Marketing Pessoal - Não há Ética no Marketing Pessoal?
Por Carlos Alberto de Faria
13/09/2007
- “Não há ética no marketing pessoal! Não há ética no marketing!”
Essa frase, proferida com toda a força que aparenta ter no papel, ou escrita, eu
ouvi de uma pessoa próxima. O marketing, como todo o conhecimento, depende de
quem o aplica. O marketing por si próprio não tem valor. A sua aplicação, feita
por pessoas, é que tem valor.
Eu trabalho com marketing, e com marketing pessoal, e trabalho com ética! Vamos
ver como pode se trabalhar com ética no marketing pessoal.
Este é o resumo, adaptado e melhor elaborado, da minha argumentação.
Quando o produto ou serviço é o desempenho de uma pessoa, neste caso específico
o seu desempenho, algumas considerações pessoais sobre atitudes e comportamentos
precisam ser pensadas previamente, a sua colocação frente ao mercado e frente a
seu cliente atual e a seus clientes potenciais, sobre a moralidade de você se
colocar disponível no mercado, como se fosse um produto ou um serviço,
“coisificando” a pessoa.
A primeira parte deste questionamento - e posicionamento pessoal - é estar
convicto de que você precisa expor seu desempenho e suas competências para
garantir sua empregabilidade. E é necessária esta convicção!
Algumas pessoas se sentem mal com essa possível “coisificação” de sua pessoa,
sentem-se como se estivessem se colocando numa prateleira. Esse sentimento é
freqüente e precisa ser trabalhado, mas antes precisa ser entendido e
respeitado.
Caso esse seja o seu caso, você, por enquanto, não deve fazer o marketing
pessoal; vai soar falso, você não vai se sentir bem e, inevitavelmente, vai
transmitir isso aos seus clientes potenciais. O resultado, provavelmente, não
será o esperado pela sua própria falta de convicção. Antes do marketing pessoal
trabalhe com você próprio!
É regra básica dos facilitadores de compras - os antigos vendedores - só colocar
para compra dos clientes produtos e serviços nos quais ele confia. Esta
confiança transparece, brota, surge, aflora para os clientes.
Lembre-se que, nestes tempos “bicudos”, o emprego não mais representa um elo
entre empresa e empregado.
Tanto a empresa pode dispensar seus serviços – caso você esteja em um emprego
tradicional, ainda! -, o relacionamento empresa-empregado representa um
interesse momentâneo e ao sabor das condições da empresa, de mercado e dos seus
concorrentes (concorrentes da sua pessoa, e não da empresa), e caso a empresa
julgue haver encontrado alguém que faça o que você faz, por menos ou melhor, ela
opta pelo seu concorrente; como você, num raciocínio análogo, pode encontrar um
emprego melhor; e você tem, TAMBÉM, o direito de livre escolha. Sem remorso e
sem vínculos. Ponto final.
É fácil falar e escrever, mas compreendo que possa ser mais difícil ou demorado,
para algumas pessoas, o processo de ruminar esses sentimentos!
Uma outra pergunta sobre marketing pessoal, à primeira vista, é sobre a ética da
seguinte questão:
- "Posso estar empregado, trabalhando para alguém, e ao mesmo tempo me colocando
a disposição meus serviços para outros possíveis empregadores?"
Como fazer isso, sem ferir a ética?
Este questionamento deve ser respondido por você, e somente por você! E antes de
você iniciar o seu próprio marketing pessoal.
Resolvendo ou equacionando o dilema ético: como fazer o marketing pessoal, com
ética?
Eu vejo somente uma saída, em três etapas, para o dilema ético do marketing
pessoal:
- trabalhar,
- trabalhar muito e
- trabalhar muito bem,
para o seu empregador atual, dar tudo de si, brilhar encantando seu empregador.
e, então, colocar na "prateleira" ou na "vitrine" os resultados do seu trabalho,
através de artigos, colaborações, palestras, conferências, autoria de livros,
relacionamento com semelhantes em outras empresas fora do ramo de atuação da
empresa na qual você trabalha atualmente, etc.
Já o relacionamento com empresas dentro do mesmo ramo de atividades, ou seja,
empresas concorrentes daquela para a qual você presta serviços, com a
possibilidade de levar conhecimentos de uma para outra empresa, pode ser
questionado sob o ponto de vista ético.
Veja por exemplo o valor Garantia de Confidencialidade da Merkatus, em nossa
página Missão, Visão e Valores, onde consta textualmente: “Garantimos ainda que
não prestaremos consultoria a quaisquer concorrentes de nossos clientes, que
atuem no mesmo segmento e na mesma área geográfica, durante seis meses após o
término de nossa consultoria.”
O seu relacionamento com os familiares, amigos e colegas de trabalho é outro
ponto a ser cuidado; cultive um bom relacionamento pessoal com todos.
Lembre-se que cada pessoa é diferente e as diferenças devem ser valorizadas.
Aceite as pessoas como elas são, não de uma forma resignada, mas de uma forma
construtiva.
Os outros só conseguem ser o que são e para que esses outros correspondam às
nossas expectativas e necessidades são necessárias a negociação e o acordo. Esta
negociação e este acordo situam-se em uma rua de duas mãos!
Resumindo, aja com ética, SEMPRE e com TODOS, inclusive com VOCÊ, e:
1. O juiz final do seu trabalho é o seu empregador, é quem lhe paga para obter
os resultados que ele quer, portanto:
-trabalhe,
-trabalhe muito e
-trabalhe muito bem,
para gerar resultados apreciados pelo seu empregador atual.
2. Coloque seus trabalhos na “prateleira”, em todas as "vitrines" que você
puder!
3. Cuide primeiro de ser ético e, depois, de parecer ético!
Ou seja, o marketing pessoal se faz com transpiração - muito trabalho de
excelente categoria - e ética: honestidade, lisura, transparência, etc.
Carlos Alberto de Faria é sócio diretor da Merkatus - Fonte: Merkatus