A primeira vez a gente nunca esquece
Por Jerônimo Mendes
24/03/2009
Certa vez fomos visitar um grande cliente na Região Metropolitana de Curitiba,
eu e meu futuro substituto que acabara de entrar na empresa. Eu havia sido
promovido para um cargo de liderança na área de suporte e, como mandava o
regulamento, deveria visitar os principais clientes para facilitar o acesso do
novato e o reconhecimento do terreno.
Durante o caminho fomos conversando sobre a área, a concorrência, o potencial de
vendas a ser explorado e o perfil dos clientes em geral. Obviamente, eu queria
deixar uma boa impressão. Tudo o que eu consegui praticar durante três anos e
mais o que eu não consegui poderia servir de recomendação para ele.
Ao chegar ao local, anunciamos à secretária a intenção e aguardamos a vez de ser
atendidos, considerando a enorme fila de vendedores na nossa frente com o mesmo
objetivo: obter um pedido antes dos concorrentes. Em menos um minuto estávamos
todos na mesma sala, sentados, trocando olhares e esbanjando aquela simpatia
forçada uns para os outros, à espera de uma oportunidade que, certamente, viria.
O fato é que o cliente era bem posicionado na minha escala hierárquica de
importância e toda semana eu entrava em contato com ele, ainda que fosse apenas
para cumprimentá-lo, além de visitá-lo regularmente para manter a minha imagem e
a dos meus produtos vivos na sua mente. O comprador era um sujeito simples e, a
julgar pelo seu surrado chinelo de dedos, talvez nem valesse a visita, mas o
chinelo era apenas um bom disfarce.
Valeu a pena esperar. Jogamos conversa fora por mais de uma hora, pois ao
perguntar como estava passando, o comprador fazia questão de contar. Se você
tivesse paciência, certamente sairia de lá com um excelente pedido nas mãos.
Durante muito tempo ele foi a salvação da minha lavoura, pois sempre que
precisava de um pedido adicional para cumprir a cota do mês, bastava ligar para
ele e objetivo estava garantido.
Dispensadas as apresentações e feito o reconhecimento do terreno, aos poucos
fomos apertando as mãos e nos despedindo eufóricos, depois de tamanha
descontração. Estávamos certos de que a missão havia sido cumprida quando,
repentinamente, o cliente me segurou pelo braço e disparou surpreso, com um leve
sorriso nos lábios: - Espera! Vocês não vão levar o pedido hoje?
Não sabíamos onde enfiar a cara. Meu companheiro ficou pálido depois de anotar o
pedido e parecia não acreditar. Pelos meus cálculos de hoje, a fatura
ultrapassava a 100 mil reais, um excelente começo para quem mal acabara de ser
apresentado ao cliente.
Embora o ambiente dos negócios tenha mudado desde aquela época, o episódio me
ensinou algumas lições que carrego comigo para o resto da vida e faço questão de
compartilhar com todos aqueles que cruzam o meu caminho. Pense nisso e seja
feliz!
- Todos os clientes são importantes, mas alguns são mais importantes que os
outros;
- Nunca subestime o poder de compra do seu cliente ainda que ele seja visto
apenas de chinelo de dedos, portanto, nunca visite um cliente sem o objetivo
principal em mente: fazer negócios;
- O planejamento de uma visita demanda o estabelecimento de, pelo menos, três
objetivos: falar de negócios, fazer negócios e fortalecer o relacionamento entre
as partes.
Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE