Marketing e Universo Infantil:
ANÁLISE DAS ESTRATÉGIAS UTILIZADAS PELO SUPLEMENTO INFANTIL “PROGRAMINHA”, DO JORNAL HOJE EM DIA.
Por: ISABELA CARDOSO RODRIGUES E ADÉLIA BARROSO FERNANDES
16/10/2007
ICENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE – UNI-BH
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO, PESQUISA E EXTENSÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO “LATO SENSU”
EM MARKETING E COMUNICAÇÃO
Resumo
As crianças constituem um público insaciável em busca de conhecimento, daí a
importância de se estudar os materiais voltados para esse público. Esse artigo
ajuda a refletir sobre como o suplemento infantil “Programinha”, do jornal Hoje
em Dia, apresenta as realidades para o público infantil, além de demonstrar a
relevância de uma análise constante dos produtos midiáticos dirigidos às
crianças.
Palavras Chaves: Marketing, Jornalismo infantil, Construção social da realidade.
Abstract:
Children constitute a public that is always in search of new knowledge, so, it
is very important to analyze all the products made for them. This article helps
to think about how the supplement “Programinha”, from Hoje em Dia’s paper, shows
the kids the reality of the world, beyond the importance of a constant study of
the media products directed for children
Key-words: Marketing, Children’s Journalism, Social Reality Construction.
1 Introdução
Existem diferentes formas de se perceber a realidade. O jornalismo atribui
valores aos acontecimentos, construindo, assim, as realidades de uma forma
bastante particular. Neste contexto, o discurso jornalístico apresenta-se como
uma forma de construção social da realidade. Atualmente, as editorias dos
jornais trabalham na construção de um universo mais próximo e mais interessante
ao seu universo de leitores.
O marketing, por sua vez, caracteriza-se por trabalhar com mercados e tentar
realizar trocas em potencial para satisfazer às necessidades e os desejos
humanos. As estratégias de marketing diferenciam-se de acordo com o público-alvo
para garantir a satisfação desse mercado. Existem estratégias relacionadas ao
produto, ao preço, à distribuição e à comunicação e propaganda. A presente
pesquisa procura identificar quais as estratégias de marketing adotadas pelo
suplemento infantil Programinha, do jornal Hoje em Dia, que apóiam o jornalismo
na sua tarefa de construir socialmente a realidade para esse determinado
público.
2 Marketing
O marketing funciona, para muitos, apenas como estratégia de venda, promoção e
divulgação de produtos. Há ainda uma idéia mais restrita que limita o marketing
a uma função meramente comercial. Desenvolver estratégias de comunicação de
marketing é um dos principais desafios enfrentados por organizações que atuam em
um mercado altamente dinâmico.
Boas estratégias de marketing, incluindo o desenvolvimento de produtos
atraentes, preços compatíveis, bons pontos de distribuição e uma comunicação
eficiente são essenciais para o sucesso de empresas. Além disso, a constante
atenção aos mercados concorrentes, à situação econômica da região e outros
fatores são importantes porque também afetam o mercado.
William Pride e O. C. Ferrel (2006) definem marketing como o processo de
criação, distribuição, promoção e estabelecimento de preço de produtos, serviços
e idéias que possam facilitar a satisfação de consumidores. “Consumidores são o
foco de todas as atividades de marketing. As organizações devem definir o que
produzir visando sempre satisfazer os clientes” (PRIDE; FERREL, 2006: 04),
tradução da autora.
A essência do marketing está em desenvolver trocas que satisfaçam tanto as
organizações quanto os consumidores. As empresas esperam ganhar algo de valor em
retorno ao benefício que promovem aos consumidores, geralmente, o preço cobrado
pelos produtos. Já os clientes esperam o suprimento de suas demandas por
produtos com preços compatíveis.
As organizações focam seus esforços em um mercado-alvo. Há organizações que
focam em vários mercados-alvos paralelamente. Essas empresas definem diferentes
estratégias de promoção, produto, preço e distribuição.
Estratégias de marketing envolvem muito mais do que apenas o desenvolvimento de
produtos que atendam as necessidades dos consumidores. O marketing ocupa-se de
colocar o produto disponível nos lugares adequados a um preço aceitável pelos
consumidores. Além disso, a comunicação de informações que ajudarão os
consumidores a definir se os produtos atendem realmente suas necessidades faz
parte das estratégias de marketing.
Essas atividades referentes ao produto, praça (formas de distribuição), promoção
e preço são conhecidas como os quatro P’s do marketing ou como mix de marketing.
O objetivo primordial das estratégias de marketing é desenvolver e manter o
melhor mix que atenda às necessidades dos consumidores.
William Pride e O.C. Ferrell (2006) destacam que antes das organizações
definirem seu mix de marketing é importante que façam pesquisas visando
descobrir as reais necessidades dos consumidores. Idade, nível educacional,
sexo, renda, além da relação dos clientes com produtos concorrentes devem ser
analisadas.
Produtos que se transformam em uma parte do dia-a-dia podem ser considerados
esforços de marketing bem sucedidos. “Um produto pode ser um objeto, um serviço
ou uma idéia.(...) Ao contrário dos objetos, o serviço é uma aplicação de
esforços humanos ou de máquinas que garantem benefícios aos consumidores. Já as
idéias incluem conceitos, filosofias e imagens” (PRIDE; FERREL, 2006: 06).
Quando nos referimos a produto como um dos quatro P’s de marketing envolvemos a
criação e modificação de nomes de marcas, empacotamento e até mesmo a garantia
desses produtos. O desenvolvimento de novos produtos assim como a modificação
dos já existentes e a extinção dos que já não satisfazem os clientes é
importante para que as estratégias de marketing atinjam seus objetivos.
Para satisfazer aos consumidores, os produtos devem estar disponíveis na hora e
nos lugares mais convenientes aos clientes. O transporte dos produtos e os
custos de estoque também fazem parte da distribuição, conhecida no mix de
marketing como praça. Kotler e Armstrong (1999), afirmam que os sistemas de
distribuição de produtos podem ser utilizados para se obter vantagem
competitiva.
A promoção envolve toda a divulgação do produto. Ela pode apenas ter o objetivo
de aprimorar a idéia que os consumidores têm de um produto ou criar uma idéia
para um produto novo no mercado. Atividades de promoção podem também educar
consumidores sobre determinados problemas sociais e políticos, como o abuso de
drogas e de cigarros.
Raimar Richers (2000) destaca que no Brasil, de todos os instrumentos do mix de
marketing, a publicidade é a mais utilizada e a mais popular. Entretanto, o
autor enfatiza a necessidade das empresas em saberem o que comunicar ao seu
público-alvo e de que maneira. Se a comunicação for feita de forma
desestruturada, pode abalar toda a imagem do produto.
Os meios de informação utilizados variam de acordo com o mercado-alvo e com o
produto divulgado. Atualmente, muitas empresas utilizam a Internet para
comunicar seus produtos aos consumidores, destacam William Pride e O.C. Ferrell
(2006). Segundo Richers (2000), “hoje, encaramos a Internet sobretudo como um
instrumento para realizar negócios” (RICHERS, 2000: 325).
Louis Boone e David Kurtz (1998) destacam a função do marketing de cultivar a
atenção, o interesse e preferências de um determinado público-alvo. Mais
importante do que desenvolver produtos de qualidade é essencial a adoção de um
programa eficaz de comunicação e promoção. Dessa forma, o marketing é um
importante contribuinte do jornalismo na sua tarefa de construção social da
realidade.
Um relacionamento duradouro entre cliente e empresa é construído por uma
comunicação eficiente. Kotler (1996) enfatiza que a promoção eficiente exige um
conceito integrado de comunicação em marketing. As empresas devem estabelecer um
relacionamento emocionalmente satisfatório com seus clientes. Segundo Kotler, o
comunicador ainda deve atentar-se ao seu público-alvo para determinar as
estratégias que serão utilizadas para atrair e manter esse mercado.
