Qualidade da Informação
Por Henrique Montserrat Fernandez
23/08/2007
Dependendo da fonte da informação obtida, ela pode ser mais ou menos confiável.
É isso que diferencia uma informação verídica de um boato.
Ser crítico quanto à qualidade da informação é muito importante. Infelizmente,
nem sempre o que está impresso num jornal ou revista (ou o que é dito por seus
colaboradores mais chegados) deve ser considerado 100% confiável.
As fontes de informação que uma empresa utiliza podem ser classificadas segundo
os seguintes aspectos, segundo Elizabeth Gomes e Fabiane Braga em seu livro
Inteligência Competitiva:
- ORIGEM : Pode ser interna (própria empresa) ou externa.
- CONTEÚDO: Fontes Primárias dispõem dados vindos diretamente da fonte de origem
(ex.: clientes, consultores, fornecedores etc.) e
Fontes Secundárias que disponibilizam fatos alterados, gerados a partir de
informações obtidas das fontes primárias (ex.: jornais).
- ESTRUTURA: Fontes formais ou textuais que possuem informações estruturadas
(ex.: livros, revistas, CD’s, relatórios etc.) e, Fontes informais que não
possuem estruturação e geralmente são externas à empresa (ex.: conversas,
conferências etc).
- NÍVEL DE CONFIABILIDADE: Alto risco - vindas de fontes não confiáveis, mas que
devem ser monitoradas (ex.: boatos);
Confiança subjetiva – vem de fontes confiáveis em certos momentos e não
confiáveis em outros (ex.: certos jornais e revistas). Devem ser monitoradas.
Altamente Confiáveis – suas informações são sempre confiáveis e devem ser sempre
monitoradas (ex.: legislação).
Um alerta adicional -- as pessoas “adoram” ser enganadas. Preferem ouvir coisas
“agradáveis” a ouvir a verdade.
É por exemplo, o caso do(a) namorado(a) que ouve aquela explicação “esfarrapada”
mesmo tendo visto com os próprios olhos a realidade: “-- Benzinho, isso não é o
que você está pensando! Nós somos apenas amigos...”
Por incrível que pareça, essa tendência natural também é adotada nas empresas. E
dá resultados! – pelo menos até que a mentira seja descoberta.
Em meus vários anos de trabalho ouvi muitas vezes dos tomadores de decisão:
--Impossível! Sei que isso está errado! – mesmo que a verdade fosse estampada na
testa do incrédulo, através de dados e relatórios confiáveis. Se a informação
vai contra o que se acredita, muitas pessoas preferem varrê-la para baixo do
tapete e colocar a sua “verdade” por cima. Também vi vários desses “tomadores de
decisão” serem postos no olho da rua após suas novas “verdades” serem
descobertas (em se tratando de empresários, foi pior: pagaram com a quebra da
empresa).
Um exemplo notório, é o da gigante americana de energia Enron. Os dados
contábeis foram adulterados, inflando ganhos e escondendo débitos, e pior! –
isso ocorreu com o conhecimento dos auditores da Arthur Andersen, na época uma
das maiores empresas de auditoria independente do mundo!
Portanto, cuidado! Seja sempre crítico em relação a todos os dados e informações
que recebe, mas principalmente naqueles que você tem como verdade absoluta
dentro de sua cabeça – estes são os mais difíceis de aceitar como errados.
Henrique Montserrat Fernandez é Administrador de Empresas com pós-graduação em Análise de Sistemas e MBA em Tecnologia da Informação / E-management pela Strong/FGV. Com 29 anos de atuação profissional, trabalhou em empresas de médio e grande portes, tais como Grupo Bonfiglioli, Copersucar e SENAC, entre outras. Foi Gerente de Sistemas e Métodos da Zanthus, tradicional fabricante de Terminais Ponto de Venda, onde atuou por mais de seis anos. Foi também professor universitário na década de 90.