Qual é sua Desculpa?
Por Jerônimo Mendes
25/05/2009
O mundo seria fantástico se as pessoas fizessem exatamente aquilo que gostam,
entretanto, poucos iluminados ou “sortudos” conseguem essa proeza ao longo da
vida. A questão aqui não é dinheiro, bens materiais, sucesso ou coisa que o
valha; a questão diz respeito aos sonhos não realizados. Conheço muitas pessoas
que gostariam de estudar filosofia, arqueologia, biologia, cuidar de uma pousada
à beira mar ou ainda passar um período no Tibete, mas falta-lhes coragem e certa
ousadia para exercer um direito fundamental na vida do ser humano: encontrar a
própria felicidade.
Em geral, preferimos dizer que as coisas estão muito distantes, por vezes
impossíveis quando, na verdade, são muito inconvenientes. Desde pequenos somos
orientados a perseguir carreiras promissoras como medicina, direito, engenharia
ou até mesmo o sonho não realizado dos pais como ser modelo ou jogador de
futebol a qualquer preço. Embora os pais desejem o melhor para os filhos,
esquecem que a vocação é uma questão pessoal e não importa o que os filhos
querem ser na vida, mas a forma como vão exercer a profissão que escolherem.
Por conta disso, o mundo está cheio de profissionais medianos que se prestam a
exercer uma profissão sem o menor gosto ou dedicação que justifique o seu
rendimento. Quando dizemos que os nossos sonhos estão muito distantes ou são
impossíveis, na verdade queremos dizer o seguinte: para realizar nosso sonho não
estamos dispostos a pensar e estudar mais, economizar mais, dedicar mais tempo
para planejar, parar de almoçar fora durante um ano, abrir mão dos brinquedinhos
eletrônicos, trabalhar nas horas de folga. Realizar sonhos exige esforço e
disciplina acima da média, algo que poucos estão dispostos a praticar.
Exercer qualquer profissão com dignidade é para poucos. Com frequência ouvimos
bobagens do tipo “se eu tivesse um emprego melhor seria mais feliz”, “se eu
ganhasse mais, poderia viver melhor” ou ainda “quando eu mudar para um emprego
melhor vou me dedicar mais”. De fato, vivemos a vida tentando justificar a falta
de iniciativa e ação para as coisas que dependem única e exclusivamente de nós
mesmos, mas preferimos atribuir a culpa ao chefe, aos pais ou ao emprego que nos
escraviza. Esquecemos o fato de que, para ter, precisamos, acima de tudo, ser
melhores a cada dia em qualquer emprego.
O fato é que a solução para os nossos maiores dilemas está mais perto do que
imaginamos. Não precisamos ir para o Tibete encontrar a iluminação tampouco
fazer o Caminho de Santiago embora saibamos que experiências desse tipo podem
ser inesquecíveis. Imagine quantas pessoas dizem que é praticamente impossível
mudar de carreira quando um acidente, uma demissão ou mesmo uma fatalidade
convencem-nas do contrário.
Há pouco tempo tive a felicidade de conhecer o músico João Carlos Martins,
internacionalmente famoso por ser um dos maiores intérpretes de Johann Sebastian
Bach. Fui fazer uma palestra em Belo Horizonte e, por uma dessas coincidências
do destino, tomamos o mesmo veículo à disposição dos palestrantes. Contava-me
ele, com alegria nos olhos que, por duas vezes seguidas, a mão dura do destino
tocou-lhe os ombros. Na primeira, ele perdeu o movimento dos dedos da mão
direita, mas continuou tocando com os da mão esquerda. Mais adiante, perdeu os
movimentos da mão esquerda. Imagine o que significa isso para um pianista com 40
anos de história. Entretanto, este brasileiro de fibra não desanimou; propôs-se
a estudar regência e está se preparando para ser um grande maestro. Não tenho a
menor dúvida de que vai conseguir.
Nós, seres humanos, somos capazes de coisas incríveis. Pense na história do
brasileiro Gonçalo Borges que hoje ganha a vida pintando quadros com a boca e os
pés, no australiano Nick Vujicic que realiza palestras pelo mundo todo mesmo sem
os pés e as mãos e outros tantos que não dão a mínima para as adversidades e
fazem delas a sua alavanca de crescimento. As pessoas que realizam seus sonhos
percorrem um grande caminho. Não existe esse tal de almoço grátis. Quando tudo
parece estar contra nós, ressurgem forças ocultas de onde menos esperamos.
Acredite ou não, nós sempre temos escolha. Tudo aquilo em que você se concentra
tende a fortalecer. A questão é simples: o que você está disposto a fazer para
tornar as coisas menos impossíveis? Quantas desculpas você ainda pretende criar
para adiar o sonho de fazer aquilo que realmente deve ser feito? Quando você se
propõe a mudar, o mundo ao seu redor muda também. Experimente, planeje, leia,
concentre-se e as coisas se ajeitam quando você menos imagina. Não mude de
emprego, mude de atitude, sofra menos, agradeça mais.
Parafraseando Andrew Matthews, escritor e cartunista australiano, “a gente fica
motivado quando está fazendo as coisas, não quando está falando nelas. É a ação
que entusiasma e revela a oportunidade. Trata-se de mergulhar de corpo e alma. O
universo recompensa o esforço, não as desculpas.” Pense nisso e seja feliz!
Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE
Qual é sua Desculpa?
Por Jerônimo Mendes
25/05/2009
O mundo seria fantástico se as pessoas fizessem exatamente aquilo que gostam,
entretanto, poucos iluminados ou “sortudos” conseguem essa proeza ao longo da
vida. A questão aqui não é dinheiro, bens materiais, sucesso ou coisa que o
valha; a questão diz respeito aos sonhos não realizados. Conheço muitas pessoas
que gostariam de estudar filosofia, arqueologia, biologia, cuidar de uma pousada
à beira mar ou ainda passar um período no Tibete, mas falta-lhes coragem e certa
ousadia para exercer um direito fundamental na vida do ser humano: encontrar a
própria felicidade.
Em geral, preferimos dizer que as coisas estão muito distantes, por vezes
impossíveis quando, na verdade, são muito inconvenientes. Desde pequenos somos
orientados a perseguir carreiras promissoras como medicina, direito, engenharia
ou até mesmo o sonho não realizado dos pais como ser modelo ou jogador de
futebol a qualquer preço. Embora os pais desejem o melhor para os filhos,
esquecem que a vocação é uma questão pessoal e não importa o que os filhos
querem ser na vida, mas a forma como vão exercer a profissão que escolherem.
Por conta disso, o mundo está cheio de profissionais medianos que se prestam a
exercer uma profissão sem o menor gosto ou dedicação que justifique o seu
rendimento. Quando dizemos que os nossos sonhos estão muito distantes ou são
impossíveis, na verdade queremos dizer o seguinte: para realizar nosso sonho não
estamos dispostos a pensar e estudar mais, economizar mais, dedicar mais tempo
para planejar, parar de almoçar fora durante um ano, abrir mão dos brinquedinhos
eletrônicos, trabalhar nas horas de folga. Realizar sonhos exige esforço e
disciplina acima da média, algo que poucos estão dispostos a praticar.
Exercer qualquer profissão com dignidade é para poucos. Com frequência ouvimos
bobagens do tipo “se eu tivesse um emprego melhor seria mais feliz”, “se eu
ganhasse mais, poderia viver melhor” ou ainda “quando eu mudar para um emprego
melhor vou me dedicar mais”. De fato, vivemos a vida tentando justificar a falta
de iniciativa e ação para as coisas que dependem única e exclusivamente de nós
mesmos, mas preferimos atribuir a culpa ao chefe, aos pais ou ao emprego que nos
escraviza. Esquecemos o fato de que, para ter, precisamos, acima de tudo, ser
melhores a cada dia em qualquer emprego.
O fato é que a solução para os nossos maiores dilemas está mais perto do que
imaginamos. Não precisamos ir para o Tibete encontrar a iluminação tampouco
fazer o Caminho de Santiago embora saibamos que experiências desse tipo podem
ser inesquecíveis. Imagine quantas pessoas dizem que é praticamente impossível
mudar de carreira quando um acidente, uma demissão ou mesmo uma fatalidade
convencem-nas do contrário.
Há pouco tempo tive a felicidade de conhecer o músico João Carlos Martins,
internacionalmente famoso por ser um dos maiores intérpretes de Johann Sebastian
Bach. Fui fazer uma palestra em Belo Horizonte e, por uma dessas coincidências
do destino, tomamos o mesmo veículo à disposição dos palestrantes. Contava-me
ele, com alegria nos olhos que, por duas vezes seguidas, a mão dura do destino
tocou-lhe os ombros. Na primeira, ele perdeu o movimento dos dedos da mão
direita, mas continuou tocando com os da mão esquerda. Mais adiante, perdeu os
movimentos da mão esquerda. Imagine o que significa isso para um pianista com 40
anos de história. Entretanto, este brasileiro de fibra não desanimou; propôs-se
a estudar regência e está se preparando para ser um grande maestro. Não tenho a
menor dúvida de que vai conseguir.
Nós, seres humanos, somos capazes de coisas incríveis. Pense na história do
brasileiro Gonçalo Borges que hoje ganha a vida pintando quadros com a boca e os
pés, no australiano Nick Vujicic que realiza palestras pelo mundo todo mesmo sem
os pés e as mãos e outros tantos que não dão a mínima para as adversidades e
fazem delas a sua alavanca de crescimento. As pessoas que realizam seus sonhos
percorrem um grande caminho. Não existe esse tal de almoço grátis. Quando tudo
parece estar contra nós, ressurgem forças ocultas de onde menos esperamos.
Acredite ou não, nós sempre temos escolha. Tudo aquilo em que você se concentra
tende a fortalecer. A questão é simples: o que você está disposto a fazer para
tornar as coisas menos impossíveis? Quantas desculpas você ainda pretende criar
para adiar o sonho de fazer aquilo que realmente deve ser feito? Quando você se
propõe a mudar, o mundo ao seu redor muda também. Experimente, planeje, leia,
concentre-se e as coisas se ajeitam quando você menos imagina. Não mude de
emprego, mude de atitude, sofra menos, agradeça mais.
Parafraseando Andrew Matthews, escritor e cartunista australiano, “a gente fica
motivado quando está fazendo as coisas, não quando está falando nelas. É a ação
que entusiasma e revela a oportunidade. Trata-se de mergulhar de corpo e alma. O
universo recompensa o esforço, não as desculpas.” Pense nisso e seja feliz!
Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE