A Máscara Social
Por Jerônimo Mendes
30/03/2009
De acordo com Ralph Waldo Emerson, grande pensador e filósofo norte-americano, o
homem só é sincero sozinho; na presença de uma segunda pessoa começa a
hipocrisia. De fato, o ser humano tende a representar diante de uma ou mais
pessoas, o que, de alguma forma, distorce o seu comportamento natural, portanto,
a sociedade não consegue perceber a sua verdadeira essência, a menos que conviva
o tempo todo com ele.
Por esse motivo, muitos homens públicos caem rapidamente, pois são desmascarados
na mesma velocidade da sua ganância ou da sua falta de escrúpulos considerando
que o poder eleva-os a uma condição de falsa superioridade; porém, como a
cobrança sobre eles é maior, a falta de integridade vem à tona com mais
facilidade ao menor instante de vacilo.
Essa distorção é denominada máscara social. Todos os dias pela manhã, ao sair de
casa para o trabalho, muitas pessoas são automaticamente revestidas de uma
máscara social. Dirigem-se para um local de trabalho que odeiam, onde se obrigam
a sorrir para pessoas que não gostam, a fim de realizar uma atividade que nada
tem a ver com a sua verdadeira vocação.
Ainda que você seja uma pessoa extremamente bem-sucedida na vida, pense o
seguinte: que espécie de vida é essa que obriga você a fazer exatamente o
contrário do que imaginou na infância e adolescência? Que espécie de vida é essa
que não o deixa ir aonde seu corpo e sua alma gostariam? Por que somos obrigados
a sorrir para pessoas que não fazem o mínimo esforço para parecer agradáveis ou
simpáticas diante da nossa presença, a menos que isso lhe renda créditos?
Esse é o mundo da hipocrisia onde, por razões nem sempre explicáveis, as pessoas
se mostram muito diferentes daquilo que realmente são. Nesse sentido, apesar de
não ser a forma mais apropriada, é melhor conviver com pessoas sinceras do que
conviver com pessoas que sorriem pela frente e apunhalam pelas costas. Do
primeiro perfil, podemos nos prevenir ou defender; quanto ao segundo, seremos
pegos sempre de surpresa e, muitas vezes, sem chances de defesa.
Isso não significa que somos obrigados a sair de casa com cara de felizes todos
os dias, entretanto, devemos ter o bom-senso para perceber que as pessoas não
podem ser culpadas pela nossa infelicidade temporária ou pela nossa condição
desfavorável em algum sentido. Fazer o que você não gosta ou ainda trabalhar com
pessoas que você não gosta estimulam o desejo de melhorar o ambiente e mudar a
situação em que se encontra. Parece simples, mas não é.
Você não precisa conviver permanentemente com a sua máscara social, basta ter
coragem para mudar o status quo e, a partir daí, construir um futuro mais
promissor em relação à vida pessoal e profissional. O que é que realmente faz
com que você caminhe mais rapidamente em direção ao objetivo de vida? Aliás,
você tem um objetivo de vida bem definido? O que, por que e para quem fazer?
A falta de objetivos pessoais e profissionais, a dificuldade em priorizar e a
dificuldade em ouvir são algumas das posturas pessoais que dificultam as
relações interpessoais e facilitam o uso da máscara social, portanto, acabam se
constituindo verdadeiros dilemas para o ser humano.
Digo sempre aos meus amigos, alunos e conhecidos: pense naquilo que realmente
desperta paixão, sentido de realização e de contribuição. Quando você sentir que
está no caminho certo, seja firme e não deixe ninguém desviá-lo dele. Somente um
propósito de vida bem definido poderá libertá-lo definitivamente da máscara
social e transformá-lo numa pessoa de caráter. Pense nisso e seja feliz!
Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE