O Lema é Correr Atrás
Por Thiago Zschornack
23/03/2008

Estamos numa época tomada por incertezas, previsões pessimistas e dados que assustam. O desemprego continua como um dos principais fatores que atormentam nossa sociedade. Enquanto no final da década de 80 existiam no Brasil dois milhões de desempregados, em 1995 eles já totalizavam 4,5 milhões e no final dos anos 90, 7,6 milhões.

Há 20 anos, a População Economicamente Ativa brasileira era 2,6% e o desemprego, 1,7%. Em 2000, o Brasil já respondia por 3% da PEA no mundo, e 7% pelo desemprego. Atualmente ocupamos a segunda posição em número de desempregados, perdendo apenas para a Índia. E isso é muito preocupante, tendo em vista que 14,4 milhões de brasileiros recebem até um salário mínimo e que 34,2 % dos trabalhadores possuem renda incapaz de satisfazer suas necessidades básicas. E o salário mínimo? Irrisório! Um dos menores do mundo. Em 1959, a cesta básica representava 27,12 % do valor desse salário; em 2001, representa 75,6 %. Segundo a Constituição, o salário mínimo deveria satisfazer as necessidades básicas de uma família - conforme cálculos do Dieese, o valor para uma família de quatro pessoas deveria ser no mínimo de 1055 reais. Ou seja, quase seis vezes mais. Valor difícil até de se imaginar na atual conjuntura.

Porém, pessimismo e dados negativos não bastam, precisamos de otimismo para superar esta dificuldade. Uma pesquisa recente mostra que de cada 10 pessoas, oito respondem que não tem trabalho por falta de capacitação. Capacitação? Ora, todos nós somos capazes, capazes de tudo. Precisamos confiar mais em nós e investir em nossas carreiras. O comodismo já era, está na hora de buscar nossos sonhos, mesmo que sejam ousados. Ninguém mais vêm bater em nossas portas para oferecer emprego. Os tempos mudaram, a educação é quem dita as regras mais do que nunca. Enquanto antigamente um curso superior era o diferencial, hoje em dia é apenas mais um requisito entre outros vários, num universo de transformações. Todo aperfeiçoamento é válido. E quanto mais, melhor. Correr atrás, esse é o lema. Dinamismo, vontade e principalmente criatividade. Informática, inglês, são fundamentais em tudo, ninguém discute. Ter aversão à tecnologia é passado, hoje dependemos dela. Tudo, tudo é importante, ter visão do todo é fundamental. Ler, aprender e estudar está cada vez mais na moda. Voltar para escola, continuar ou retomar os estudos é muito importante, não interessa a idade. É necessário também que se repense muito sobre o novo mercado de trabalho. Pesquisas desmistificam a idéia de que o desemprego é um problema mundial e não nacional, e que a inovação tecnológica é responsável pela falta de oferta de trabalho. A tecnologia apenas muda o emprego e não necessariamente o reduz.

Nos anos 90 tentou-se analisar as novas tendências do mercado de trabalho. Foi um debate acirrado entre economistas, empresários, representantes do governo e trabalhadores. O resultado foi que não se chegou a um consenso para explicar o aumento do desemprego. O governo federal faz uma crítica ao período anterior, quando altos níveis de emprego eram sustentados, no seu entender, pela proteção de empresas ineficientes e pelo inchaço da máquina governamental. A visão das centrais sindicais é a de que o novo modelo econômico implantado junto com o plano Real, privilegia a importação de produtos e prejudica os produtos nacionais. Já os empresários se concentram entre essas duas interpretações. A verdade é que, como afirmam os empresários, é impossível pensar em melhorias no setor de empregos sem questionar a política de juros altos, a elevada carga tributária brasileira – quase 34 % do PIB, a política de exportação e a desigualdade social. Tudo isso é uma questão de tempo, e com o tempo mudará. O que não mudará é o tempo que perdemos pensando que não somos capazes, está na hora de correr atrás, esse é o lema.

Thiago Zschornack - Acadêmico de marketing pela FCJ.
gaturama@zaz.com.br