Mix de Comunicação
Por Nori Lucio Jr.
08/10/2007
Estratégia de comunicação tem como objetivo comunicar o posicionamento "da Empresa", que é fruto da combinação entre sua identidade como empresa e sua promessa para o mercado. O importante nesta hora, que é a hora de investir, ter o máximo de indicações formais de que a empresa esta pronta para ‘vocalizar’ sua essência, sem causar o que chamamos de ‘dissonância cognitiva’, em bom português, evitar uma reação negativa ou pior de descrédito quando a mensagem chegar aos ouvidos dos clientes.
* As palavras em inglês a seguir são
simplesmente referência, já que estas terminologias
nasceram nos Estados Unidos, não representam nenhum
nível adicional de complexidade.
Entender o ‘arsenal’ de ferramentas de comunicação (mix de comunicação) é o primeiro passo antes de colocá-lo em uso o que significa colocar dinheiro na forma de investimento de marketing. Cada ferramenta de comunicação age como um ‘amplificador’ que entrega a mensagem "da Empresa" aos ouvidos do público alvo com maior ou menor intensidade e com mais ou menos ruído
Focar em táticas que tenham maior
afinidade com o publico alvo e menor dispersão é
fundamental para eficiência do plano.
Seguindo na metáfora do “amplificador” existem
também interferências, ou seja, várias empresas
utilizando-se do mesmo ‘amplificador’ (share of
voice), o que significa que a voz "da Empresa" ou
sua forma de expressão tem que ser estudada
cuidadosamente para se sobressair (break through the
clutter) a dos concorrentes (stopping power) que
muitas vezes estão investindo mais dinheiro (share
of investment) e acabam por chegar a um número maior
de clientes (reach) e também com maior freqüência.
(frequency).
Conhecer bem o púbico alvo nesta fase é fundamental
para que o volume de investimento possa impactá-los
de forma eficiente, ou seja, você pode comprar um
“amplificador” só para você (roadblock), o que custa
caro, mas definitivamente será mais eficiente.
Um plano de comunicação eficiente deve cercar o
público alvo, ou seja, deve- -se mapear com maior
precisão possível os ‘pontos de contato’ com este
público (afinidade) e priorizar os investimentos no
mix de comunicação evitando dispersão. Focar em
táticas que tenham maior afinidade com o público
alvo e menor dispersão é fundamental para eficiência
do plano.
O próximo passo é definir o conjunto de atividades
que serão destinados de forma equilibrada à
construção da marca, geração de demanda e ao
desenvolvimento dos canais de vendas e decidir
quanto investir em cada um conforme as prioridades
da empresa.
Glossário: Desmistificando qualquer complexidade
Mix de comunicação
Representa o conjunto de ferramentas que serão
utilizadas num plano de mídia.
Above the Line e Below the Line
É uma linha divisória entre ações relacionadas à
mídia tradicional, normalmente mídias de alto
alcance (ver reach) versus atividade, não mídia, que
estão mais ‘próximas’ do contato físico com o
publico alvo. Ex. above the line – anúncios de
TV, revista... below the
line – evento, material de ponto de venda .
Share of Voice
Representa o ‘nível de exposição’ da empresa num
determinado meio de comunicação. Normalmente
compara-se a empresa com outras empresas da mesma
indústria ou segmento de mercado
Exemplo: Quanto a "Empresa" aparece nas mídias
versus seus principais concorrentes ou ainda outras
empresas que pertencem ao ecossistema.
Break Through the Clutter
Representa a eficiência da criação e do
planejamento de mídia. Em todas as mídias a
"Empresa" estará competindo pela atenção do leitor.
Tanto criação quanto plano de mídia devem buscar
fazer com que este leitor pare no anúncio da
"Empresa".
Stopping Power
Capacidade de o anúncio impactar/parar do público
alvo, atrair sua atenção a ponto de fazer com que
ele leia o anúncio.
Share of Investment (SOI)
Quantidade de investimento da "Empresa"
relativa ao investimento total da indústria.
Reach e Frequency
Percentual de pessoas, no target (afinidade
com publico alvo definido), atingidas por um plano
de mídia, e o número de vezes que será impactado na
mídia.
IMPORTANTE: Considerações sobre reach e frequency - metodologia criada nos anos 70. Meios de comunicação de hoje, como a Internet, não existiam naquela época. Portanto este método deve ser seguido, quando seguido, com muita cautela. Não é uma regra que garante o sucesso do plano, muito pelo contrário é uma regra que pode ‘queimar’ literalmente seus investimentos extremamente rápidos. As agências tradicionais, que seguem o modelo ultrapassado de montar um plano de mídia gostam desta regra porque conseguem alocar maior volume de dinheiro em ações above the line, onde se cria um filme, por exemplo, e se gasta a maioria do investimento do cliente com o mínimo esforço. Below the line dá trabalho, é menos rentável e muito mais difícil de implementar. Na maioria das vezes que um plano de comunicação não gera nenhum efeito é porque esta fase foi negligenciada.
Afinidade com público alvo
Todo o investimento em marketing tem que passar por
um filtro que determinará o foco, ou seja, onde e
como o dinheiro será alocado. Não importa qual a
tática de comunicação, a afinidade com a audiência
deve prevalecer durante a escolha do meio ou veiculo
de comunicação e, por fim, do mix de comunicação que
será executado.
IMPORTANTE:
Na maioria das vezes que um plano de comunicação não
gera nenhum efeito é porque esta fase foi
negligenciada.
Exemplo:
O posicionamento não esta coerente com a proposta de valor da Alcatéia confundindo seus clientes;
A definição do público alvo não foi bem estudada, comprometendo a escolha das táticas;
Decidiu-se por uma revista ou canal famoso, mas com um ‘share of voice’ ou ‘share of investment’ tão grande, que sua marca simplesmente foi ignorada.
Reduzir a dispersão
Frequentemente julga-se que uma determinada
revista ou canal de TV seria ideal porque tem uma
audiência enorme, principalmente no Brasil onde os
meios de comunicação são extremamente concentrados.
Deve-se prestar atenção, no entanto, no perfil ou
afinidade com a audiência. Além da perda efetividade
no impacto de determinada campanha, a "Empresa"
também estará concorrendo, Share of Voice, com
outras empresas de outros segmentos que estão
investindo, Share of Investment, muito milhões de
Dólares neste mesmo meio.
O gestor de marketing deve utilizar um plano de
comunicação baseado em 3 pilares. O investimento
deve ser balanceado entre esses 3 pilares para que
haja INTEGRAÇÃO nas ações
táticas, produzindo um resultado ‘exponencial’
relativo ao impacto gerado no publico alvo. São
eles:
CONSTRUÇÃO DA MARCA
GERAÇÃO DE DEMANDA
DESENVOLVIMENTO DE
CANAL
DE VENDAS
Um plano de comunicação efetivo também deve mapear os hábitos dos clientes para impactá-los durante seu dia, mapeado seus hábitos e costumes. Por exemplo:
“Um plano de comunicação efetivo também deve
mapear os hábitos dos clientes para impactá-los
durante seu dia”.
EX: Público alvo é aqui representado
pelo ‘Pedrinho’
1. Acorda pela manda e liga o rádio na estação de notícias
2. Dirige até o trabalho ouvindo rádio, numa via com muitos Outdoors
3. Chega ao trabalho e acessa o site de Noticias e Saúde
4. Lê seu jornal preferido.
5. Dá uma olhada na sua revista semanal e mensal que carrega na sua pasta
6. Checa seu e-mail pessoal
7. Abre sua correspondência com várias malas diretas de várias empresas
8. Volta do trabalho pela mesma via com Outdoors só que agora ouve música
9. Chega em casa, liga TV para ver o jornal e assistir novela.
10. Depois da novela, vai ao cinema.
Nori Lucio Jr. é
fundador da brandMe, consultoria especializada em planejamento estratégico. - 20
anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens pela gerência de
marketing e comunicação na Intel® e Microsoft®. Formado em marketing, com
especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários
projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e
desenvolvimento de canais de venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.