguns pontos para alcançar a excelência no design das embalagens. 

        Conforme Mestriner ( 2001, p 37):

 

 “Os pontos-chave são: conhecer o produto,conhecer o consumidor, conhecer o mercado, conhecer a concorrência, conhecer tecnicamente a embalagem a ser desenhada, conhecer os objetivos mercadológicos, ter uma estratégia para o design, desenhar de forma consciente, trabalhar integrado a indústria e fazer revisão final do projeto.”

 

       

        Essa citação me fez perceber como a maioria dos planos de Marketing, são insuficientes de informações sobre as estratégias de design de embalagem. São informações muito importantes e que ficam de fora da maioria dos planos estratégicos das empresas.

 

2.5   Sobre o logotipo, composição e diagramação de embalagens

       

       Conforme Mestriner (2002, p 57):

 

“Diz que o nome do produto tem tanta importância quanto o nome de uma pessoa tem para a vida em sociedade. Ele distingue o produto dos demais, afirmando sua personalidade. O designer de embalagem deve saber que toda vez que lhe for atribuído um produto com nome, ele deve “desenhar” um logotipo exclusivo e não apenas digitar uma fonte já existente.”

 

 

         Analisando a citação acima vemos que cada produto possui sua personalidade própria e ele precisa de um nome que reforce essa personalidade. Isso é possível  com o uso de um logotipo criativo e diferente. Existem produtos que seus logotipos já estão gravados na mente das pessoas e elas conseguem identificá-los só olhado o logotipo. Em um supermercado onde existe uma enorme quantidade de produtos nas gôndolas, e estes estão amontoados um do lado do outro, os consumidores passam rápido pelos corredores e as vezes nem vêem o produto. Por isso, com o uso do logotipo bem desenvolvido fica mais fácil essa percepção.         

        Um outro aspecto que merece destaque,é saber como fazer a composição e diagramação correta.

        Para Mestriner ( 2002, p 62):

 

 “O primeiro passo para fazer a composição, é atribuir os pesos necessários à função de cada elemento. A diagramação é arte de dispor os elementos visuais compondo unidades informativas e significantes, e merece ser estudada e desenvolvida pelos designers.” 

 

Em alguns produtos é comum vermos embalagens que deixam escondidos elementos importantes, que deveriam estar em destaque e de forma clara. Conclui-se que elementos como: os benefícios do produto, o que ele traz de novo, promoções, etc, devem ter seu espaço garantido. É muito importante que a função de maior relevância ocupe posição de destaque na embalagem, em ordem decrescente. 

 

2.6   O comportamento de compra do público infantil

 

Agora nós temos que conhecer o comportamento de compra do público infantil, para que possamos estabelecer uma ligação entre as embalagens e as crianças.

        Conforme Karsaklian (2000, p 220):

 

“Uma das maiores críticas feitas contra a propaganda e, principalmente, contra a propaganda na televisão diz respeito as crianças. Pelo fato de elas não entenderem os objetivos comerciais dessa forma de comunicação,mostrar-se-iam incapazes de ter um espírito crítico e de desenvolver uma contra argumentação, deixando-se, assim, influenciar livremente pela propaganda.”

 

        

       O Conar (conselho nacional de auto-regulamentação publicitária), estabeleceu algumas leis para diminuir os impactos da propaganda no público infantil. Muitas empresas estão abusando nesse sentido e estão se utilizando de artimanhas para influenciar as vendas. Nem os pais e muito menos as crianças conseguem perceber essa deslealdade e a gravidade desses abusos.       

        Segundo Karsaklian (2000), a criança, hoje, possui poder de decisão em produtos que extrapolam o mundo dos brinquedos e guloseimas, influenciando as decisões de compra de toda a família.

         Analisando a citação acima percebe-se que essa influência começa muito antes de se chegar ao local de compra, começando dentro de casa, na escola, na festinha, etc. Todos já viram alguma vez crianças que, depois de verem um comercial de TV ou um colega de escola usando um determinado produto, logo pedem seu pais e quando chegam nos corredores de supermercados e lojas ficam insistindo com os pais para receberem aquele produto específico.

        Para Kasarklian (2000), as crianças de 0 até 2 anos rejeitam mais do que solicitam brinquedos e comida que lhes são mostrados. De 2 a 4 anos acontece as primeiras solicitações; e de 4 a 6 anos as preferências são mais acentuadas. 

