Quem Tem Medo da Criatividade
Por Gisela Kassoy
20/10/2007
Fascinante, desafiadora e em nossos dias indispensável, a criatividade possui
também um lado ameaçador.
Precisamos da criatividade de profissionais em todos os níveis para que as
mudanças da nossa era - sejam elas desejadas ou não - sejam administradas de
forma ágil , produtiva e vantajosa.
Queremos pessoas empreendedoras, participativas e líderes. Mas será que as
empresas conseguem realmente estimular os donos deste perfil? Não é ele que é
considerado rebelde, lunático e bola-fora?
Do ponto de vista de seu produto mais concreto - a idéia - a criatividade pode
ser incômoda, pois quebra a linearidade do pensamento.
As boas idéias, por serem arrojadas ou óbvias demais, estimulam a inveja ."Como
é que não pensei nisso antes..." é uma frase que já passou na cabeça da maioria
dos mortais. E se o mortal invejoso tiver mais poder do que aquele que deu a
sugestão?
Pelo fato da demanda de inventividade ser unânime, os agentes de mudanças podem
negligenciar seu lado incômodo. Resultado: a criatividade é estimulada por seus
porta vozes, mas acaba sendo tolhida pelos que a temem.
Segue um panorama dos entraves mais frequentes e formas de lidar com eles:
Riscos a Nível Pessoal - A cultura da empresa deve minimizar o estigma do
colaborador que errou por ter arriscado ou que é diferente ou rebelde. Além
disso, os próprios funcionários podem ser capacitados para avaliar e vender suas
idéias. Uma idéia bem apresentada poupa tempo das chefias e reduz rejeições e
frustrações.
Riscos para a Organização - Tudo o que é novo envolve risco, mas ele pode e deve
ser administrado. A empresa não deve poupar esforços neste sentido, seja através
de projetos piloto, técnicas para a avaliação de idéias ou estabelecimento de
uma cota para o risco.
Saída da Linearidade - Sempre que quebramos um paradigma temos que reformar
parte de nossa estrutura mental. A experiência pode ser excitante, mas não é
exatamente confortável, principalmente se a modificação solicitada não for o
foco de nossas atenções e os benefícios do novo conceito não forem evidentes.
Para que estejamos preparados para essas rupturas, é conveniente que as
novidades sejam expostas como algo a ser pensado, que não exija uma consideração
imediata. Podem até ser criadas situações estabelecidas para tal, como reuniões
para avaliação de novas idéias.
Saída da Rotina - Mudanças nos procedimentos geram irritação e resistência. De
preferência, a empresa deve propiciar tempo e permissão para erros e adequações.
Que tal uma semana dita experimental, com campanhas bem humoradas logo após a
reformulação de um departamento?
Criatividade para Evitar Mudanças - Resistências a inovações podem ser
pertinentes e valiosas. Entretanto, a habilidade de certas pessoas em argumentar
contra o novo pode impedir uma empresa de crescer. Se as justificativas para
“deixar como está” são frequentes na organização, pode estar faltando
autoconfiança e gosto pelo desafio.
Inveja - Chefes são valorizados não só por suas idéias mas também pelas de sua
equipe. Para evitar inveja entre colegas (e eventuais piratarias e boicotes) o
melhor é não estimular o culto ao “pai da idéia”.
Todo marinheiro precisa de um porto seguro. Planejamentos para inovações devem
levar em conta etapas, tempo para adaptações e reforço para neutralizar a
insegurança psicológica. A criatividade é um prazer para as pessoas e um
benefício para as empresas. Porque não tratá-la como tal?
Gisela Kassoy - Consultoria em Criatividade - www.giselakassoy.com.br