Negociação - Habilidade Essencial
Por Ernesto Artur Berg
01/10/2007
18 Coisas que Você Precisa
Saber para Efetuar Boas Negociações.
1. Prepare-se antecipadamente para a negociação.
Improvisações, decisões de última hora e chutes são os responsáveis por grande
parte de “causa mortis” das negociações. A preparação requer:
a. Um estudo cuidadoso das
vantagens e desvantagens do negócio;
b. Definição clara das necessidades da outra parte e no que você pode
satisfazê-la com a sua proposta;
c. Definição de sua margem máxima e mínima de concessões, isto é, o
máximo que você está disposto a ceder e o mínimo que gostaria de ganhar. Abaixo
dos limites fixados você provavelmente estará perdendo;
d. Imaginar possíveis argumentos que o oponente utilizaria contra a sua proposta
e de como respondê-las.
2. Ao iniciar a reunião,
faça um rápido quebra-gelo.
Inicie falando sobre amenidades (o tráfego, o tempo etc.). Cuidado, no entanto,
para não transformar o quebra-gelo num iceberg intransponível, conversando sobre
alguns tabus – política, sexo, religião ou futebol – que podem se transformar
numa mistura explosiva e dinamitar a negociação, se o outro lado tiver opiniões
radicalmente contrárias à suas sobre esses assuntos. É como iniciar o jogo já
perdendo de 1 a 0. Será muito difícil, posteriormente, reequilibrar o diálogo.
Conheça, portanto, os valores e preferências do seu interlocutor antes de fazer
a reunião.
3. Descubra o que é realmente importante para o outro.
Poderá ser preço, qualidade, status, prazo, desconto, imagem outro ponto
qualquer. Depois disso, trabalhe em cima dessas expectativas, encaixando suas
propostas nas necessidades dele. Procedendo assim, as chances do fechamento de
um acordo aumentam enormemente.
4. Mantenha a negociação num clima positivo.
Pessimismo, mau humor, agressividade, indiferença e atitudes do gênero só
dificultam o entendimento e lançam uma atmosfera cinzenta no ambiente. Talvez
seja uma estratégia sua provocar esse clima, visando arrancar uma concessão do
oponente. Funciona algumas vezes, mas lembre-se do efeito Roda-gigante. Poderá
estar dando tiro no próprio pé e inviabilizando negociações futuras.
5. Em negociações delicadas, comece pelos assuntos menos polêmicos.
Comece com os assuntos em que ambos concordem, ou em que as discordâncias sejam
mínimas. Depois vá escalonando o grau de dificuldade, até chegar aos itens
problemáticos. As concordâncias iniciais ajudam a derreter dissonâncias e
facilitam o andamento da reunião.
6.Nunca ceda demasiadamente nem muito rapidamente.
Do contrário poderá aguçar o apetite do outro negociador e conseqüentemente, o
apetite dele em ganhar mais. Quero frisar que as concessões mais importantes
devem ser deixadas, de preferência, por último. Por que? Simplesmente porque
talvez elas nem precisem ser dadas, caso o outro negociador já se mostre
satisfeito com o quinhão recebido.
Concessões devem ser feitas paulatinamente, passo a passo, para que possam ser
apropriadamente debatidas e digeridas de ambos os lados.
7.Deixe sempre muito claras as vantagens de sua proposta.
Esclareça bem os benefícios que sua proposta trará à outra parte na resolução de
seus problemas e dificuldades. Cada um de nós acha que o problema mais
importante do mundo parece sempre ser o nosso próprio problema. Logo, sua
proposta deve indicar aos outros o caminho da solução desses problemas ou
dificuldades, mostrando-lhe como resolvê-los ou como contorná-los.
8.Evite fazer perguntas cuja única resposta possível seja SIM ou NÃO.
“Então, o senhor gostou da nossa proposta?” É uma pergunta suicida. Perceba que
a resposta foi encarcerada: só poderá dizer sim ou não. Em vez disso,você
poderia perguntar:“Com base nas explicações dadas, como o senhor vê a aplicação
de nossa proposta em sua empresa (ou em seu setor)?”. Aqui a resposta não poderá
se resumir a um simples sim ou não. A pessoa terá que discorrer sobre o assunto
e, à medida que ela for falando, você poderá fazer perguntas adicionais ou
esclarecê-la melhor sobre sua proposta.
9. Siga essas duas regras.
Se estiver vendendo (seja produto, serviço ou idéia), tente fazer com que o
acordo seja fechado ali mesmo, sem adiamentos. Se estiver comprando algo e
quiser pensar mais a respeito, não se deixe pressionar e adie a decisão. Isso
lhe dará mais tempo para estudar a proposta e fazer suas contrapropostas.
10. Se as negociações não evoluírem peça tempo.
Se os assuntos estiverem se repetindo, girando em círculos, ou então acontecer
um impasse e ambos os lados não arredarem o pé de suas posições, então é o
momento para uma pausa. Sugira um intervalo para o cafezinho, interrupção para
ir ao banheiro ou algo assim. Use esse tempo para oxigenar as idéias, repensar
estratégias e condições ou pedir aquele socorro providencial pelo telefone
(celulares estão aí para isso). A propósito: DESLIGUE o celular ao iniciar a
reunião. Não há nada pior do que uma interrupção telefônica, pois, além de
demonstrar falta de consideração pelo interlocutor, quebra também o clima da
negociação.
Se mesmo assim, após o intervalo, o impasse continuar, sugira uma nova reunião
para o dia seguinte ou outro dia qualquer, caso seja possível. Então use esse
tempo adicional para estudar e pensar em novas contrapropostas, com a vantagem
de que, agora, você já sabe qual a posição do outro negociador e o que ele
pretende.
11. Não se assuste com cara feia.
As negociações às vezes se desenvolvem propositalmente num clima tenso,
provocado por uma das partes. É uma jogada tática destinada a fazê-lo ceder mais
em suas propostas ou reivindicações. Se não percebeu que se trata de uma tática
– e só os negociadores experimentados se apercebem disso -, você se sentirá
acuado ou inseguro e poderá acabar cedendo mais do que gostaria em suas
pretensões. Eis algumas táticas típicas para exercer pressão sobre a outra
parte: mostrar cara feia, dizer que dispõe de pouco tempo, mostrar impaciência,
adotar um comportamento seco e de pouco diálogo, colocá-lo numa posição de
desvantagem na mesa (por exemplo, contra a claridade da janela, fazê-lo
sentar-se numa cadeira baixa ou desconfortável), mostrar indiferença, ficar
olhando a hora do relógio a cada instante, mostrar-seinflexível e disposto em
não ceder em nada, fazê-lo aguardar por muito tempo na sala de espera, colocá-lo
num ambiente desconfortável (muito quente ou com pouca ventilação, muita fumaça,
muito ruído etc.).
Vacine-se contra isso. A sua atitude deve ser sempre a de não se deixar abalar
por essas situações e manter um comportamento tranqüilo e profissional, como se
nada disso o estivesse incomodando. Mantenha o foco no diálogo. O interlocutor
notará que você tem maturidade e vivência em negociação e, na grande maioria das
vezes, ele mudará de atitude.
12. Ponha em prática o triângulo da negociação.
Há três fatores cruciais que podem decidir uma negociação a favor ou contra
você: tempo, informação e poder. É o triângulo da negociação. Se um ou dois
desses fatores estiverem contra você, suas chances de sucesso diminuirão muito.
O primeiro fator, tempo, diz respeito ao tempo disponível para negociar. Se você
estiver com a corda no pescoço quanto ao prazo final para fechar algum negócio,
o outro lado, se souber disso, poderá dificultar os entendimentos, esperando
assim que você ceda, pela falta de tempo. E muitas vezes você acaba fechando
negócio porque o seu tempo expirou, e não fechá-lo significa perda maior ainda
do que se o fizer em condições desvantajosas.
O segundo fator, informação, é essencial porque, se dispuser de pouco ou nenhum
dado sobre o objeto da negociação, você poderá estar fazendo um péssimo negócio
sem sabê-lo. Quando descobrir, já será muito tarde.
O terceiro fator, poder, significa ter poder para decidir sobre um acordo.De
nada adianta acertar todos os itens da pauta de negociação e, na hora de bater o
martelo, você – ou o outro lado – revelar que não pode selar o acordo porque
está acima de seus limites de autoridade. O negócio irá automaticamente murchar,
o outro lado se desinteressará e poderá acabar
fechando o acordo com outra pessoa ou empresa. Portanto, durante os
entendimentos, procure fazer que com os três fatores do triângulo da negociação
trabalhem para você.
13. Jogue limpo.
Prepare-se antecipadamente, use as estratégias adequadas, não seja ingênuo, mas
sobretudo jogue limpo.Se o outro lado quiser jogar duro, defenda-se na mesma
proporção, para que ele perceba que não está negociando com nenhum tolo.Ele o
respeitará por isso e,na maioria das vezes, mudará sua postura. Mas,se o
oponente for sincero e jogar aberto, aceite isso como um gesto de confiança e
retribua, pois os debates fluirão bem melhor. Se você estiver numa situação de
vantagem e puder tirar proveito disso, não se prevaleça.Lembre-se do Efeito
Roda-gigante. Seja honesto, e o outro lado lhe retribuirá oportunamente.
Ponto básico da negociação: jamais humilhe alguém ou deixe-o sem saída. Seja
magnânimo. Deixe sempre uma saída honrosa para o oponente caso perceba que ele
está contra a parede. Intimamente ele lhe agradecerá por isto
e,oportunamente,lhe retribuirá de alguma forma esse gesto respeitoso
14. Use a tática do se. . . então. . .
Se você me der um desconto (ou prazo maior),então comprarei mais dez 10 unidades
dessa mercadoria. Se você puder provar em um mês que esse projeto realmente
funciona,então terá todo o meu apoio para implantá-lo. Se as metas forem
ultrapassadas, então daremos um abono especial a todos os funcionários. Se você
adquirir mais 100 peças, então posso lhe dar um desconto de 8%. Se... então...
são duas palavras mágicas em negociação, que sinalizam à outra parte que, se ela
ceder,você fará o mesmo. Ou então que,se você flexibilizar, espera a mesma
atitude da outra parte. É uma forma objetiva e prática de dizer: se ambos
cedermos em alguns pontos, todos teremos a ganhar.
15. Em último caso, sugira um acordo condicional.
Combine tentar um acordo condicional por determinado prazo de tempo (uma semana,
quinze dias, um mês etc.). Isso dissolverá resistências e deixará o oponente
mais tranqüilo. Enquanto isso, você terá a chance de demonstrar a eficácia e
qualidade do seu produto, idéia ou serviço. No final do período de experiência,
vocês estarão em sintonia para um acordo definitivo.
16. Observe a postura do interlocutor
Palavras dizem muito, mas a postura do interlocutor fala mais alto. Expressões
faciais, gestos, tiques, modo de sentar etc. revelam o estado de espírito das
pessoas. Aprenda a ler esses sinais e terá um grande aliado a seu
favor,permitindo que você atue de acordo com essas mensagens silenciosas que o
corpo emite.
17.Se o acordo estiver maduro, feche o negócio.
É erro estratégico dizer à outra parte para que pense mais um pouco e que você
voltará a ligar no dia seguinte. Essa atitude já fez evaporar grandes negócios e
serviu de muro de lamentações para muita gente. Em vez disso, seja positivo,
assertivo e sugira o fechamento do acordo naquele momento, caso as condições
sejam favoráveis, pois esse momento poderá nunca mais se repetir.
18. Faça uma avaliação final do acordo.
Depois da negociação, faça uma avaliação do acordo. Verifique até onde você
atingiu seus pontos máximos e mínimos previstos antes da reunião (isto é suas
margens máximas e mínimas).Considere também seus pontos positivos e os pontos
falhos e o que precisará fazer para melhorá-los. Faça um controle dos prazos
acertados (de pagamento e de entrega, se for o caso), quantidades acordadas,
preços,volumes, pessoas envolvidas, concessões feitas (e suas conseqüências)e,
por fim, anotações para as próximas negociações, que servirão de referência para
novas reuniões se tiver de voltar a negociar com a mesma pessoa no futuro.