Modos Interativos de Liderança
Por Maria Rita Gramigna
29/03/2003


A empatia é uma forte aliada nas situações de interação com o outro.

No nosso cotidiano de trabalho, deparamo-nos com situações difíceis e que, por vezes, promovem a ruptura da sinergia e dão lugar ao conflito nas relações.

Convivemos com colaboradores e colegas que trazem diferentes estórias de vida, estilos pessoais de atuação variados e, alguns deles, incompatíveis com as nossas expectativas.

• Como lidar, por exemplo, com um interlocutor que não quer nos ouvir ou que só ouve o que quer, quando o que esperamos é sua atenção.

• Como desarmar um argumento desfavorável em uma negociação sem a necessidade de corresponder ao confronto agressivo da outra parte?

• Como perceber e identificar o que está por trás das palavras e gestos?

A arte do relacionamento pode ser reaprendida e aperfeiçoada, desde que tenhamos interesse, instrumentos e vontade de criar um clima propício à interatividade.

Há algum tempo, venho me apoiando no estudo de Edward De Bono, um dos maiores especialistas em pensamento criativo de nossos tempos, para lidar com as diferenças, respeitando cada estilo e agindo de forma a estabelecer a empatia nas relações de trabalho.

É mais inteligente buscar a interação do que usar a reação.

Segundo Aurélio, “interação é a ação que se exerce mutuamente entre duas ou mais pessoas e reação é o ato de reagir, é a resposta a uma ação que tende a anular a precedente. É uma força que se opõe à outra”.

De Bono afirma que as pessoas se comportam de seis maneiras básicas. Para ancorar sua teoria, usou a metáfora do chapéu e coloriu cada um deles, dando significados específicos que indicam tendências pessoais de relacionamento.

Uma liderança comprometida com seus liderados tem a responsabilidade de buscar ações interativas que facilitem a sinergia e propiciem um clima assertivo nas relações de trabalho.

DICAS DE MODOS INTERATIVOS DE LIDERANÇA:

CHAPÉU VERMELHO: a pessoa com o chapéu vermelho se comporta e pensa tendo como âncora a emoção. Geralmente deixa transparecer em seus gestos e atitudes o que está sentindo. Se está satisfeita e concorda com os pontos de vista do outro, torna-se forte aliada.

Quando um líder se deparar com um colaborador de “chapéu vermelho” insatisfeito, terá maiores chances de obter sucesso em seu relacionamento se usar a estratégia do chapéu branco.

CHAPÉU BRANCO: o chapéu branco aponta em direção à tranqüilidade e ausência de idéias preconcebidas. Os argumentos sob a tutela do chapéu branco são objetivos e baseados em dados reais. O comportamento correspondente é de negociação, escuta e tranqüilidade - o que poderá desarmar uma explosão emocional do chapéu vermelho.

CHAPÉU PRETO: aquele que escolhe o chapéu preto como modelo de comportamento, tende a usar o pensamento lógico negativo. Apresenta um comportamento crítico, que por vezes é positivo e alerta para o que pode dar errado em um projeto ou idéia. Se usado em excesso, transforma seu interlocutor no eterno “do contra”. Para lidar com o pensador do chapéu preto faz-se necessário colocar na cabeça as idéias do chapéu amarelo.

CHAPÉU AMARELO: as atitudes e comportamentos do pensador do chapéu amarelo revelam otimismo. Quando argumenta e usa perguntas, adota a estratégia especulativa e positiva, sem passar a idéia de discordância ou de imposição de pontos de vista. O chapéu amarelo permite mostrar ao interlocutor, o outro lado da moeda - o que pode “dar certo”, as oportunidades e possibilidades, neutralizando as barreiras daqueles que só vêem o lado mau dos fatos.

CHAPÉU VERDE: o chapéu verde faz com que as pessoas transponham bloqueios à criatividade e apresentem idéias inovadoras e revolucionárias. É importante que as lideranças estimulem este tipo de pensamento, apoiando as pessoas que demonstram criatividade. A empresa que inova em suas práticas tem maiores chances de permanecer no atual mercado competitivo. Reconhecer os talentos e apoiá-los, oferecendo recursos e poder de concretização de idéias é fundamental.

CHAPÉU AZUL: o chapéu azul dá àquele que o usa o poder da síntese. Seu comportamento demonstra segurança. Faz as perguntas certas na hora certa e colabora na tomada de decisões. Tem uma boa capacidade crítica, apoiada no pensamento lógico-racional. As lideranças podem se acercar dos pensadores do chapéu azul para assessorá-los em momentos de decisões importantes.

Cabe ressaltar que, antes de usar a estratégia da interatividade, faz-se necessário uma reflexão com o objetivo de descobrir com qual chapéu nos sentimos mais à vontade. Este será aquele que, certamente usamos com mais freqüência.

Para liderar pessoas diferentes e manter um bom relacionamento com os liderados, faz-se necessário desenvolver a flexibilidade e transitar caminhos variados.

E então, qual é seu estilo dominante? Qual o chapéu que você mais usa? Você se adaptaria aos outros estilos de chapéus, caso fosse necessário?

Maria Rita Gramigna é Mestre em Criatividade Total Aplicada pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha). Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos pela UNA – União de Negócios e Administração (MG). Atua no Mapeamento de Competências, contatos estratégicos com clientes, capacitação gerencial e treinamento da equipe de consultores da MRG Consultoria e Treinamento Empresarial.