O Marketing que faz a diferença
Por Marcelo Miyashita
14/06/2006
“Pode-se presumir que sempre haverá necessidade de algum esforço de vendas,
mas o objetivo do marketing é tornar a venda supérflua. A meta é conhecer e
compreender tão bem o cliente que o produto ou o serviço se adapte a ele e se
venda por si. O ideal é que o marketing deixe o cliente pronto para comprar. A
partir daí, basta tornar o produto ou o serviço disponível”. Peter Drucker.
Procuro apresentar como o marketing pode ser praticado de modo técnico,
planejado, monitorado e mensurado, ou seja, uma visão estruturada dessa
atividade que está cada vez mais profissional, mas que ainda carrega estigmas
como “marketing é propaganda” ou “marketing só cuida da imagem”.
Sim. Marketing trabalha a imagem da organização e seus produtos. A propaganda é
uma ferramenta eficaz na propagação de mensagens, mas, marketing, não é só
comercial. É natural que as pessoas tenham esta percepção, afinal é a ponta do
iceberg. É o que mais aparece. Só que há mais coisas debaixo d’água, coisas que
não são tão visíveis e que fazem o dia-a-dia da prática. Que deve ser assimilada
e difundida como filosofia, estruturada e executada com eficácia.
Praticar marketing é observar e captar informações e movimentos do mercado e, a
partir disto, formular a proposta mais vantajosa dentro dos objetivos e
propósitos do negócio. E para formular certo é preciso conhecer o cliente, suas
necessidades, seu comportamento de compra e, principalmente, suas opções. Em
marketing não há caro ou barato, quente ou frio, pesado ou leve, feio ou bonito
– tudo depende com quem o cliente compara. Um jeans de R$ 500,00 pode ser caro,
mas pode ser barato se este for percebido como uma opção similar a um jeans que
tem preço de R$ 1000,00. Marketing desenvolve a percepção do quanto vale e não
quanto custa, por isso enfatiza o atendimento das necessidades nem sempre
lógicas e racionais, também, nem sempre ligadas a status e exclusividade.
Não basta só posicionar e buscar fazer melhor. Tem que fazer diferente, dentro
do que o cliente valoriza. Isto é a chamada vantagem competitiva. Algo que você
tem, e que o cliente dá importância e não consegue encontrar em outros.
Conceitos de valor.
Para construir percepção de produto ou serviço valioso, primeiro é preciso
definir com quem sua proposta será comparada, essa atividade se chama
“posicionamento” de marketing. Depois, deve se considerar as opções do cliente,
entender como sua solução pode ser melhor dentro de seu propósito. Ou seja, não
adianta oferecer o melhor que existe por um preço que o cliente não está
disposto a pagar. Inclusive o cliente está cada vez menos disposto a isso, ele é
mais pesquisador, argumentador e decidido. E isso não é só porque os tempos
estão difíceis como muita gente alega. É porque as propostas e até as
estratégias de marketing andam muito parecidas – conclusão, quando na visão do
cliente, o produto X é igual a Y, ele vai levar sempre o mais barato, claro.
Quando isso acontece sua proposta vende por si mesma, sem depender
exclusivamente da área de vendas. No entanto, é comum verificarmos produtos sem
boas propostas de marketing, conseqüentemente, os clientes percebem e acaba
sobrando para a área de vendas resolver. Se a proposta por si é vantajosa, a
venda é facilitada, fala-se pouco de preço, muito de benefícios, a satisfação é
imediata e, se na utilização atenderem a expectativa, cria-se reconhecimento.
Ainda mais, se a empresa souber manter contato e relacionamento, cria-se
reputação. Isso é marketing. Neste raciocínio todos integrantes da organização
devem pensar marketing, visualizar o negócio e propor caminhos criativos para
adicionar valor na relação com o cliente. Marketing, como filosofia, é função de
todo integrante independente do seu departamento. Num pequeno negócio, o
marketing deve estar na mentalidade e na atitude do empreendedor. É básico e é o
que encontramos em empresários prósperos.
