Inovação é a Solução
Por Henrique Montserrat Fernandez
19/06/2007
Segundo os dicionários, inovação é a atitude de introduzir novidades, renovar.
Nos dias de hoje, em nosso mundo globalizado, as empresas que quiserem
permanecer vivas deverão inovar sempre.
Aumentar o lucro através da redução de custos, aumento da eficiência ou
implementação de processos de reengenharia* é necessário, porém não basta. Sem
haver inovação, a empresa acaba estagnando e morre. Não há como criar mais lucro
sem a geração de novas receitas (isso é pura matemática), e estas só são
possíveis através das inovações.
O Brasil sabe que a inovação é indispensável. A Lei nº 10.637, de 30/12/02,
originada em parte, da famosa Medida Provisória 66 editada em 29/08/02 pelo
Governo Federal, em seus artigos 39 ao 43, dá incentivos através da redução no
lucro líquido determinado pelo lucro real e da CSLL (Contribuição Social sobre o
Lucro Líquido), para a empresa que fizer investimentos em pesquisa e
desenvolvimento (P&D).
Segundo o artigo 40 dessa Lei, "a pessoa jurídica poderá, ainda, excluir, na
determinação do lucro real, valor equivalente a 100% (cem por cento) do
dispêndio total de cada projeto que venha a ser transformado em depósito de
patente", ou seja, neste caso, a dedução dos investimentos é total, para as
empresas que patentearem novos produtos .
A inovação no produto (assim como a inovação no processo que veremos mais
adiante) segundo Michael Porter(1), Professor da Harvard Business School , pode
vir de dentro ou de fora da indústria a que a empresa pertence.
Inovar no produto requer investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que
muitas vezes não se pagam. Costuma ocorrer que após o lançamento de um produto
inovador seus concorrentes lançam similares rapidamente, sem gastar um tostão
sequer do que foi investido em P&D. Isso se chama "benchmark" - uma forma
politicamente correta de designar a cópia. As empresas no Brasil utilizam muito
o benchmark. Esse "processo" teve seu "boom" após a segunda guerra através da
indústria japonesa e até hoje faz muito sucesso.
Entretanto, num mundo globalizado, onde todos copiam de todos, o fim da
lucratividade para as empresas que só realizam benchmark está ocorrendo. Seus
ganhos hoje dependem exclusivamente da venda de grandes quantidades do produto,
e a concorrência entre essas empresas está toda baseada no preço. Praticamente
não há diferenciação. As que vendem mais sobrevivem, as outras simplesmente
morrem... E somente a inovação(2) pode impedir que estas últimas fechem suas
portas.
Entretanto, uma inovação não se limita ao produto. Um exemplo disso é o de Henry
Ford, fundador da Ford Motors Company, que inovou a fabricação do automóvel
através da linha de montagem, e não o automóvel em si.
Uma empresa pode inovar da mesma forma, no processo de fabricação ou na forma de
colocar seu produto para o mercado (marketing), ou, ainda, na forma de gerir a
própria empresa: é necessária criatividade para escolher o que inovar, além de
como inovar.
Porter nos informa(1): "...as inovações no marketing podem influenciar a
estrutura da indústria diretamente através do aumento da demanda... A descoberta
de novos canais de distribuição pode ampliar a demanda ou aumentar a
diferenciação do produto; as inovações no marketing que o tornam mais eficiente
podem reduzir o custo do produto." Ele cita o exemplo das companhias
cinematográficas que impulsionaram a demanda de seus filmes, através da
propaganda destes na televisão.
Por sua vez, a inovação no processo de produção, quando bem realizada, pode
fazer com que o processo se torne mais barato, permitindo aumentar as economias
de escala*, produzindo mais a um custo menor, como Henry Ford fez em sua
empresa, podendo ainda reduzirem-se os custos fixos, além de outras vantagens.
Caso uma empresa queira participar do mercado globalizado, precisa ter em mente
as seguintes palavras de Porter(1): "As inovações que aumentam as economias de
escala ou estendem a curva de experiência para além dos limites dos mercados
nacionais podem levar à globalização da indústria...", ou seja, deve-se procurar
conhecer ao máximo os possíveis mercados externos para seu produto e passar a
atuar neles também -- é o que as montadoras costumam fazer.
O indicador mais usado para avaliar o grau de inovação tecnológica de um país é
o número de patentes concedidas a suas empresas pelo Escritório de Patentes e
Marcas dos Estados Unidos. Por esse índice, não estamos nada bem: em 1990, o
Brasil era o 28º país do mundo em número de patentes. Uma década depois, passada
toda a abertura da economia, havia caído para a 29ª posição... Afinal, ninguém
inova por inovar. Só inova quando a competição aperta e o mercado exige... (2)
Inovar não é simples. A questão crucial, provavelmente é: Como criar alguma
coisa que é inédita no mercado, uma coisa que ninguém fez antes?
Infelizmente, não há uma receita para isso. Algo que funciona bem para uma
empresa não necessariamente funciona para outra.
Além do mais, apesar da necessidade de uma empresa inovar continuamente, isso
nem sempre significa sucesso certo.
Como exemplo, cito a matéria "Linha de produção não deu certo por ser muito
avançada", de Stephanie Pain da Revista New Scientist, publicada no site
Inovação, patrocinado pela IBM e atualmente fora do ar: A reportagem(3) conta a
história de John Sargrove, um engenheiro visionário, que em 1947, após a Segunda
Guerra Mundial, instalou na Inglaterra uma fabulosa linha de produção altamente
automatizada, bem antes do advento da robotização fabril. A inovação
implementada por ele estava centrada no processo, mas, além disso, também no
produto: ele praticamente havia inventado um rudimentar circuito integrado,
baseado em placas de baquelite (um dos primeiros plásticos) com circuitos de
zinco, destinado à fabricação de rádios! Apesar de ser extremamente
revolucionária, sua invenção malogrou por estar praticamente 20 anos à frente de
seu tempo.
Uma empresa jamais deve ater-se às suas conquistas passadas. O passado é ótimo,
para compreender e impedir que se cometam os mesmos erros. Mas a inovação
precisa ser freqüente e deve ser sempre baseada no que deseja o mercado.
Apesar de ser um "gênio em marketing", Henry Ford cometeu um erro tremendo ao
sacrificar os desejos dos clientes em prol da redução dos custos: só produzia um
modelo de carro, de cor preta... Os erros que Ford cometeu há mais de oitenta
anos são cometidos todos os dias por organizações que teimam enxergar apenas a
si mesmas. Afinal, o produto/serviço que uma empresa produz deve agradar em
primeiro lugar a seus clientes e não a seus donos.
Não se pode deixar naufragar uma boa idéia inicial tentando mantê-la viva além
do necessário. A indústria de informática é ótima nisso. A Intel, principal
fabricante de CPUs para PCs, por exemplo, "mata" seus próprios produtos -
tornando-os obsoletos -- quando lança novos antes que a concorrência.
Entretanto, pode ser que o mercado em que uma empresa atua não seja tão dinâmico
e a sobrevida dos produtos seja muito maior, mas é justamente aí que vive o
perigo. O empreendimento pode tornar-se tão seguro (e dependente) de seu
produto, que talvez nem consiga reparar quando a concorrência criar um
substituto que possa levar seu mercado com ele. Aí é tarde demais. Conforme o
grau de dependência de uma empresa em relação àquele produto, o fim dela pode
ser inevitável.
Perguntemos: "O que é que o consumidor procura em primeiro lugar quando quer um
produto ou serviço? Qualidade ou preço?"
Nenhum dos dois, segundo o Prof. de Criatividade Rui Santo, do MBA da Poli/USP:
"O consumidor procura por coisas que proporcionam economia de tempo, de esforço
físico ou de deslocamento. E está disposto a pagar mais por isso...ninguém quer
ter trabalho. Quer comodidade, praticidade." (4)
Temos um bom exemplo. Em artigo de 2002 da Gazeta Mercantil(5), uma pesquisa da
Receita Federal e do SEBRAE mostrou que: "Das duas mil empresas pesquisadas no
Brasil, 1.356 são optantes do Simples. Destas, apenas 13,7% disseram que
aderiram ao programa por causa da redução de carga tributária." é óbvio que a
grande maioria optou pela comodidade em detrimento do valor.
Se uma empresa conseguir inovar neste ponto, tradicionalmente negligenciado
pelos "experts", haverá um diferencial bem vantajoso.
Santo(4) lembra-nos também da importância da marca: "é fundamental fazer com que
a marca da empresa - ou do produto - fique em evidência o maior tempo possível."
Como percebemos, o mercado atual está cada vez mais competitivo. Com a
globalização, mesmo uma empresa de "fundo-de-quintal" tem de estar ciente que a
concorrência a espreita, inclusive a partir do outro lado do mundo(6).
Alguns Exemplos Nacionais de Inovação
O Brasil não costuma investir numa inovação antes de que seu mercado se
consolide. Isso é muito ruim para nossa economia, pois a inovação está em sair
na frente e lucrar com isso. Acabamos investindo em mercados dominados por
outros países e são raras as vezes em que aproveitamos um nicho de mercado* de
forma plena. Mesmo quando dominamos uma tecnologia, fatores macroeconômicos*
acabam por prejudicar seu desempenho. Haja visto o exemplo da indústria
canavieira e da grande produção de álcool combustível na época do pró - álcool
nas décadas de 1970 e 1980, que quase nos livrou da necessidade da importação de
petróleo, principal componente da dívida externa de então, além de gerar novas
tecnologias no processo e novos produtos derivados da cana-de-açúcar, incluindo
o desenvolvimento da biotecnologia, em empresas como a Copersucar. Infelizmente,
em parte, o petróleo voltou a baratear no mercado internacional e os esforços
nacionais acabaram quase sucateados.
Cabe, a partir dos exemplos passados, não cometer os mesmos erros estratégicos e
utilizar a inovação em áreas nas quais possamos nos destacar.
- Novas Tecnologias de construção (7)
Uma tecnologia totalmente desenvolvida na Unicamp, para construção modulada de
unidades residenciais ou edificações para áreas de saúde e educação, o sistema
pré - fabricado em cerâmica vermelha foi adotado pela Prefeitura da cidade de
Passos para a construção de casas populares. "A principal vantagem do sistema é
a economia", explica o coordenador e idealizador do projeto, arquiteto Joan
Villà, do Laboratório de Habitação do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade
(Nudecri) da Unicamp. Em média pode-se reduzir o custo em até 25% em relação aos
métodos convencionais de construção.
O projeto chamado "Quadras em Condomínio" foi o único de Minas Gerais aprovado
pela Caixa Econômica Federal pelo processo de mutirão. Um investimento
aproximado de R$ 540 mil propiciou na primeira fase a construção de 110 casas
para famílias de baixa renda. Na segunda fase do projeto serão construídas mais
110 unidades. Os compradores terão a opção de dois tipos de construção: térreas
ou sobrados. Nas duas categorias a área será de 55 m², dispondo de dois
dormitórios, sala, cozinha, banheiro, área de serviço e alpendre.
O projeto procura integrar no mesmo quarteirão funções urbanas que geralmente
encontram-se separadas em loteamentos populares. O arquiteto Joan Villà explica
que o trabalho inova ao dispor lotes residenciais em volta de um espaço central,
onde se situam as quadras esportivas e espaço para recreação infantil. "Desta
forma a área de lazer ficará localizada na parte interna do condomínio,
inclusive abrigando um salão de festas e uma creche, oferecendo assim maior
segurança para os moradores", esclarece.
- Medicina & Biotecnologia
Vacina contra Febre Reumática que auxiliará combate a doenças Cardíacas(8)
O Laboratório de Imunologia do Incor, ligado à Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo, adotou três linhas de pesquisa, que correm em
paralelo, para o desenvolvimento de uma vacina:
1ª - Partindo de uma seqüência de peptídeos*, e coordenado pela médica Luiza
Guilherme Guglielmi, a abordagem prevê "...criar uma vacina que desabilite a
ação [da bactéria] estreptococo sem efeitos colaterias para os tecidos
cardíacos."
2ª - O laboratório tenta empregar proteínas recombinantes como vetor de
mensagens químicas de forma a "ensinar" as células T a distinguir os tecidos
cardíacos, de organismos agressores.
3ª - Uma possível vacina de DNA.
O laboratório, coordenado pelo professor Jorge Kalil, conta com uma "biblioteca"
de tecidos de pacientes que podem ser reproduzidos indefinidamente em cultura,
além de várias linhagens de linfócitos T capazes de serem replicados pelo mesmo
processo. As projeções mais otimistas são de que uma vacina efetiva seja criada
nos próximos 10 anos.
A pesquisa, orçada em US$ 3 milhões, recebeu recursos da Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Laboratório Teuto-Brasileiro,
empresa conhecida pela produção de medicamentos genéricos.
Uma vitória nesse campo significa milhões de dólares em royaltyes* da patente
para o Brasil.
Inseticida de Alvo Preciso que mata mosquito da dengue sem prejudicar outros
animais(9)
Um produto criado por pesquisadores brasileiros da Embrapa (Empresa de Pesquisa
Agropecuária) é capaz de matar o mosquito da dengue sem prejudicar outros
animais ou plantas. ótima notícia para o meio ambiente.
O produto, desenvolvido em parceria com a Bthek Biotecnologia, uma empresa de
Brasília, ataca tanto o Aedes aegypti (mosquito da dengue), quanto os insetos do
gênero Simullium, os infernais borrachudos. O bioinceticida é um preparado de
cultura da bactéria Bacillus thuringiensis, usada em diversas aplicações do
gênero.
"Podemos ingerir, que não acontece nada para nós", diz a cientista Rose Monnerat,
da Embrapa Recursos Genéricos e Biotecnologia, líder da pesquisa.
Um novo meio de cultura e uma formulação do produto tiveram de ser desenvolvidos
para que o inseticida se adaptasse a suas condições de uso. Após passar em
diversos testes de segurança e eficácia, o Bt-Horus, como é chamado o
inseticida, foi registrado no Ministério da Saúde, e a empresa poderá participar
de licitações para compra de material para o combate à epidemia. Alguns
carregamentos já foram vendidos a agropecuaristas de Santa Catarina, diz Rose.
DNA contra a Cisticercose(10)
Método brasileiro melhor e mais barato que detecta larvas de tênia no cérebro
está sendo desenvolvido pelo Laboratório de Neurociências da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O teste detecta a presença de
fragmentos de DNA do verme no líquido cefalorraquidiano, que banha o cérebro e a
medula.
A cisticercose pode, em muitos casos levar à morte, além de causar aumento da
pressão intracraniana, hidrocefalia e crises hepilépticas. Oficialmente a doença
atinge hoje, pelo menos, 140 mil pessoas só no Brasil. O diagnóstico tradicional
dessa doença é caro e complicado. Essa foi a motivação da FMUSP para criar essa
nova ferramenta.
"Muitas vezes, a doença só é descoberta porque o paciente teve uma crise
epilética ou sofre de dores de cabeça e é encaminhado ao setor de neurologia",
explica a bióloga Carolina Rodrigues de Almeida, autora do trabalho, que teve
financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico) e da Associação Beneficente Alzira Denise Herzog Silva.
Uma outra opção é utilizar testes imunológicos, como Elisa e EITB, que detectam
antígenos do parasita. O problema é a geração de vários falsos positivos. A
outra opção, requer uma ressonância magnética, que mostra as larvas no cérebro
com uma tomografia, mas que custa cerca de R$ 5 mil.
- Turismo
É triste que um país como o Brasil, com riquezas naturais fantásticas, praias
idílicas, locais históricos, excelente gastronomia, não explore melhor o mercado
de turismo, como fazem muitos outros países e tenha nele sua principal fonte de
recursos. Entretanto, apesar disso, o país foi visitado por 4,7 milhões de
turistas estrangeiros em 2003(11).
Um nicho de mercado que começa a ser explorado por hospitais, clínicas e
empresas é o de tratamentos médicos para estrangeiros, ou seja, o turismo de
saúde(11).
