Queixas Improdutivas
Por Jerônimo Mendes
02/03/2009
De acordo com Fredy Kofman, autor de Metamanagement (Ed. Campus), não existe
nada mais prejudicial para as empresas, e para o próprio ser humano, do que
aquilo que ele denomina de queixas improdutivas. Eu mesmo já fui vítima delas,
nos meus áureos tempos de mundo corporativo, ao sofrer as consequências das
queixas expressadas contra mim e até mesmo quando eu me queixava de terceiros
para terceiros, inutilmente.
De fato, isso nunca me levou a lugar algum. Ao contrário, esse tipo de
comportamento afastou-me de muitas pessoas, cujo relacionamento é difícil de
recuperar. Contudo, existem certas coisas que a gente pratica de teimoso, ainda
que você tenha consciência da perda, por vezes temporária, outras não. Graças a
Deus, a vida vai batendo na gente e você vê que o diálogo aberto e o respeito
entre as partes ainda são os maiores antídotos contra esse tipo de problema.
Em geral, as queixas improdutivas no ambiente de trabalho, embora ocorram em
qualquer círculo de relacionamento, são caracterizadas pelas seguintes atitudes,
segundo Kofman:
* Geralmente, são expressadas diante de terceiros: trata-se de um péssimo hábito
do ser humano ao tratar o problema paralelamente, nos corredores ou no banheiro,
em vez de discutir com os envolvidos ou com aqueles que têm o poder de
resolvê-lo;
* Buscam simpatia e apoio: por mais que não façam sentido, buscam a concordância
de um terceiro, em geral com afinidade em relação ao mesmo problema; imagine
dois descontentes compartilhando uma insatisfação por um longo período;
* São repetitivas: a pessoa gosta de sofrer ao ficar repetindo, o tempo todo, a
mesma coisa; depois de cinco anos, você encontra o sujeito, descontente como
tal, sem coragem de enfrentar a situação, mas ainda continua na empresa;
* Conduzem a juízos pessoais negativos: como os problemas não são tratados na
essência e são carregados de uma boa dose de emoção, tendem a desmoralizar o
sistema ou a outra parte com comentários negativos, pejorativos e
desmoralizantes que induzem a um raciocínio impreciso;
* Estão orientados para a descarga emocional: como o ser humano está sempre à
procura de um ombro amigo, as queixas improdutivas são um prato cheio para o
início de um desabafo sem sentido;
* Buscam vingança: trata-se da consequência mais devastadora, ainda mais quando
carregada de emoção e subjetividade considerando que os nossos instintos
primitivos estão apenas adormecidos; o apoio é, quase sempre, a alavanca para
despertar o que já está latente dentro de uma pessoa mal intencionada;
* Geram rancor e inimizade entre as facções: as queixas improdutivas estimulam o
fortalecimento das forças de coalizão; a energia que poderia ser canalizada para
a solução do problema ou para a criação do espírito de equipe acaba dissipada
com magoas, ressentimentos, empobrecimento do afeto e inimizade entre as
facções.
Existe um momento na vida em que cada ser humano deve repensar a sua missão no
mundo e ao fazê-lo, de maneira consciente, vai chegar à conclusão que só existem
três maneiras de se livrar das queixas improdutivas que castigam a sua forma de
agir e pensar no ambiente de trabalho e na sociedade em geral:
1. Dificilmente uma empresa muda a sua forma de trabalho porque um dos seus
colaboradores anda se queixando há mais de dez anos pelos corredores, portanto,
é mais fácil mudar o colaborador; hoje, em função da crise, as empresas tendem a
ser menos complacentes ainda com aqueles que, apesar de tudo, continuam
reclamando;
2. A melhor forma de resolver o problema é tratá-lo diretamente com aquele que o
causou ou então com aquele que tem poder (autoridade formal) para isso; o seu
colega de trabalho jamais vai dar a cara para bater em favor de algo que você
mesmo é incapaz de enfrentar;
3. Se você não tem objetivos na vida, torna-se improdutivo e crítico do trabalho
alheio; portanto, ao contrário do que diz o ditado, em vez de cabeça vazia, que
tal uma oficina de idéias, otimismo e alegria?
Por fim, lembre-se: você é o único responsável por aquilo que acontece ao seu
redor. Comece a enumerar as queixas que você faz diariamente em todos os lugares
que passa e verá que a única solução para livrar-se delas é transformá-las em
reclamações produtivas, ou seja, aquelas que são objeto de reflexão, análise e
uma mudança definitiva de comportamento. Pense nisso e seja feliz!
Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante
Autor de Oh, Mundo Cãoporativo! (Qualitymark) e Benditas Muletas (Vozes)
Mestre em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE