A Razão de ser de uma empresa - Lucro a qualquer preço?

Por: Jimmy Cygler

01/11/2007

 



De cada 10 restaurantes que abrem as portas em São Paulo, oito fecham em menos de um ano. Por que algumas empresas sobrevivem séculos e a maioria não passa de dois, três anos? Será que elas estão perseguindo a coisa errada?

O que é uma empresa? Por quê e para quê existe? A visão quase onipresente, nos últimos anos, e não só no Brasil, tem sido de que uma empresa existe para gerar lucro para seus acionistas. Lucro, lucro, lucro... Esta palavra, e tudo o que ela traz consigo, tem causado uma monocoloração absoluta do mundo empresarial, restringindo a visão exclusivamente aos resultados de curto prazo. Vários de meus amigos, presidentes de empresas multinacionais instaladas no Brasil, costumam me dizer: “Longo prazo? Longo prazo, para a matriz, é o quarter. Hoje, o curto prazo são os reports mensais ou quinzenais, meu chapa!”

A perseguição dos resultados de curto prazo, promovida implacavelmente pelo “rebanho eletrônico das velhinhas de Cincinatti”, que apostam compulsivamente na bolsa de valores - como nossas velhinhas aqui correm para os (ex?) bingos – tem pirado a cabeça dos CEO´s e em cascata toda a cadeia de comando das empresas. O investidor anônimo, representado principalmente pelos fundos de pensão, só enxerga uma coisa: o tal do famigerado ROI – Retorno sobre os Investimentos. Para ele não existem clientes, funcionários, fornecedores, meios de produção, fábricas, processos, ISO 9000, Rh, Qualidade Total, Kaizen, Shmaizen e nada disso. Ele só olha qual ação dá mais retorno, em menos tempo e com menos risco.

Isso tem causado, invariavelmente, uma pressão insuportável sobre os executivos, que têm sacrificado o longo prazo em detrimento dos resultados do trimestre. Esta realidade vai de encontro ao real motivo de existir de uma empresa: se perpetuar na sua contribuição para com a comunidade. É claro que nenhuma empresa pode se perpetuar sem gerar lucro. Mas aí o lucro é a conseqüência, não a razão de ser. Essa diferença não é meramente semântica. Ela é essencial. A empresa que raciocina desta forma é a “empresa comunidade”, que diferentemente da “empresa econômica”, coloca o lucro em primeiro lugar. Já a empresa comunidade busca sua perpetuação. Ela é a “empresa-rio”, pode aumentar ou diminuir, conforme a chuva, mas raramente seca. Ela é dinâmica - as gotas não param. Ela visa o lucro, mas como complemento à otimização das pessoas.

O engraçado é que, conforme estudos profundos feitos por vários estudiosos, como Jim Collins em “Feitas para durar” e “Feitas para vencer”, e “A empresa viva” de Arie de Geus, as empresas que não colocaram o lucro em suas bandeiras corporativas obtiveram, a longo prazo, uma lucratividade média quinze(!) vezes superior à média da bolsa de valores. É como aquela lição que nós, homens, já havíamos aprendido na adolescência: quanto mais as perseguíamos, mais elas fugiam...

Jimmy Cygler é professor do MBA da ESPM Business School, presidente da Resolve! Enterprise Services, conselheiro da Proxis e membro do Mensa – Brasil - jimmy@proxis.com.br - www.proxis.com.br




 

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