Influências Individuais e Ambientais do Comportamento do Consumidor
Por Diniz Aguillar
14/07/2009
A mudança mundial no comportamento do consumidor, nas suas atitudes, suas
decisões de vida e de negócios, além do seu perfil de consumo e utilização de
produtos, está fazendo com que os profissionais de marketing combinem
características demográficas e psicográficas de um segmento com os
comportamentos do consumidor.
Segundo Blackwell, Miniard e Engel(2005), o macromarketing, que se traduz na
performance agregada do marketing na sociedade, está cada vez mais subsidiando
as organizações, nas idéias de produtos, serviços,, atendimento e propostas de
novas ações no mercado de consumo. Na verdade a demanda industrial está ligada a
demanda dos consumidores, e as análises de consumo estão cada vez mais ligadas a
propostas de produtos e serviços, voltadas para empresas ou negócios em
crescimento.
Muitas vezes falar em consumo ligado a faixas etárias, variações étnicas,
estimativa de vida e migração, está associado ao movimento das tendências
demográficas da população. As crianças por exemplo, se tornaram importantes
instrumentos e ao mesmo tempo consumidores, de muitos produtos e serviços,
através da comunicação. Nas crianças a emoção pode ser um fator de influência ou
decisão junto aos pais, principalmente nas compras por impulso. Para Hoch e
Loewenstein(1991), a impulsividade é decorrente do conflito psicológico entre o
autocontrole e os desejos do indivíduo, sendo que o impulsivo deposita maior
importância na satisfação desses desejos imediatos, a despeito das suas
repercussões no longo prazo.
Outro tipo de consumidor, o novamente jovem,quando leva em conta a idade
cognitiva, que é a idade que a pessoa percebe ter(BLACKWELL, MINIARD E ENGEL(2005),
está levando em conta nas compras e negócios na sociedade moderna, fatores como
moda, estética e saúde. Cada vez mais os anúncios tem uma avaliação detalhada e
voltada para a satisfação momentânea.
A segmentação cada vez mais tem um peso importante nas decisões de negócios, e
os consumidores estão se enquadrando em grupos de aptidões e desejos de consumo
semelhantes. Quando é encontrada a variância explicada dos motivos que levam as
pessoas a preferirem ou possuírem os diversos tipos de um mesmo produto, pode-se
utilizar essas variáveis explicativas para segmentar consumidores(MYERS, 1996).
Muitas vezes os valores humanos representam um fator importante no comportamento
do consumidor, e com as mudanças de vida e de conceito de felicidade na
sociedade moderna, estão influenciando na decisão e no uso dos consumidores. O
estudo de valores humanos pessoais tem uma tradição filosófica, sendo muito
investigado por cientistas sociais(sociólogos, antropólogos e psicólogos)
(BECKER , 1986).
Uma área importante que as organizações começam a desenvolver através de suas
estratégias de marketing, é a percepção das intenções do consumidor. Nos meios
de comunicação, principalmente na TV a cabo, prever o comportamento do
consumidor, em relação a novos programas ou a mudanças na grade de programação,
é fator decisivo na audiência. As intenções são julgamentos subjetivos sobre
como será o nosso comportamento no futuro(BLACKWELL, MINIARD E ENGEL(2005).
Existem ainda, outros usos das intenções do consumidor, que podem ajudar e
nortear as atividades de marketing, funcionando como indicadores, em
desenvolvimento de produtos e serviços, manutenção de consumidores e
entendimento das vantagens competitivas de mercado. O consumo, numa visão
abrangente, pode ser definido como a criação, a compra e o uso de produtos e
serviços(MCCRACKEN, 1988). Para que isso seja uma ação conhecida e prevista cada
vez mais pelas organizações, os estudos das intenções e atitudes do consumidor
são cada vez mais importantes.
Quando falamos em atitudes, começamos a desenvolver os sentimentos que atuam na
sua formação, e que se tornam decisivos no consumo de produtos ou no
processamento mental de um anúncio. Os sentimentos podem ser definidos como um
estado afetivo ou uma reação(BLACKWELL, MINIARD E ENGEL(2005). Além disso, o
estado de humor, tem sido importante para interpretar decisões ou ações do
cliente ou consumidor com relação à produtos e serviços. Não é incomum, atitudes
de consumidores de rejeição ou extrema procura, por lançamentos, principalmente
quando a comunicação tem sido voltada para o ambiente emocional.
Finalmente, nos deparamos com outro fator importante para a influência na
decisão de compra do consumidor, que é a multiplicação dos produtos piratas à
disposição do consumidor. A pirataria, que pode ser entendida como a violação
aos direitos autorais de que tratam as Leis 9.609 e 9.610(BRASIL, 1998), tem se
tornado um grave problema, no país, não só para as empresas, mas também para o
governo e os cidadãos.
Segundo alguns autores, aqueles consumidores que possuem uma menor preocupação
com os aspectos éticos envolvidos na compra de um produto pirata tendem a se
sentir menos culpados em realizá-la, já que racionalizam a sua decisão e não
consideram a sua compra atiética(ALBERS-MILLER, 1999, BLOCH, BUSH E CAMPBELL,
1993). Na verdade o que o consumidor brasileiro quer são produtos de baixo
valor, com apelo comercial ou de marca envolvido e condições comerciais
acessíveis. Hoje, a maioria da população brasileira tem dificuldade em avaliar a
importância da origem ou a legitimidade do produto. Ainda é muito importante o
preço, para um país em desenvolvimento.
Será que os sentimentos são mais importantes que a condição comercial, para um
produto de baixo valor agregado ?
Até onde o marketing pode intervir para mudar atitudes do consumidor?
DINIZ AGUILLAR é Palestrante, Instrutor, Professor e Consultor. É graduado em
publicidade e propaganda, pós-graduação em marketing e mestrando em marketing.
Profissional com formação voltada para a área de negócios, com mais de 3000
horas de treinamento, palestras, seminários e convenções, com foco em marketing
integrado, comunicação empresarial, administração de equipes multifuncionais nas
áreas de marketing, vendas, com foco nos segmentos de consumo, serviços e área
esportiva.
Atuou em posições de Gerente Regional, Nacional, do Mercosul e Marketing,
em empresas como Nestlé, Danone, Nabisco, Pavioli, Warner Lambert, Allied Domecq
e Hertz Medicamentos e Dalponte Materiais Esportivos e atuou como Gerente
Nacional de Comercialização no SEBRAE NACIONAL. É Professor da Faculdade de
Marketing e Faculdade de Hotelaria do SENAC, além da coordenador da
Pós-Graduação de Marketing Esportivo SENAC-RS 2009. Professor da ESADE, Escola
Superior de Administração, Economia e Contábeis, nas disciplinas de Introdução
ao Marketing e Gestão Promocional, participando também do Núcleo de
Desenvolvimento Educacional, para projetos de ensino superior e pós-graduação.
E-mail: diniztreinamentos@terra.com.br
Site www.diniztreinamentos.com.br