Planejamento do Negócio
Quanto menor a sujeira, Mais fácil de limpar
Por Nori Lucio Jr.
02/06/2008
O sucesso, além de ser uma
conseqüência natural de um plano coerente, compreensível e bem executado,
depende da mudança no comportamento do time que deve obrigatoriamente ter as
pessoas certas nos lugares certos.
Na seqüência, o time deve
estar absolutamente focado nos resultados que foram determinados através das
estratégias e métrica definidas pela diretoria sênior da empresa.
Na seqüência da “seqüência
anterior”, não esqueça a variável tempo. Não existe milagre em nenhum
tipo de negócio. O que sua empresa é hoje, certamente é resultado do que plantou
nos últimos anos ou décadas.
O resultado tão almejado
depende vigorosa e rigorosamente de:
· Estudar, planejar, semear,
plantar, compreender a nuance da variável tempo, rezar para que as
intempéries não se transformem num desastre fatal, e ao fim, colher os frutos.
A natureza não promove
milagres! A lei de ação e reação é implacável.
A boa execução das
estratégias é medida por seus resultados. Não os obtidos a qualquer custo, mas
sim conforme o planejado. Se suas estratégias não possuem métricas
razoavelmente bem definidas, qualquer desculpa serve como resultado.
Na gestão do dia a dia do negócio os fatores “sorte” e “poder do entusiasmo” devem ser deixados extra-plano - eles nunca devem ser encarados como o único plano da empresa. Fato que, infelizmente, ocorre na maioria das vezes quando há uma gestão informal.
É claro que existem
algumas situações macro-econômicas que uma empresa não pode controlar. No
entanto, as lideranças e a qualidade de seus colaboradores determinam o sucesso
ou fracasso em qualquer ambiente mercadológico.
Mantenha a simplicidade.
1. Faça com que a pessoas
entendam as estratégias.
2. Conecte-as aos resultados
almejados pela empresa através de sua remuneração.
3. Atraia, desenvolva e
mantenha seus líderes.
4. Não seja condescendente com
mau desempenho.
5. Transforme seu Departamento
Pessoal em Recursos Humanos.
[ STOP ] PARE AQUI SE JÁ COMPREENDEU O RECADO. SE NÃO, VEJA UM EXEMPLO A SEGUIR
MUDE AS CRENÇAS E MUDE DE
ATITUDE
Imagine um cenário
típico onde...
Quase todos os
segmentos de mercado em qualquer indústria estão marcados pela comoditização,
alta competitividade e baixo valor agregado percebido pelo cliente que como
conseqüência leva a decisão de compra para o preço, comprometendo a margem e
toda a rentabilidade da empresa ao longo do tempo.
A pressão pelo
crescimento das vendas aumenta como forma de compensar a baixa margem, e as
pessoas são substituídas sendo taxadas de incompetentes, gerando uma ruptura
total na empresa.
QUAL SERIA A ATITUDE
PROVÁVEL DO GRUPO NESTE CENÁRIO TÍPICO?
Qualquer semelhança com a realidade é mera
coincidência....
· Esse mercado está
saturado. Muita concorrência por preço. Não dá para ganhar dinheiro.
· Para expandir temos
que dar mais crédito o que certamente aumentará a inadimplência, aumentando o
risco.
· A margem vem caindo
mesmo com aumento das vendas. Não tem mais para onde crescer vendas.
· Nossos clientes não
são mais fiéis. Compram de quem tem o menor preço com melhor prazo de pagamento.
· Aquele gerente está
ganhando muito dinheiro e está ficando preguiçoso.
· Não consigo motivar
meu time já que a empresa não consegue acompanhar os preços praticados no
mercado.
· O gerente
financeiro está dando as cartas. As metas de vendas agora vêm da controladoria.
O QUE SE ESPERA DE UM
LÍDER DE VERDADE NESTA SITUAÇÃO?
Este é o tipo de profissional do futuro.
Infelizmente raríssimo...
· Os clientes estão
lá fora comprando. Temos que ser melhores e mais rápidos que nossos
concorrentes.
· Somos
empreendedores e faremos o que tiver que ser feito para facilitar a venda para
nossos clientes.
· Somos uma empresa
focada e remunerada por resultados. Somos bons vendedores. Não somos
simplesmente comprados por nossos clientes.
· A fidelidade do
cliente depende de nós. Nossos salários estão atrelados à manutenção de nossos
clientes.
· Quem não tem garra
para brigar pelo cliente e pela venda que busque outro emprego. Nesta empresa
gostamos de pagar muito bem aos funcionários
Exemplos existem em toda
parte. Seus resultados são incontestáveis.
A DOENÇA NÃO É CRONICA. TEM CURA, MAS PRECISA DE TRATAMENTO INTENSIVO.
Mais que um remédio, é também um veneno que pode curar ou matar dependendo da
dose administrada. No entanto, não existe fórmula mais eficaz, no curto prazo,
que atrelar os resultados almejados a incrementos salariais.