"A idéia é vender a cidade [de São Paulo] em feiras internacionais com produtos
de saúde de qualidade", explica Tasso Gadzanis, vice-presidente da São Paulo
Turismo (SPTuris). Para tanto, esse órgão oficial de turismo, lançará um manual
com dicas de hospitais, exames e clínicas locais. Como um guia turístico que se
preze, as informações de saúde serão floreadas com sugestões de compras e lazer.
Em 16 de junho, hospitais como o Sírio-Libanês, Samaritano (ambos em São Paulo)
e Moinhos de Vento (em Porto Alegre), a empresa L+M Arquitetura (especializada
em projetos hospitalares) e a Associação Brasileira de Medicina Intensiva,
apresentaram à Agência de Promoção de Exportações (Apex) do Ministério do
Desenvolvimento, a idéia de divulgá-los em congressos e feiras internacionais.
Dos 4,7 milhões de turistas citados anteriormente, 0,5% (cerca de 23.500
pacientes) realizaram tratamentos de saúde no país, um aumento de 0,4% em
relação a 2001. Em 2004, foram realizadas 800 mil cirurgias plásticas, das quais
2% foram em estrangeiros.
A Inovação e o Emprego
A inovação é considerada, há muito tempo, uma "ceifadora" de empregos.
Desde a Revolução Industrial inglesa, que os trabalhadores se ressentem da
mecanização adotada nas fábricas e na agricultura. Uma colheitadeira automática
faz o serviço de cem homens ou mais em menos tempo. Uma máquina de tear idem.
Com isso, a quantidade de empregos necessários para produzir a mesma quantidade
de bens é drasticamente reduzida.
Do ponto de vista imediatista, é terrível. Várias pessoas são lançadas na
miséria, suas condições de vida são jogadas por terra e isso gera perturbações
sociais imensas. A revolução Russa de 1917 é um bom exemplo do que pode ocorrer
nesses casos.
Entretanto, num período de tempo mais longo, notamos que é justamente a inovação
que acarreta as mudanças sociais mais profundas, na maior parte das vezes de
forma positiva. A história nos mostra que não foram as revoluções ideológicas as
propulsoras do desenvolvimento e sim as tecnológicas, ao "sacudir" a sociedade
em suas bases.
Devemos às inovações o progresso da sociedade. à descoberta e utilização da
eletricidade, dos antibióticos, da linha de montagem, da criação de novos
materiais, entre uma infinidade de inovações diárias. Infelizmente muitas delas
desenvolvidas em períodos de guerra. Novos tipos de trabalho, em geral menos
"físicos" e mais intelectuais são desenvolvidos. Ocorre um aumento de
produtividade* nas empresas.
Paralelamente, o percentual de analfabetos no mundo tem declinado constantemente
desde o século XIX. As pessoas tem vivido mais e melhor e a grande quantidade
delas no mundo, inclusive, está se tornando um problema.
Sociedades mais justas tem surgido a partir da metade do século XX e os jovens
nos países desenvolvidos tem começado a trabalhar bem mais tarde.
Crises decorrentes do envelhecimento da sociedade são iminentes. Estima-se que
em 2000 havia 606 milhões de idosos nos mundo e que em 2050 haverá 1,97 bilhão
(12)! As atuais crises previdenciárias em muitos países, inclusive de primeiro
mundo, são apenas um dos fatores que o envelhecimento humano traz. E somente
através das inovações poderemos evitar que isso se transforme em algo que ponha
em risco nossa existência como espécie*.
Tecnologias inovadoras como o microcomputador e a internet, tem disponibilizado
a informação e a comunicação on line entre as pessoas no mundo inteiro e nos
levam em direção à chamada aldeia global.
A humanidade tem podido vencer doenças que até poucos anos dizimavam milhões e
enfim, tem se aventurado para fora do planeta, de forma incipiente e através de
robôs, porém, irreversívelmente.
