Marketing Entre empresas
Por Marcelo Miyashita
08/12/2006
Muito tem se falado sobre marketing de relacionamento, ou seja, a aplicação de
táticas de marketing para regularizar, promover e aproximar relações
interessantes para o negócio. O universo B2B (business to business) tem nessa
prática uma aliada e é dessa fonte que muitas empresas que praticam o B2C
(business to consumer) vêm buscando inspirações para delinear boas táticas nas
suas relações com o consumidor. A busca pela excelência, estimulada pela
competição, demonstra que além de investir em conquistas de novos clientes é
igualmente, ou mais importante, mantê-los. E o B2B, pelas suas características,
tem nas práticas das relações corporativas sua principal ferramenta de trabalho.
No B2B relacionamento é tudo. Como o número de envolvidos - comparativamente - é
bem menor, há mais integração entre as organizações e transações com mais
freqüência. No entanto, esse 'bem menor' não significa poucas relações na ponta
do dedo. Como o B2B envolve contatos entre parceiros de negócios (fornecedores,
intermediários, stakeholders e clientes corporativos), grandes organizações
podem chegar a números que ultrapassam a casa dos milhares. Aí já não dá mais
para tratar as relações corporativas como uma responsabilidade particular de
cada um na companhia. Em nome da performance é necessário estruturar e gerenciar
as relações corporativas. Faça a conta, uma empresa se relaciona com muito mais
do que imaginamos.
Empresas negociam mutuamente em diversos níveis, por meio de várias pessoas de
diferentes departamentos. A qualidade do negócio está associada à eficiência de
todos na forma como o serviço é prestado e - aí está o ponto - no jeito como o
relacionamento se desenvolve. Não basta só atender ao parceiro, para fazê-lo da
melhor forma é necessário conhecimento, interação, compreensão e constante
inovação. E só com relacionamentos geridos e estruturados consegue-se isso. A
cada interação gera-se informação e conhecimento que poderiam ser
compartilhados, a fim de que todos tenham uma percepção única.
Lembrando que a gestão de pessoas está intimamente ligada à liderança e à forma
como elas se respeitam e se relacionam internamente. No entanto, pode ser
potencializada se tiver apoio estrutural por meio de táticas de relacionamento:
eventos formais, comunicações dirigidas e ações institucionais.
Relevância
E para uma boa prática não basta só a permissão do relacionamento. É preciso
trabalhá-la com a palavra-chave das relações: relevância. Da mesma forma que
bons profissionais compreendem a necessidade de estabelecer contatos sempre com
motivos relevantes - sob pena de se tornarem inconvenientes - o marketing nas
relações corporativas deve também respeitar essa máxima. Por exemplo: muitas
empresas mantêm revistas corporativas para o mercado, porém nem todas contêm
editorial direcionado - ainda é comum encontrarmos publicações que mais parecem
folhetos publicitários. É do interesse da empresa se promover, mas realizado no
exagero, torna-se uma comunicação irrelevante. Com isso a permissão é revogada e
a empresa acaba tornando-se 'spammer' – ou seja, a comunicação vai para o lixo
sem mesmo ser aberta. A relevância está atrelada ao conhecimento sobre as
necessidades, aspirações e interesses do público corporativo. Com essa
consciência, a comunicação deixa de ser um informativo para se tornar um canal
de prestação de serviços relevantes.
Informação
No entanto, antes do alinhamento do conteúdo, é necessário captar e tratar a
base das ações do relacionamento: a informação. É fácil quando temos operações
com poucos envolvidos, nessa situação a informação pode ficar na memória de cada
um - quando são poucos a proximidade pessoa-pessoa estimula o circular da
informação. Mas e quando temos milhares de contatos e a empresa centenas de
pessoas que atendem, vendem, faturam, cobram, entregam e prestam serviços
pós-venda? Aí é necessário transformar essa memória individual numa memória
coletiva. Podem-se utilizar sistemas e softwares para integrá-las e
compartilhá-las como programas de PRM (Partner Relationship Management), um tipo
de software de gestão de informação, similar ao CRM (C de Consumer), que
gerencia as interações e transações entre empresas. Há várias soluções no
mercado. Contudo, assim como o próprio CRM, não é porque se têm softwares que há
efetivamente boas ações de relacionamento.
Informação gerenciada é importante, porém, não é um fim em si mesma. É preciso
trabalhá-la e prover ações estruturadas de relacionamento que apóiem a já
existente relação pessoa-pessoa que há dentro dos negócios corporativos.
Marketing nas relações corporativas é suporte e potencializa contatos
profissionais que, pela natureza do B2B, formam sua base e fator crítico de
sucesso das organizações.
Marcelo Miyashita é consultor líder e palestrante da MIYASHITA CONSULTING. É
professor de marketing em cursos de MBA e pós-graduação. Atualmente leciona na
Cásper Líbero, FGV-EAESP GVpec, Trevisan, PUC-SP COGEAE, Madia Marketing School,
IMES e IBModa. Foi colunista do Comercial & Cia, na rádio BandNews FM. Em 2006
recebeu o Prêmio Marketing Best e em 2007 o título de Marketing Expert,
concedido pela Editora Referência (Jornal Prop&Mkt), pela FGV-EAESP e pela
MadiaMundoMarketing. É mestrando em Administração pela PUC-SP, pós-graduado pela
ESPM e publicitário pela Cásper Líbero. Conheça seu trabalho:
www.miyashita.com.br