Práticas de marketing estruturadas.
Numa organização maior, além da postura de cada um, as atividades precisam ser
coordenadas por uma equipe. O tamanho desta estruturação, a importância e a
amplitude da sua contribuição para os negócios é diretamente proporcional à
visão de marketing dos gestores. Em termos práticos, uma empresa pode estruturar
três tipos de marketing: operacional, tático e estratégico. O marketing
operacional é aquele que cuida das atividades operacionais sem desenvolver
estudos e planos de mercado. A maioria das empresas pratica-o, é aquele
departamento que cumpre as funções de produzir materiais de venda, atividades de
comunicação interna, eventos corporativos, ações promocionais e até campanhas
publicitárias. Na visão operacional, o marketing não é propositor, é executor
das ações de comunicação. Esse é o marketing, infelizmente, mais praticado pelas
organizações. E como é responsável só por execuções, muitos desses departamentos
têm equipes reduzidíssimas que terceirizam várias operações.
Já o marketing de atuação tática, vai um pouco além. Tem proximidade muito
grande com vendas e atendimento, com acesso a resultados e informações de
mercado. É ativa no sentido de apresentar projetos de atuação, para resolução de
problemas com soluções pontuais. Envolve-se com as decisões comerciais, a
precificação e suas políticas de vendas, com os serviços de pós-venda e também
com a gestão dos canais de distribuição e parceiros. Trabalha muito a tática da
organização e influencia várias áreas, em virtude disso possui uma estrutura de
pessoas maior com vários níveis e por vezes, dividida por área de atuação. Com
gerentes de produto, promoção, propaganda, canal de distribuição e tudo que
mereça atenção maior e pessoas concentradas para gerar soluções. A organização
que dispõe de estrutura de marketing tático é agressiva, pois responde e ativa
movimentos demandados pelo mercado.
E o melhor dos mundos é quando se trabalha marketing com postura estratégica.
Capaz de operacionalizar, definir táticas e, num horizonte maior, propor planos
mais complexos, monitorando a evolução de mercado. Para isso o marketing
estratégico investe na captação e análise de informação de tudo que pode influir
no sucesso do negócio. Também cuida da disseminação do conhecimento em toda
organização, formando pensadores e estimulando idéias e propostas inovadoras. O
marketing estratégico estuda o ontem e o hoje com vista no amanhã, desenvolve
cenários e busca algo maior que boas táticas, busca a perenidade do negócio pelo
alinhamento das suas intenções com os movimentos futuros do mercado.
Pouquíssimas empresas se estruturam para praticar marketing estratégico, algumas
desenvolvem marketing tático e, a maioria, faz mesmo marketing operacional. A
explicação para isso pode ser a limitação de capital, mas arrisco afirmar que a
limitação é mesmo de entendimento da alta gestão – não é por nada que as
estratégias de marketing andam tão parecidas. Então avalie o tipo de marketing
que sua organização pratica e busque promover a atuação estratégica. Aquele que
faz o negócio crescer com fundamentos bem definidos e planejados.
Marcelo Miyashita é consultor líder e palestrante da MIYASHITA CONSULTING. É
professor de marketing em cursos de MBA e pós-graduação. Atualmente leciona na
Cásper Líbero, FGV-EAESP GVpec, Trevisan, PUC-SP COGEAE, Madia Marketing School,
IMES e IBModa. Foi colunista do Comercial & Cia, na rádio BandNews FM. Em 2006
recebeu o Prêmio Marketing Best e em 2007 o título de Marketing Expert,
concedido pela Editora Referência (Jornal Prop&Mkt), pela FGV-EAESP e pela
MadiaMundoMarketing. É mestrando em Administração pela PUC-SP, pós-graduado pela
ESPM e publicitário pela Cásper Líbero. Conheça seu trabalho:
www.miyashita.com.br