A variável preço, dos quatro P’s, relaciona-se às decisões e ações ligadas ao
estabelecimento de preços, considerando fatores políticos e econômicos. Preço é
geralmente uma ferramenta que garante muita competitividade às organizações
porque os consumidores se preocupam muito com o valor que pagam por determinado
produto.
A estrutura de fixação de preços pode mudar ao longo do tempo, à medida que os
produtos vão se desenvolvendo. “A empresa ajusta os preços dos produtos conforme
as variações dos custos e da demanda, levando em conta as variações dos
compradores e das situações” (KOTLER, ARMSTRONG, 1999: 254)
O marketing afeta diretamente a sociedade. Segundo Pride e Ferrell (2006), as
atividades de marketing são essenciais para produtos satisfatórios aos olhos das
empresas e dos consumidores. Obviamente, essas atividades custam dinheiro.
“Cerca de 50% do preço pago a um produto são para cobrir custos de marketing”(
PRIDE; FERREL, 2006: 17).
O marketing aquece a economia. Lucros gerados a partir de estratégias bem
planejadas contribuem para o desenvolvimento de novos produtos e tecnologias.
Pride e Ferrel (2006) enfatizam que as atividades de marketing ajudam a melhorar
a qualidade de vida da população. O marketing faz das pessoas melhores
consumidores.
As estratégias de marketing consistem basicamente na seleção do mercado-alvo e
no desenvolvimento de um mix de marketing capaz de suprir as necessidades desse
público. Segundo Pride e Ferrel (2006), é importante que as organizações avaliem
suas capacidades internas para maximizar as oportunidades externas. O
planejamento dessas estratégias deve ser orientado pela cultura organizacional.
3 Jornalismo e construção social da realidade
3.1 O jornalismo
É por meio das notícias que os acontecimentos e os assuntos passam a ser
reconhecidos, comentados e interpretados. Segundo Mário Erbolato (1991), a
função dos jornais é comprar e vender informações. Mas, nem tudo que acontece se
transforma em notícia. Portanto, é necessário escolher, dentre uma série de
fatos, os que têm relevância para se tornar notícia.
Segundo Nilson Lage (1999), linguagem é um sistema de sinais que possui regras
que variam de acordo com idiomas. Existem também linguagens particulares a
determinados grupos sociais, determinadas profissões etc. O jornalismo também
possui uma linguagem própria, visto que é prática social sem fronteiras. Para
Lévi-Strauss, citado por Mayra Gomes (2000), a linguagem não nasce de repente.
Ela surge e modifica-se progressivamente. A linguagem é usada para criar uma
determinada realidade.
Lage destaca que revistas ilustradas e jornais que publicam grandes reportagens
costumam variar o desenho das letras usadas nas manchetes e nos títulos
principais. Na maioria dos textos, as letras romanas são adotadas porque servem
bem à leitura. As cores também são usadas para chamar a atenção para um assunto.
Segundo Lage, o texto jornalístico deve conter informações conceituais e usos
lingüísticos sem valores referenciais devem ser evitados. “Sua descrição não se
pode limitar ao fornecimento de fórmulas rígidas porque elas não dão conta da
variedade de situações encontradas no mundo objetivo e tendem a envelhecer
rapidamente” (LAGE, 1999:36).
Lage distingue a linguagem formal da informal. Segundo ele, a linguagem formal é
mais durável. Entretanto, a linguagem informal é espontânea e reflete a
realidade imediata, comunitária. O jornalismo combina a linguagem formal com a
informal a partir de expressões possíveis no registro coloquial e aceitas nos
registros formais. O texto jornalístico, por ser referencial, é escrito na
terceira pessoa. Existem exceções, como as crônicas e os editoriais.
A ideologia do jornal e da sociedade de um modo geral está presente na linguagem
jornalística. Lage explica que não há como separar ideologia do jornalismo, pois
este último não se faz fora da sociedade e de seu contexto histórico e cultural.
A notícia pode motivar revolta ou conformismo, comover, ou até mesmo, agredir
alguém.