        Conforme Karsaklian (2000 p 235):

 

 “Uma pesquisa realizada pelo Senac – entre 7 e 9 anos, ela é critica, competitiva e intolerante. Mostra-se com alta auto-estima e desejo de mantê-la. Valoriza o dinheiro, pois sabe que ele é o responsável pela obtenção de produtos. A loja ideal é aquela onde ela pode provar, experimentar, pois é muito curiosa. “

  

       Na infância as crianças se desenvolvem muito rápido, tanto fisicamente quanto mentalmente, por isso, a maioria dos pais não conseguem lidar com o comportamento de compra de seus filhos. Se os pais; que estão o tempo todo perto de seus filhos não conseguem entender essas variações de comportamento, os profissionais de marketing tem uma tarefa mais difícil ainda. Esse é o maior desafio para as empresas que tem o público infantil como alvo, entendê-las e traçar estratégias que estejam alinhadas aos objetivos desse público.  

        Para Kasarklian (2000), a análise da influência nas crianças também deve levar em consideração a categoria de produto analisada na pesquisa.Conforme o tipo de produto, a influência da criança pode ser maior ou menor.

         Avaliando essa citação concluí que, mesmo com toda a inocência do público infantil , não é qualquer categoria de produto que consegue influenciá-las. Até mesmo  os adultos tem maior interesse em algumas categorias específicas de produtos ou serviços.   

           De acordo com karsaklian (2000), a embalagem desempenha um papel fundamental na escolha dos produtos, pois é ela que veicula as personagens, os nomes, o logotipo, as cores e todos os fatores suscetíveis de chamar a atenção das crianças.

         Consegui perceber que é útil para quem trabalha com criação de embalagens para esse público conhecer a chamada “moda” do momento. Em cada época, há personagens infantis que estão em destaque e que as crianças estão se identificando naquele momento. Não adianta colocar a imagem de um personagem que fez sucesso a 6 meses e que agora não aparece mais. Até mesmo os nomes, cores e outros fatores tem que mudar com o passar do tempo.   

         De acordo com Gade (1980):

 

“Uma enorme quantidade de apelos é dirigida diretamente à criança não só para convertê-la ao consumo como para transformá-la em promotora desse consumo. Isto porque se descobriu a nova imagem e o novo papel ativo da criança no núcleo familiar.” 

     

       A sociedade, está sobrecarregada de informações, é muita comunicação ruim, mal distribuída e direcionada. Nós andamos pelas ruas e nos deparamos com vários anúncios em outdoors, cartazes, panfletos, etc, e muitas vezes nem prestamos atenção.

       Os anunciantes estão querendo a todo custo vender seus produtos, e estes já descobriram que as crianças são mais fáceis de seduzir do que os adultos. Uma criança que consome um determinado tipo de produto, com certeza, influenciará outras ao seu redor, seja na escola, em festas, etc. Ela nem precisa falar bem do produto, só de aparecer perto de outras crianças usando ou consumindo, causará uma forte atração nas outras.     

 

      

 Conforme Las casas (2006):

 

“Certamente os serviços, de um modo geral, não têm embalagem na forma tradicional, como os bens. A embalagem dos serviços têm objetivos diferenciados. Normalmente ela ajuda a apresentação e formação da imagem para o clientes.  Em serviços a imagem é a embalagem.”

 

 

 

        Essa citação de Las Casas nos deixa claro que as embalagens não estão só presentes nos produtos, mas também nos serviços. Por exemplo: dentro de um avião, o uniforme das aeromoças, o layout das cadeiras são a embalagem daquele tipo de serviço.

       No caso das crianças podemos perceber o fascínio que a Walt Disney causa. Os funcionários simplesmente se fantasiam dos personagens que elas mais gostam, ou seja, vestem uma embalagem.

 

  

5      METODOLOGIA

 

5.1   Tipo de pesquisa

 

O tipo de pesquisa utilizada nesse artigo quanto aos meios será:  Bibliográfica.

Conforme Vergara (2000), pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas. Fornece instrumental analítico para qualquer outro tipo de pesquisa.

 

5.2   Coleta de dados

 Segundo Vergara (2000), na coleta de dados, o leitor deve ser informado como você pretende obter os dados de que precisa para responder ao problema.

Os dados serão coletados por meio de entrevista aplicada a alguns pais de crianças, visando conhecer alguns detalhes do comportamento de compra de seus filhos e dos próprios pais diante dessas situações. 

 

5.3   Amostra

 

        De acordo com Vergara (2000), trata-se de definir toda a população amostral. Entenda-se aqui por população não o número de habitantes de um local, como é largamente conhecido o termo, mas um conjunto de elementos (empresas, produtos, pessoas, por exemplo) que possuem as características que serão objeto de estudo.

Esse artigo terá como amostra o comportamento de compra do público infantil.Foram aplicados 36 questionários na Escola Municipal Dona Babita Camargos, e estes, direcionados aos pais de alunos com idade entre 5 a 10 anos. Sendo, 10 questionários aplicados para crianças de 5 e 6 anos, 13 questionários para idade entre 7 e 8  e 13 questionários para idade entre 9 e 10. O intuito é descobrir alguns detalhes do comportamento do público infantil e como os pais agem com seus filhos no momento da compra.

