Iniciativas são tão importantes quanto acabativas
Por Nori Lucio Jr.
12/04/2007


Empresas falham por muitos motivos, mas principalmente por três e definitivamente por um único motivo que é absolutamente controlável.

Os três

1. Falta de visão e paixão associadas. Reforço o associadas, pois muitas vezes elas, visão e paixão, existem na mesma empresa, porém em áreas e iniciativas distintas.

2. Falta de planejamento. Típico da informalidade que rege a gestão latino americana cujo vetor motivacional é o poder do entusiasmo que predomina sobre o planejamento formal.

E o terceiro...

3. Falta de disciplina na forma de metas e métricas bem definidas ou ainda por erro na definição do perfil de colaboradores muitas vezes incompatível com o desafio que lhe é imposto.

O diabo mora nos detalhes

Uma estratégia só terá algum valor se as táticas que estão relacionadas às elas forem bem articuladas e executadas com previsibilidade, austeridade, sem moleza nem desculpismos

O fato é que a execução materializa a estratégia.

Quando falham, independente do culpado, empresas falham com seus clientes, parceiros e fornecedores. Falham também com os acionistas presentes e futuros. Em resumo, elas exterminam o relacionamento transacional com o ecossistema que orbita ao seu redor.

A função do líder é essencial.

Grandes lideres de grandes empresas tornaram-se executivos de sucesso por sua capacidade de executar com precisão e previsibilidades.

1. O líder deve ter profundo envolvimento e assumir a responsabilidade por montar um time que execute com precisão e previsibilidade.

2. Trabalhar bem em ambiente ambíguo. Trazer soluções e sugestões na ausência de direcionamento claro.

3. Saber delegar as tarefas com clareza, senso de urgência e prioridade.

4. Recompensar o time pelo desempenho.

5. Ser bom de follow up.

6. Deve ser quase um papagaio para ter certeza que foi bem compreendido e que as barreiras naturais que aparecem durante a execução sejam rapidamente comunicadas e devidamente removidas.

7. Deve comunicar-se bem ao invés de ser um bom comunicador. Não confundir comunicar-se com freqüência e consistência, engajando com vários níveis da empresa em busca de sinergia com o falastrão que esta sempre em busca de um palco com microfone para falar das pseudo ações socioambientais da empresa



Na prática, para uma boa execução é essencial muito debate, porém com dia e hora para acabar. Terminado o debate e alcançado o consenso e ratificação vem à sistematização e só depois, por último, a escolha do conjunto de ações.

Nunca vá além da sua capacidade de execução

Qualquer formula destinada ao processo de execução que não siga ao menos estas três etapas será uma provável receita de fracasso. Existe um conceito simples e eficaz que ajuda a seqüenciar o pensamento. Pergunte-se:

Why

Porque estamos gastando nosso tempo debatendo este tema? Qual a estratégia que esta relacionada a este debate?

What

Qual a melhor forma de atingir o objetivo perseguido com o maior impacto e menor dispersão de energia?

When

Qual o melhor timing ao longo do ano ? Quando inicia e quando termina a ação?

Who

Quem será o responsável pela execução do inicio ao fim.

How

Quais os recursos humanos e financeiros que devem ser alocados para que a ação tenha o mínimo de chance obter resultado

How much

Qual o investimento e retorno esperados.

O desafio intelectual de quem executa

Na maioria das vezes quem tem a idéia e quem executa entram em constante conflito. Normalmente este conflito é causado pela diferença entre um perfil mais ou menos analítico e outro mais ou menos insightful.

Os dois são perfis incrementais, ou seja, o que cria as idéias tem um perfil mais intuitivo e os que as executam são mais analíticos, porém juntos criam e materializam grandes projetos estratégicos.

Um bom RH consegue equilibrar estes perfis e também controlar o ambiente para que vivam em harmonia ou ao menos com um relacionamento construtivo, definitivamente quente, mas construtivo!

Nori Lucio Jr. é fundador da brandMe, consultoria especializada em planejamento estratégico. - 20 anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens pela gerência de marketing e comunicação na Intel® e Microsoft®. Formado em marketing, com especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e desenvolvimento de canais de venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.