Existem normas de redação em veículos impressos que variam de jornal para
jornal. Lage destaca que em matérias muito longas de revistas ou suplementos, há
frases ou palavras destacadas em uma letra diferente ou com um corpo maior. “O
objetivo, ai, é duplamente estético e de motivação da leitura” (LAGE, 1999:52).
Além do texto, as imagens também informam o leitor. As fotografias, ilustrações,
desenhos e infográficos são, muitas vezes, fundamentais para que o leitor
compreenda melhor uma determinada informação.
Os meios de comunicação de massa têm a função de informar, explicar os fatos
detalhadamente, formar e entreter o leitor. Por isso, o jornalismo é
freqüentemente dividido em quatro categorias: jornalismo informativo,
interpretativo, opinativo e de entretenimento, também, chamado jornalismo
diversional. Esta divisão tem como base as quatro funções do jornalismo
propostas pelos teóricos da Teoria Funcionalista.
José Marques de Melo (1985) destaca que o jornalismo interpretativo, também
conhecido como explicativo, motivacional e jornalismo em profundidade, na medida
em que informa os cidadãos, ajuda a criar o acervo de conhecimentos de toda a
coletividade. Os acontecimentos são explicados e esclarecidos de forma
detalhada.
Os jornais trazem mais detalhes de um acontecimento do que qualquer outro
veículo de comunicação de massa. Curtis Mac Dougall, citado por Melo (1985),
assegura que o objetivo do jornalismo interpretativo é explicar as causas que
levaram a um determinado acontecimento, além de discutir as possíveis
conseqüências para o mesmo. No jornalismo interpretativo, o repórter não emite
opiniões explícitas.
Segundo José Marques de Melo (1985), o jornalismo opinativo e o informativo
predominam sobre as outras categorias jornalísticas. O jornalismo opinativo,
diferentemente do interpretativo, apresenta análise e interpretação dos fatos. O
jornalismo opinativo encontra-se nas colunas editoriais, incluindo artigos,
crônicas, resenhas, entre outros.
O jornalismo opinativo tem a função de influenciar o homem. Essa categoria
jornalística promove debates, levanta problemas e participa ativamente do
cenário político. O jornalismo informativo apresenta-se como categoria
hegemônica no século XIX. Durante esse período, “a imprensa norte-americana
acelera seu ritmo produtivo, assumindo feição industrial e convertendo a
informação de atualidade em mercadoria” (MELO, 1985: 15).
O jornalismo permite ainda uma forma mais amena e atrativa de escrever. Mário
Erbolato classifica esse jornalismo como diversional ou jornalismo de
entretenimento. Segundo o autor, o jornalismo diversional combina criatividade e
informação. A prática desse jornalismo demanda mais tempo porque não se limita a
dados superficiais. “Esse gênero jornalístico é muito usado pelas revistas
ilustradas, que devem editar, no final de cada semana, sob ângulos novos e
descrições romanceadas, o que os jornalistas mostraram durante vários dias
seguidos” (ERBOLATO, 1991:44).
Nelson Traquina (2001) ainda destaca a existência de uma outra categoria
jornalística, o jornalismo cívico. Segundo ele, o jornalismo cívico tem a função
de informar para formar valores nos cidadãos. “Nalguns casos, os jornalistas
tornam-se parceiros ativos na produção de soluções para os problemas da
comunidade” (TRAQUINA, 2001: 176).
3.2 A construção social da realidade
Existem diferentes esferas da realidade. Segundo Peter Berger e Thomas Luckmann
(1999), existe uma realidade mais efetiva que as outras: a realidade da vida
cotidiana. Essa realidade sobressai-se à consciência de uma forma mais intensa,
forte e urgente. Berger e Luckmann destacam que a realidade da vida cotidiana é
acessível aos membros de uma sociedade pela forma de senso comum. Ela é
interpretada pelos homens e é dotada de sentidos subjetivos. Esses sentidos
ajudam a tornar o mundo mais coerente. O discurso jornalístico apresenta-se como
uma forma de construção social da realidade. Ele transforma a realidade da vida
cotidiana e transmite às pessoas visões referenciais de mundo.
Os jornais impressos e os demais veículos de comunicação tentam se integrar e
criar uma identificação com seu público. Para isso, constroem realidades
diferentes. Hoje, em função principalmente da concorrência cada vez mais
acirrada, os meios de comunicação têm procurado novas estratégias de mercado.
Uma que se destaca é a crescente segmentação do público, visando atingir setores
diferenciados, como os cadernos especializados – feminino, veículos, infantil,
entre outros.
4 O Programinha: mídia e universo infantil
A mídia e o marketing colaboram na construção social da realidade. No campo
infantil, essa construção pode ter um caráter mais comercial e mercadológico.
Por outro lado, a mídia tem potencial para construir a realidade de uma forma
mais lúdica, mais voltada para o jornalismo cívico e para a formação de
conceitos nas crianças.
Fundado em 1988, o Hoje em Dia passou por várias transformações e formatações
até se transformar no periódico que hoje circula por todo o estado. Atualmente,
o jornal publica nove cadernos. O Programinha, suplemento voltado para o público
infantil, circula aos domingos.
Antes da formatação atual, o Programinha possui outro nome e era um suplemento
terceirizado, produzido pela empresa Criar Comunicação Integrada. O Matinê
investia muito em entretenimento e ilustrações. Em 1993, o Matinê passou por
transformações em sua diagramação e em seu conteúdo, passando a se chamar
Programinha. A partir daí, o suplemento deixou de ser terceirizado.
Atualmente, o caderno tem oito páginas. A matéria de capa, geralmente, ocupa
duas páginas. O “Roteiro”, que traz dicas de cinema e teatro, vem sempre na
página dois, assim como o Clube Mirim, que dá destaque para as promoções. A
seção “Quero entender” vem sempre na página três e tem caráter explicativo. As
brincadeiras e estórias-em-quadrinhos aparecem na seção “Divirta-se”, sempre na
página seis. A última página é destinada às resenhas de livros infantis.
Nas cinco edições do suplemento analisadas (de 29 de julho de 2007 a 26 de
agosto de 2007), são encontrados vários critérios de noticiabilidade, que
diferem assuntos corriqueiros daqueles que têm potencial para se transformar em
matéria jornalística. As matérias do Programinha abordam assuntos e temas
recentes e importantes em determinado período. A volta às aulas foi tema da
edição do dia 29 de julho. Ainda dentro desse critério, o suplemento busca
enfatizar datas comemorativas, como o Folclore (edição de 19 de agosto), o dia
do estudante (edição de 12 de agosto) e a comemoração dos cem anos de Oscar
Niemeyer, um dos mais importantes arquitetos da história brasileira (edição de
05 de agosto).
Outro critério de noticiabilidade muito presente nas matérias é a proximidade.
Os fatos que acontecem próximo aos leitores ganham notoriedade e transformam-se
em notícias. É o caso da matéria da edição de 26 de agosto, “Estudante no mundo
da Lua”, que traz informações sobre um projeto de uma escola de Belo Horizonte
que incentiva os alunos a estudar as estrelas. Outro exemplo é a matéria da
edição de 12 de agosto, que aborda outro projeto escolar em que as crianças têm
aula de teatro para incentivar a leitura.
O Programinha adota uma linguagem simples, que permite fácil compreensão do
leitor. Há uma combinação da linguagem formal com a informal. Os textos têm
expressões coloquiais, mas as regras gramaticais não são desprezadas a fim de
criar um texto “fácil de se ler”. Nenhuma edição possui glossário para
explicação de termos difíceis.
As ilustrações, na maioria das vezes, são bem exploradas pelo suplemento. As
fotos e os desenhos têm ligação com o texto, estimulando a leitura das crianças.
A própria capa do suplemento se resume a uma grande ilustração e uma frase ou
palavra de efeito sobre a matéria principal do caderno. As imagens publicadas no
interior do suplemento trazem muitas imagens de crianças, traduzindo uma
preocupação em garantir a participação desse público na composição das matérias.
Apesar da conexão entre ilustrações e texto, algumas vezes, o suplemento peca
por colocar um texto longo demais, dispersando a atenção e o interesse das
crianças. É o caso da matéria “Teatro vira antena para o mundo”, da edição de 12
de agosto.
O Programinha também utiliza gráficos e boxes para chamar a atenção para
determinados assuntos. Os gráficos permitem que as crianças compreendam melhor
os assuntos e enriqueçam seus conhecimentos.
Todas as páginas do caderno são coloridas e o desenho das letras varia. Nos
textos, o tipo da letra permanece sempre o mesmo, não prejudicando a leitura. A
diagramação do Programinha não é padronizada. Cada página tem uma diagramação
diferente. Apenas a página dois, que tem a seção “Roteiro”, tem sempre o mesmo
formato.
Várias categorias do jornalismo são encontradas no suplemento analisado. O
jornalismo interpretativo está presente em todas as edições estudadas.
Semanalmente, o Programinha publica uma matéria principal, que é a reportagem de
capa. Essas matérias são aprofundadas, mostrando as causas e possíveis
conseqüências de determinado fato. Na edição de cinco de agosto, por exemplo, o
jornal publicou uma grande matéria sobre o livro dos recordes no reino animal e
vegetal. Vários boxes explicativos e imagens foram utilizados para explicar
melhor o tema. A matéria teve continuação na página sete, citando uma série de
exemplos do livro dos recordes. O jornalismo informativo destaca-se,
principalmente, na seção “Quero entender”.
O jornalismo opinativo é encontrado na seção “Livro”. Sempre na página oito, a
resenha mostra a opinião pessoal da editora do suplemento a respeito de
determinados livros. Apesar de usar uma linguagem apropriada e fazer textos
criativos, é possível perceber que a editora, em suas resenhas, conta toda a
história dos livros, inclusive o final. Isso é negativo porque os textos podem
não despertar a curiosidade e o interesse das crianças em ler o livro, afinal,
já sabem toda a história.
A página dois do Programinha tem dicas de teatro e o Clube Mirim, que traz lojas
conveniadas ao jornal e garantem descontos aos assinantes do Hoje em Dia. Nessa
página, em um espaço reservado, há endereço das lojas conveniadas. Em todas
edições há anúncios publicitários. A propaganda, algumas vezes, vem acompanhada
de informações que podem ser inseridas em um contexto pedagógico. É o caso da
edição de 19 de agosto, que aborda um grande aquário chamado Mundo das Águas. A
publicidade do local vem acompanhada da importância da responsabilidade social
com o meio ambiente.
As publicidades da página dois vêm camufladas sobre o aspecto de textos
informativos. Na edição do dia cinco de agosto, por exemplo, o título da
propaganda é “Broto Legal”. O pequeno anúncio trata de um salão de beleza para
crianças chamado “Salão Mônica Cabeleireiros”. As crianças que forem ao salão
mostrando o anúncio até o final do mês de agosto ganhariam 10% de desconto no
corte e as crianças que ligassem até o dia 10 do mesmo mês poderiam ganhar
cortes de cabelo grátis. Os critérios para ganhar a promoção não são explicados
no anúncio.
A página seis do Programinha é sempre destinada à seção “Divirta-se”, que traz
estórias-em-quadrinho, chamadas “Mendelévio”. Apesar de estimularem a leitura,
as estórias-em-quadrinho apresentadas no jornal não contribuem para o
desenvolvimento intelectual das crianças. Os temas abordados nas tirinhas não
são adequados para o público infantil. Grande parte dos assuntos limita-se à
briga entre irmãos, que mesmo trazendo ironia, correm o risco de não serem
compreendidas pelas crianças.
