A Principal Característica da Liderança
Por Carlos Alberto de Faria
27/09/2007


O ensinamento do grande "papa" da administração, Peter Drucker:

"A única definição de líder é alguém que possui seguidores. Algumas pessoas são pensadores. Outras, profetas. Os dois papéis são importantes e muito necessários. Mas, sem seguidores, não há líderes."

Esta definição de líder, de Peter Drucker, é inquestionável, para mim. O que resulta desta definição é que, para haver seguidores, o líder tem que inspirar confiança, já que sem confiança ninguém segue ninguém.

A confiança é a principal característica que dá suporte à liderança. Alguns denominam esta característica principal de credibilidade. Não muda muito, só o nome.

A confiança representa uma condição, sem a qual, não floresce a liderança. Ou seja, só é líder quem inspira confiança. Esta condição não garante a assunção da liderança, mas garante a base onde ela pode ser construída.

Portanto, qualquer que seja a posição de um líder, em qualquer empresa ou situação, a principal característica desse líder - e de quaisquer outros líderes - é a confiança. Para haver um líder, esse líder tem que inspirar confiança em quem o segue.

A confiança, então tão buscada e desejada, apresenta algumas peculiaridades interessantes, que ajudam na sua formação, apresentadas abaixo:

1. A confiança requer tempo para ser construída.
Não há confiança à primeira vista, o tempo é o adubo que permite crescer a relação de confiança.

2. A confiança é construída um a um.
A confiança se constrói em relações entre duas pessoas. Faça visitas garantindo isonomia de tratamento e construa a confiança.

3. A confiança é uma avenida de duas mãos.
A confiança precisa de duas pessoas e, necessariamente, ser recíproca. Se não há reciprocidade, há problemas de balanceamento no relacionamento.

4. A confiança implica em apreender e aprender com o outro.
Neste mundo de rápidas mudanças as pessoas estão aprendendo, mais e mais rápido, e a relação de confiança necessita constante troca de informações, tanto para equiparar os dois lados da relação de confiança, como para apreender as mudanças que ocorrem com cada um dos lados dessa relação.

5. A confiança tem limites.
A confiança é conquistada etapa a etapa. A cada etapa há o controle para verificar se a confiança depositada teve a realização comprometida do outro lado. Umas regras ótimas são:

Confie em Deus, e feche aporta com cadeado.

Tenha sempre confiança, mas faça contratos por escrito.

6. A confiança exige firmeza.
Tornar claro e checar o entendimento do que se espera é básico. Uma vez depositada a confiança, ela tem que ser correspondida. Confiança não correspondida significa abandono da relação. Porto final.

7. A confiança requer líderes.
Para se adquirir confiança é necessário que a outra parte diga algo como:

- Deixa comigo!

Isto, acima de tudo, quer dizer que a pessoa informa que tem condições de levar a bom termo a situação. No mínimo, esta pessoa lidera a si própria, ela se compromete com resultados.

8. Confiança significa lisura de procedimentos.
O melhor truque para ser um líder é não utilizar truque nenhum.

9. A confiança requer caráter e persistência.
A relação de confiança requer que cada lado só prometa aquilo que pode cumprir, portanto, se você prometeu, vá até as últimas conseqüências para garantir o prometido.

Ou de outra forma: só prometa aquilo que você pode cumprir, com folga.

Ou ainda mais: mesmo que o outro lado insista, jamais seja desonesto.

Você leva muito tempo para ganhar confiança e somente um segundo para perdê-la.

10. A confiança e o ser humano.
O ser humano é interessante: julga os outros pelos seus comportamentos, mas, a si próprio, pelas suas atitudes.

Aos próprios olhos nunca ninguém falha, há sempre uma explicação plausível, mas as razões pelas quais você deixou alguém a ver navios, são exclusivamente suas. Não importa se você é incompetente, se você tem falta de sorte, ou mesmo se você é mentiroso.

Assuma o erro, peça desculpas e, se aceita a desculpa, comece de novo a construir a confiança. Em casa, com a família, ou no trabalho.

E agora duas perguntas para você mesmo:

Seu líder transmite confiança para você?

E você, você transmite confiança para os seus seguidores? Esta é a sua opinião ou a opinião dos seus seguidores? No lar, com a família, com os amigos, no trabalho?

Carlos Alberto de Faria é sócio diretor da Merkatus - Fonte: Merkatus