Nenhuma dessas conquistas sociais seria possível sem as inovações. A sociedade
se adapta às mudanças, ela se inova e se renova também. Algumas vezes mais
rápido que em outras, mas no geral, a vida tem estado melhor neste último
século, do que nos 5.000 anos de história anteriores.
GLOSSÁRIO
Economias de Escala - Estão ligadas às chamadas escalas de produção. A escala de
produção, grosso modo, é o ritmo em que ocorre a variação da produção,
levando-se em conta os fatores de produção utilizados (ex.: maquinário).
Espécie - Conjunto de seres que possuem a mesma essência, excluídas suas
particularidades individuais.
Macroeconomia - Parte da ciência econômica que focaliza o comportamento do
sistema econômico como um todo(13).
Nicho de Mercado - Divisão de um mercado. Ex: Automóveis de alto desempenho são
um nicho de um mercado maior, o de automóveis. Peptídeos - Proteína de baixo
peso molecular, formada de aminoácidos unidos por uma ligação peptídica (ligação
entre os grupos carboxila e amina de dois aminoácidos, com a eliminação de uma
molécula de água)(14).
Produtividade - Em termos globais, a produtividade expressa a utilização
eficiente dos recursos produtivos, tendo em vista alcançar a máxima produção na
menor unidade de tempo e com os menores custos(13).
Reengenharia - Transformação profunda dos métodos e processos empresariais
utilizados em empresas cujos produtos não atendem às necessidades dos clientes e
revelam a necessidade de mudanças em todos os níveis, desde a administração até
a produção e os serviços auxiliares(13).
Royalty - Valor pago ao detentor de uma marca, patente, processo de produção,
produto ou obra original pelos direitos de sua exploração comercial(13).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) Porter, Michael E. Estratégia Competitiva, Editora Campus, 1986.
(2) Ferraz, Eduardo. O Motor da Inovação. Revista Exame de 02/10/02, Editora
Abril.
(3) www.uol.com.br/inovacao/ultnot/ult763u312.shl
(4) Citado dos artigos "Falta de criatividade faz empresas perderem negócios" e
"O mercado corre atrás de quem sabe se mostrar" do Prof. de Criatividade Rui
Santo, do MBA da Poli/USP. Jornal Administrador Profissional, nº 192,
junho/2002. Conselho Regional de Administração - SP.
(5) Artigo "Empresas optam pelo Simples para reduzir a burocracia". Gazeta
Mercantil de 05/07/2002.
(6) Artigo baseado em palestra do Prof. C. K. Prahalad da Universidade de
Michigan, promovida pela HSM - Management. Jornal Administrador Profissional, nº
196, outubro/2002. Conselho Regional de Administração - SP.
(7) www.unicamp.br. Solução Unicamp - Casas Populares.
(8) Barbosa, Alexandre. Vacina Contra Febre Reumática. Scientific American
Brasil, maio/2003. Editora Duetto.
(9) Garcia, Rafael. Inseticida de Alvo Preciso. Scientific American Brasil,
junho/2005. Editora Duetto.
(10) Bellinghini, Ruth Helena. DNA contra a Cisticercose. Scientific American
Brasil, junho/2005. Editora Duetto.
(11) Lopes, Adriana Dias. Brasil Descobre o Turismo de Saúde. O Estado de São
Paulo, 17/07/05.
(12) Garcia, Rafael. Resenha do livro A Revolução dos Idosos de Frank
Schirrmacher. Scientific American Brasil, agosto/2005. Editora Duetto. (13)
Sandroni, Paulo. Dicionário de Economia e Administração, Nova Cultural, 1996.
(14) Grande Enciclopédia Larousse Cultural. 1998. Nova Cultural.
Henrique Montserrat Fernandez é Administrador de Empresas com pós-graduação em Análise de Sistemas e MBA em Tecnologia da Informação / E-management pela Strong/FGV. Com 29 anos de atuação profissional, trabalhou em empresas de médio e grande portes, tais como Grupo Bonfiglioli, Copersucar e SENAC, entre outras. Foi Gerente de Sistemas e Métodos da Zanthus, tradicional fabricante de Terminais Ponto de Venda, onde atuou por mais de seis anos. Foi também professor universitário na década de 90.