O jornal Hoje em Dia que circula aos domingos custa dois reais. A variável preço
definida pelo jornal é bastante competitiva, pois nesse dia, o jornal apresenta
diversos cadernos, incluindo o suplemento infantil Programinha. Além disso,
poucos jornais de Minas Gerais apresentam um caderno voltado exclusivamente para
o público infantil, garantindo um diferencial para o Hoje em Dia. Transformando,
assim, o preço em uma variável menos relevante nas estratégias de marketing.
O jornal Hoje em Dia investe pouco em publicidade para o público infantil. As
promoções são poucas e a participação do público também é pequena. Não há seção
de cartas nem um espaço onde as crianças podem divulgar desenhos e outros tipos
de arte. Não há publicidade sobre o caderno infantil em outros suplementos do
jornal que circulam durante a semana. Entretanto, periodicamente, o Hoje em Dia
realiza, junto às escolas infantis, visitas monitoradas pela redação do jornal.
Essa é uma boa forma de atrair o público infantil.
O jornal Hoje em Dia pode ser comprado em bancas em todo o estado de Minas
Gerais e em alguns outros estados do país. O jornal também pode ser assinado por
consumidores de todo o Brasil. Conhecida como “praça”, no mix de marketing, a
distribuição do Hoje em Dia é eficiente e atende seus consumidores
adequadamente.
Além da distribuição tradicional, o jornal pode ser lido pela Internet,
contendo, inclusive, edições antigas. Para ler as matérias, não é preciso ser
assinante do jornal. Apenas um cadastro feito no próprio site garante
acessibilidade ao conteúdo.
5 Conclusão
A partir do estudo das edições do suplemento infantil do jornal Hoje em Dia,
Programinha, já citadas na análise, percebe-se que o suplemento explora as
estratégias de marketing muitas vezes de forma positiva outras vezes, de uma
maneira ineficiente. O marketing auxilia o jornalismo na construção social de
uma realidade particular e apropriada para o público infantil.
O suplemento, produto final direcionado às crianças, utiliza uma linguagem
apropriada para o público infantil. A abordagem da maioria das reportagens
também é adequada. Os desenhos e ilustrações têm ligação direta com o texto e
atraem a atenção das crianças para as matérias. Entretanto, muitas vezes, os
textos são longos demais e acabam, assim, dispersando a atenção das crianças.
As diversas classificações do jornalismo podem ser encontradas no Programinha. O
jornalismo interpretativo é bem explorado pelo suplemento, estando presente em
todas as edições analisadas. Essa categoria é encontrada nas matérias principais
de cada edição, sempre as matérias de capa. O jornalismo informativo também é
encontrado em todas as edições analisadas. Já o jornalismo opinativo é
encontrado nas resenhas dos livros infantis. As indicações de leitura, apesar de
escritas de forma atraente, não cumprem bem seu papel. Os textos trazem todas as
informações sobre os livros, inclusive o final, o que pode desestimular a
leitura do livro.
A publicidade tem seu espaço reservado no caderno e não é uma grande influência
na escolha das pautas das reportagens. Entretanto, as propagandas vêm camufladas
sobre o aspecto de texto informativo. Esse aspecto é negativo, pois coloca em
dúvida a credibilidade de todas as outras matérias produzidas pelo caderno.
O preço do jornal Hoje em Dia é compatível com o mercado. O jornal pode ser
comprado em todo o estado e também em outros estados do país. Além disso, a
facilidade de acesso ao conteúdo do jornal pela internet é um ponto positivo que
atrai leitores.
Apesar de construir uma realidade apropriada para o público infantil, o
Programinha apresenta falhas na exploração do jornalismo e do marketing. Os
quadrinhos, por exemplo, tendem a abordar temas pouco apropriados para o
público-alvo, contribuindo de forma negativa para o desenvolvimento infantil. O
jornal Hoje em Dia também explora pouco a divulgação do próprio suplemento. Além
disso, as promoções e a participação do público também são escassas. Não há um
espaço de interatividade entre os leitores.
As estratégias de marketing apóiam o jornalismo na construção social da
realidade para o público infantil. Entretanto, elas poderiam ser mais exploradas
pelo suplemento, garantindo, assim, um número maior de leitores e um produto
mais eficaz.
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