Na prática, mais dinheiro no
bolso, mais “dedicação”
Afinal, qualquer funcionário trabalha pelo seu salário no fim do mês. Portanto,
deixe o romantismo de lado quando julgar que os funcionários da sua empresa
trabalham por “pura paixão” ou por “vestirem a camisa da empresa”.
Seus concorrentes ou parceiros vão tirar os melhores líderes da sua empresa mais
cedo do que mais tarde. Não fique magoado com eles, a culpa é da sua empresa. O
Brasil vai passar por um “apagão de gestão” apesar da liquidez do mercado.
Planeje a retenção de seus líderes e “key players” enquanto pode. Ou chore suas
mágoas na “festinha de despedida” deles.
Faça de seus líderes sócios
na alegria e na tristeza. Literalmente sócios!
Essa história de “meus funcionários vestem a camisa” dá enjôo. Só tem serventia
para líderes “mal equipados” que se utilizam de jargões da idade da pedra para
tentar motivar jovens semi-alfabetizados. Este tipo de “pseudo-líder” que
contrata propositadamente “símios sem treinamento básico” nunca dará certo. Sua
empresa precisa de criatividade, empower, tomar risco, empreendedorismo,
coragem, brilho...
Não faça seus funcionários
sofrerem. Substitua sua equipe por outra que tenha o perfil profissional do
tamanho do desafio. Para o bem deles e da sua empresa!
O LADO NEGATIVO DO DINHEIRO COMO ÚNICO ESTÍMULO
No longo prazo, existe a possibilidade de a referência salarial da empresa
tornar-se muito alta comparativamente ao mercado, criando uma situação complexa,
muitas vezes insustentável, de administrar já que não é mais qualquer “dinheiro”
que compra a equipe. Digo compra, pois dinheiro já não representa mais um
estímulo.
Esta situação ainda pode piorar e muito, pois pode criar um potencial passivo
trabalhista que se torna impagável ao longo dos anos. Isso ocorre na situação
onde a porção variável do salário dos colaboradores é paga fora da folha
tradicional de pagamentos, ou fora da CLT. Por mais que os funcionários “amem”
trabalhar na sua empresa, mande-os embora por qualquer motivo e você voltará a
vê-los na justiça do trabalho. Adivinhe quem vai ganhar a causa?
NÃO CONFUNDA INCENTIVOS
COM REMUNERAÇÃO POR VENDAS.
O caminho da preguiça é sempre o mais curto e,
portanto mais caro. Não compre seu time .Remunere-os pelo que eles realmente
valem profissionalmente.
Muitas empresas cometem um
erro básico, preguiçoso, na hora de remunerar seus colaboradores. Atribuem a
“higiene do time” ao dinheiro e simplesmente esquecem que o futuro da empresa
transcende o “salário do mês de maio” do gerente de vendas.
Um abraço do presidente em
público ou um simples email do mesmo com um singelo agradecimento tem um efeito
equivalente, acredite. Se não consegue acreditar, pelo menos tente!
Não que premiar vendas
seja ruim, definitivamente não, porém é uma ação transacional, imediatista e não
determina o sucesso futuro da empresa.
SEJA UM GESTOR GENEROSO,
DE MUITA GRANA PARA SEUS
FUNCIONÁRIOS... SE, E SOMENTE SE, ELES ENTREGAREM:
· Expansão regional
preeminente.
· Baterem a quota de novos
produtos.
· Baterem a quota para novos
canais de vendas.
· Trazerem novos clientes para
empresa.
· Mantiverem a participação de
mercado da empresa.
· Implementarem novos
processos.
· Conquistar novas parcerias
estratégicas.
A CULTURA DA EMPRESA DÁ
PELO COMPORTAMENTO DE SEUS LIDERES
O uso do “chicote” não
resolve absolutamente nada. Este tipo de atitude tTira a auto-estima do grupo,
que por sua vez se esconde numa postura defensiva contra-produtiva.
Quantas vezes você já
ouviu falar que precisa manter a equipe com “rédea curta” ou “manter o
chicote”. Pobres empreendedores, donos de empresas, que mantém líderes com este
tipo de ferramental medíocre.
Uma vez perguntei a um
presidente de empresa de sucesso qual a metodologia que ele possuía para medir o
clima da organização?
Ele respondeu: “O sorriso das pessoas.”
– José Jeronimo Rodrigues
De forma subliminar, foi
talvez a maior lição que aprendi sobre liderança!
O verdadeiro líder gera, e não suga a energia do time. - Larry Bossidy
Nori Lucio Jr. é fundador da brandMe, consultoria especializada em planejamento estratégico. - 20 anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens pela gerência de marketing e comunicação na Intel® e Microsoft®. Formado em marketing, com especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e desenvolvimento de canais de venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.