 

7.            DISCUSSÃO

 

Analisando a teoria apresentada pode-se perceber a infinidade de aspectos que está por trás de uma simples embalagem. Quando a vemos nas gôndolas de um supermercado ou loja, nem passa pelas nossas cabeças todo o processo realizado para fazer essa embalagem chegar até os consumidores.

São inúmeros testes, com cores, formas, desenhos, design, composições e diagramações diferentes, além de vários profissionais envolvidos no projeto, até se chegar na arte final. Quando o público-alvo são as crianças a definição de uma embalagem eficiente se torna mais complexa.

        No mundo globalizado, as crianças tem um estilo de vida muito diferente que alguns anos atrás. Uma criança de 5 anos já utiliza computador e até mesmo internet. Isso faz com que o papel da criança na família se transforme. As crianças estão cada vez mais autoritárias e exigentes, e é através desse comportamento que elas tem influenciado de forma gritante o comportamento de compra da família. Pode-se perceber através da pesquisa aplicada que o grau de influência aumenta dependendo do tipo de produto em que a criança é exposta, uns menos e outros mais.

       Conforme o resultado da pesquisa aplicada, os produtos que mais influenciam as crianças por causa da embalagem são os brinquedos, logo seguido pelos alimentos. Um aspecto interessante observado nessa pesquisa é que nos questionários aplicados aos pais das crianças de 5 e 6 anos, o material escolar e suas diferentes embalagens não chamam a atenção delas. Já o público de 7 e 8 e os de 9 e 10 anos se mostraram muito mais influenciados pelas embalagens de material escolar.

        As vezes pensamos que as crianças nessa faixa etária não tem interesse de ir as compras com os pais, mas a pesquisa provou o contrário, onde 91% dos pais disseram que elas gostam de ir as compras com eles. Um ponto observado na pesquisa, é que 80% do público de 5 e 6 anos participam das compras ajudando  seus pais a colocarem qualquer item no carrinho,  e 84% das de 7 e 8 anos  também tem essa iniciativa. Mas o público de 9 e 10 anos, se negou a ajudar seus pais nas compras, só se manifestando nas coisas que os interessam. Talvez esse resultado possa ser explicado pela idéia de Karsaklian (2000), onde, diz que na idade de 9 e 10 anos as crianças são “criticas, competitivas e intolerantes. Mostram-se com alta auto-estima e desejo de mantê-la.“

       Na pesquisa, 92% dos pais disseram que as vezes eles atendem os desejos de seus filhos e compram o que eles querem mesmo não querendo levar o produto naquele dia, só 5% dos pais disseram que eles nunca são convencidos por seus filhos, e por fim, só 3% disseram que sempre satisfazem as vontades das crianças mesmo não querendo.

       Karsarklian (2000), diz que “a embalagem desempenha um papel fundamental, pois é ela que veicula as personagens, os nomes, o logotipo, as cores e todos os demais fatores que chamam a atenção das crianças.”

        Em 94% dos casos ficou constatado que a embalagem tem o poder de chamar a atenção do público infantil.

        Todas as crianças analisadas,deixaram muito claro que, embalagens que oferecem brindes, como brinquedos e figurinhas são as que mais influenciam seus filhos, bem como o uso de desenhos de personagens infantis que eles gostam. Os demais fatores ressaltados na pesquisa como a cor, a forma, logotipo e descrição da qualidade e benefícios do produto, pouco interessam para as crianças. Esse resultado  tem uma ligação com a citação de Mestriner (2002), que diz que as “ formas, cores, imagem, design, logotipo, composição e diagramação, são de extrema importância e devem ser levadas em consideração na hora de se criar uma embalagem.”

        Vamos citar alguns produtos citados pelos pais no questionário, que segundo eles, já influenciaram ou influenciam seus filhos só por causa da embalagem.

São eles: Miojo da Mônica, iorgute, Nescal cereal, Kinder ovo, bonecas (rebeldes e barbie), Sucrilhos, danoninho, imagens contidas na capa dos cd’s de vídeo game, biscoitos (trakinas, e o dos carros), Suco (Kapo), brinquedos que tenham desenhos de super heróis, caderno de capa dura (Hello Kity, poly, moranguinho, meninas super poderosas), elma chipis (cheetoos, batata da onda), caixa de bombons, salgadinhos com brindes, tatuagem ou figurinhas, mochilas e bolsinhas que tenham  desenho de personagens de desenhos,Lápis de cor (sítio do pica-pau amarelo), chiclete língua azul, sandálias da Hot Wheels e com brindes, agendas, álbum de figurinha, tênis de super heróis,etc. Esses são somente alguns exemplos de produtos que os pais entrevistados se lembraram na hora de responder o questionário, e que estão no mercado  exercendo uma forte influência sobre o público infantil de um modo geral.

        Aconteceu algo muito interessante em um dos questionários aplicados e que eu gostaria de relatar nessa discussão. Um pai escreveu da seguinte maneira na última pergunta: “Estas propagandas são um caso sério na vida dos pais.”

        Uma reportagem que passou nos jornais a pouco tempo é justamente sobre essa frase citada por esse pai de aluno. O Conar (conselho nacional de auto-regulamentação publicitária), estabeleceu algumas leis para diminuir os impactos da propaganda no público infantil. Um consumidor mais bem informado e um anunciante mais preocupado com o bem estar de seu público, é a intenção do Conar. As novas regras para anúncios de comidas e bebidas e propagandas voltadas para o público infanto-juvenil são: crianças e adolescentes não podem aparecer nos anúncios recomendando os produtos, as frases como “peça pra mamãe comprar” ou faça como eu “use tal produto”, estão fora das normas estabelecidas pelo Conar, as propagandas de comidas e bebidas não devem encorajar o consumo excessivo nem menosprezar a alimentação saudável, os produtos não podem ser apresentados como substitutos das refeições, anúncios devem informar se o produto é diet, light de acordo com a licença, os anunciantes vão promover campanhas de incentivo a atividades físicas e alimentação balanceada. 

       Quem não seguir essas normas pode ter o anúncio suspenso pelo próprio Conar, mas, basta saber se os anunciantes vão respeitar ou se vão continuar agindo como querem.

       O público infantil merece o mesmo respeito que os adultos e os anunciantes tem que entender isso. 

        A embalagem fala pelo produto, diz quem ele é, o que ele faz e trás de benefício. Imaginem se não existisse esse poderoso componente de produto.Vamos imaginar se todos os produtos fossem armazenados em sacos plásticos sem escrita ou mesmo em caixas de papelão pardo sem nenhuma escrita.  O custo das embalagens seria bem baixo para as empresas, mas em compensação não teríamos como escolher e decidir qual é a melhor opção e seria necessário uns 10  vendedores em cada corredor do ponto de venda.

CONCLUSÃO

 Conclui-se com este artigo que as embalagens influenciam o público infantil, mas que, essa influência aumenta ou diminui de acordo com a categoria de produto, idade da criança e o tipo de característica usado na embalagem.

É fundamental entender e conseguir fazer combinações entre as características das embalagens. Saber medir na dose certa a forma, a qualidade e o tipo das imagens usadas, as cores e o logotipo,é fazer uma composição certa e conseqüentemente dominar o design de embalagens.

O artigo conseguiu identificar peculiaridades do comportamento de compra das crianças, e além disso descobriu, o que os pais pensam e como eles agem com seus filhos nos pontos de venda.

As crianças possuem um poder impressionante na decisão de compra de toda a família, e se os profissionais de marketing souberem se aproveitar disso aprendendo a lidar com as dimensões das embalagens e direcionando-as para esse público, com certeza essa empresa vai sair na frente.           

        A pesquisa aplicada aos pais de crianças foi muito útil para desenvolver esse artigo, pois, através dela descobrimos algumas características sobre o comportamento de compra das crianças e das atitudes dos pais.

        Nas embalagens destinadas as crianças ficou claro que alguns elementos devem ocupar posição de destaque, são eles: Imagens de personagens infantis, promoções como oferta de brindes, e o nome do produto (logotipo) em si, ajuda as crianças a memorizarem o produto que elas gostam. O nome do produto deve ser simples e fácil de ser pronunciado.

        É importante que as empresas tenham um plano de marketing que contenha instruções e pontos relevantes a serem observados ao se criar uma determinada embalagem.

       Os planos atuais só abrangem as metas de curto, médio, longo prazo, um pouco sobre a concorrência e o consumidor, e deixam de lado fatores importantes como o estudo das embalagens. 

       Assim como os produtos possuem diversas características e é algo para ser oferecido a um mercado para satisfazer necessidades e desejos, as embalagens tem que estar alinhadas aos objetivos e características desse produto.

         Num mercado altamente competitivo, onde, ao menor descuido uma empresa líder de mercado pode perder seu espaço, estar atento a todos os detalhes possíveis é algo primordial para a sobrevivência das empresas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

·         KOTLER, Philip. Administração de Marketing: Análise, planejamento e controle. São Paulo: Atlas, 1980. 3 vol.

·         CZINKOTA, Michael R. Marketing: a melhores práticas. Porto Alegre: Bookmamn, 2001.

·         KARSAKLIAN, Eliane. Comportamento do consumidor. São Paulo: Atlas, 2000.

·         LAS CASAS, Luzzi Alexandre. Marketing de serviços. São Paulo: Atlas, 2006.

·         GADE, Christiane. Psicologia do consumidor.São Paulo: EPU, 1980.




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